16 de julho de 2017: o dia da volta por cima

16/07/2017

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Ana Marcela Cunha e a medalha de bronze. Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Dia 15 de agosto de 2016. Um dia de sol intenso no Rio de Janeiro. Era o dia da prova feminina da maratona aquática de 10 km na Praia de Copacabana. A brasileira Ana Marcela Cunha chegava a Copacabana como uma das favoritas a subir ao pódio olímpico. Os resultados do Mundial de Kazan no ano anterior, quando havia ganho três medalhas, lhe credenciavam a tal status. A prova começou e Ana Marcela estava indo bem dentro de sua estratégia, mas um acidente acabou com seu sonho. Quando estava pronta para se alimentar na segunda volta, uma outra nadadora derrubou sua garrafinha e a fez perder tempo e energia, que faltou no fim da maratona. Terminou em décimo lugar, decepcionada e longe do pódio. Após os Jogos passou por uma delicada cirurgia de remoção do baço lhe deixou alguns meses de molho.

Hoje, dia 16 de julho de 2017 foi o dia de dar a volta por cima. Após a prova olímpica e a cirurgia Ana Marcela começou sua preparação para Budapeste-2017. Voltou a ser treinada por Fernando Possenti, o técnico responsável por ter a transformado em 2014 na melhor nadadora de águas abertas do mundo e na etapa de Foz do Iguaçu do Campeonato Brasileiro de Águas Abertas conseguiu sua classificação para o Mundial vencendo os 5 km e 10 km na seletiva nacional. Nas águas do Lago Balaton fez uma prova segura, crescendo progressivamente ao longo do percurso e chegando na reta final lutando por medalhas.

Dessa vez Ana Marcela descoloriu o cabelo - Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Dessa vez Ana Marcela descoloriu o cabelo – Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

E tem algo mais Ana Marcela Cunha do que dar o famoso sprint na última reta? A brasileira deixou a campeã olímpica Sharon van Rowendaal para trás e partiu para cima das italianas Rachele Bruni e Arianna Bridi que estavam na cola de Aurelie Muller que liderava a prova e rumava para a vitória. Enquanto elas se engalfinhavam a equatoriana Samantha Arévalo veio por fora passou todas elas abrindo caminho para ganhar a medalha de prata. Bruni cansou ficou para trás. Sobraram Ana Marcela e Bridi que tocaram no pórtico ao mesmo tempo. Foi um lance tão rápido que o resultado teve que ser definido pelo photo finisher.

Após vinte minutos de análise e suspensa a arbitragem definiu pelo empate entre as duas. Medalha de bronze em 2h00min17s2. A primeira medalha do Brasil neste Mundial e a sétima da nadadora que com esse resultado se tornou a maior medalhista do país em Mundiais de Esportes Aquáticos deixando Cesar Cielo com seis para trás. “Estou emocionado e ela fez uma prova muito boa. Essa é a prova olímpica, a mais importante, e o resultado é excelente. A prova foi emocionante e todo esse tempo para decidir quem ganhou a gente não vê nem na piscina. Ela saiu convicta da água e quando fala que ganhou é porque tem certeza”, disse o técnico Possenti ao canal SporTV ao fim da prova e ainda pediu para o redator da SWIM CHANNEL, Daniel Takata, confirmar se algum outro técnico de águas abertas tem um retrospecto igual ao dele: das sete medalhas da brasileira, seis foram com ele.

Momento da largada da maratona de 10 km - Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Momento da largada da maratona de 10 km – Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

O dia 15 de agosto de 2016 também foi um dia inesquecível para Aurelie Muller. Enquanto a holandesa Sharon van Rouwendaal vencia a prova acontecia uma disputa feroz pela medalha de prata entre ela e Rachele Bruni. A italiana estava a frente e ia tocar o pórtico de chegada na segunda colocação quando foi atropelada pela adversária que vinha embalada e a afundou. Um lance polêmico que após uma rápida revisão da arbitragem culminou com a desclassificação da francesa que de forma impulsiva perdia sua medalha olímpica.

Hoje, dia 16 de julho de 2017 foi o dia da volta por cima também para Muller. Nas águas do Lago Balaton a francesa venceu a maratona de 10 km e sagrou-se bicampeã mundial da principal prova da modalidade. Muller teve uma atuação irretocável liderando praticamente todo o percurso. Sua atuação foi quase tão perfeita que em boa parte da prova ela esteve praticamente nadando sozinha e ditando o ritmo para as demais adversárias. Nem mesmo uma pressão da italiana Arianna Bridi, líder da temporada da Copa do Mundo da Fina e que liderou parte da maratona, tirou a concentração da francesa que na volta final retornou a ponta e de lá não saiu mais para vencer com 2h00min13s7.

Aurelie Muller sagrou-se bicampeã mundial - Foto: Reprodução/Twitter

Aurelie Muller sagrou-se bicampeã mundial – Foto: Reprodução/Twitter

Destaque também para a grande prova de Samantha Arévalo. A equatoriana vem crescendo no cenário internacional há alguns anos. Em 2015 havia sido bronze nas águas abertas nos Jogos Pan-Americanos de Toronto e ficado em 12º lugar nos 10 km em Kazan. Ano passado terminou a maratona olímpica em nono lugar. Um detalhe, ela também costuma disputar competições em piscina e na semana que vem estará na Danubio Arena para desafiar Katie Ledecky e companhia nas provas de fundo.

A outra brasileira em ação hoje foi Viviane Jungblut. A jovem gaúcha fazia sua estreia em Mundiais e fez uma grande maratonas. Durante a maior parte da prova esteve entre as dez primeiras colocadas, chegando a ocupar a quarta colocação em determinado momento. No fim ela cansou e acabou tendo uma queda de rendimento terminando na 12ª colocação empatada com a chinesa Siyu Yan.

Viviane Jungblut terminou em 11º lugar - Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Viviane Jungblut terminou em 11º lugar – Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Esta foi apenas a segunda prova de águas abertas do Campeonato Mundial e sem dúvidas uma das mais emocionantes e melhores de todos os tempos. E pela segunda tivemos um empate no pódio. A primeira havia sido na prova por equipes em Kazan-2015 com Brasil e Holanda dividindo a prata. E se as próximas provas de águas abertas forem tão emocionantes como essa aqui prepare o coração…

Por Guilherme Freitas

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