40 anos de um recorde histórico

Há quatro décadas Djan Madruga estabelecia uma marca que passaria 29 anos na lista dos recordes sul-americanos

11/04/2020 - Guilherme Freitas

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Djan Madruga - Foto: Revista Nado Livre/Reprodução
Djan Madruga - Foto: Revista Nado Livre/Reprodução

Djan Madruga - Foto: Revista Nado Livre/Reprodução

Djan Madruga - Foto: Revista Nado Livre/Reprodução

No último dia 9 de abril uma das performances mais icônicas da natação brasileira completou 40 anos. Neste dia em 1980, Djan Madruga estabelecia uma marca histórica no Campeonato Americano em Austin, no Texas. Preparando-se para os Jogos Olímpicos de Moscou, que aconteceriam quatro meses depois, o nadador venceu a final dos 800m livre com um tempo impressionante: 7min59s85.

A marca foi histórica por vários fatores. Primeiro porque com esta marca Djan tornava-se o primeiro nadador sul-americano a completar a distância abaixo dos 8 minutos. Segundo porque cravava um novo recorde nacional e continental. E terceiro, porque o tempo era nada mais, nada menos do que a segunda melhor performance de todos os tempos, atrás apenas do recorde mundial de Vladimir Salnikov que era de 7min56s49. (Assista abaixo ao recorde da prova).

Djan brilhou nesta competição em Austin tendo estabelecido outros dois recordes sul-americanos nos 400m livre com 3min53s91 e nos 400m medley com 4min25s30. Era um sinal do que estaria por vir nos próximos meses nos Jogos de Moscou. Na Rússia, além do bronze com o 4x200m livre (como ele contou na live da SWIM CHANNEL esta semana) ele ainda foi quarto colocado nos 400m livre e quinto nos 400m medley.

Com o passar dos anos, sua marca tornava-se imbatível. Gerações de talentosos fundistas tentaram em vão superá-la. Marcelo Jucá, Cristiano Michelena, David Castro, Luiz Lima, Alexandre Angelotti, Bruno Bonfim. Todos tentavam e não conseguiam bater aquele 7min59s85 que continuavam lá. Intactos.

Até que veio a era dos trajes tecnológicos. No dia 9 de maio de 2009, durante a final dos 800m livre no Troféu Maria Lenk, coube a Luiz Rogério Arapiraca superar a marca de Djan. O baiano venceu a prova em 7min58s2o e colocou um ponto final no recorde que permanecia de pé há 29 anos. E o dia ainda foi de festa para Conrado Chede, vice-campeão e que também rompeu os 8 minutos com 7min59s98.

Luiz Rogério Arapiraca quando bateu o recorde em 2009 – Foto: Satiro Sodré/SSPress

Após a final Djan resolveu lançar um desafio. Ele propôs que quando o primeiro nadador que conseguisse nadar abaixo do seu tempo usando apenas sunga ele daria uma premiação de US$ 5 mil e até hoje ninguém conseguiu fazer esse tempo nas regras de Djan.

A marca de Djan foi tão forte que até hoje ele é o oitavo nadador brasileiro mais rápido na história da prova. Após o feito de Arapiraca, foi preciso esperar mais de cinco anos para que outro brasileiro voltasse a nadar abaixo do antigo recorde de Djan. Na final do Campeonato Sul-Americano de Mar del Plata em outubro de 2014, Miguel Valente nadou para 7min59s47.

Agora fica a pergunta: imagine qual seria o tempo de Djan Madruga nos dias de hoje com cada vez mais inovações técnicas e tecnológicas na natação?

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800m livre Djan Madruga Luiz Rogério Arapiraca natacao recorde sul-americano

Guilherme Freitas

Jornalista sênior da SWIM CHANNEL.

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