5 razões pelas quais você não pode perder o Mundial de curta

05/12/2016

Facebook Twitter

Vista do Centro Aquático Internacional de Windsor – Foto: Divulgação

Começa amanhã, 6 de dezembro, a 13ª edição do Campeonato Mundial em piscina de 25 metros, a chamada piscina curta, em Windsor, no Canadá. Na alternância estabelecida pela FINA de mundiais em piscina longa em anos ímpares e mundiais de piscina curta em anos pares, chegamos à edição que fecha o ano olímpico – ou, se preferir, a que inaugura o ciclo olímpico rumo a Tóquio-2020. E é assim que os nadadores presentes irão encarar o campeonato.

Certamente não será o mais forte Mundial de todos os tempos, e a ausência de estrelas é até praxe em um Mundial de curta pós-olímpico. Mas isso não significa que não veremos grandes nomes. Pelo contrário. E tenham certeza que os que estarão lá darão seu melhor, mesmo sabendo que o mais vale é piscina de 50 metros. Esperem grandes provas, fortes tempos e até recordes mundiais. O Brasil vai com uma equipe enxuta, de 13 nadadores, e pode brigar por medalhas. Não se interessou? Veja abaixo uma lista dos cinco motivos pelos quais você não pode deixar de acompanhar o Mundial de curta desse ano.

1. Transmissão ao vivo em horário nobre

O Brasil tem o privilégio de ter a grande maioria das principais competições internacionais televisionada – Olimpíadas, Mundiais, Pan-Pacífico, Copa do Mundo… isso sem contar os campeonatos domésticos. E não será diferente dessa vez. o SporTV irá transmitir eliminatórias e finais, a partir de amanhã. E o horário dessa vez ajuda. O fuso horário de Windsor fará com que as finais sejam transmitidas a partir das 21:30 no horário de Brasília.

2. Medalhistas olímpicos

Não vamos mentir que um Mundial de curta em ano olímpico é um tanto esvaziado. Mesmo assim, por diversos motivos – seja para se manterem em ritmo de competição, seja por causa dos generosos prêmios em dinheiro, ou simplesmente em busca da glória -, estrelas não faltarão. Serão dez campeões olímpicos presentes: Oussama Mellouli (Tunísia), Federica Pellegrini (Itália), Cameron van der Burgh (África do Sul), Ranomi Kromowidjojo (Holanda), Chad le Clos (África do Sul), Katinka Hosszu (Hungria), Lilly King (Estados Unidos), Mireia Belmonte (Espanha), Sharon van Rouwendall (Holanda) e Gregorio Paltrinieri (Itália), sendo os últimos cinco consagrados nos Jogos do Rio de Janeiro. Vários outros medalhistas olímpicos também marcarão presença, muitos deles ausentes no circuito da Copa do Mundo, realizado entre os meses de agosto e outubro. Será interessante avaliar como retornarão após o grande evento do ano.

Mireia Belmonte vai se arriscar nas águas abertas - Foto: João Marc Bosch

Mireia Belmonte – Foto: João Marc Bosch

3. Katinka Hosszu

Nos últimos anos, o nome da húngara Katinka Hosszu foi sinônimo de medalhas e recordes. Faltava a sonhada medalha olímpica, conquista que saiu esse ano com juros e correção monetária: três ouros e uma prata. Nem assim teve descanso: venceu pela quinta vez a Copa do Mundo em piscina curta, com números de vitórias, medalhas e provas nadadas impressionantes. E o objetivo é manter os números superlativos. Há dois anos, no Mundial de curta de Doha, saiu oito medalhas individuais (quatro ouros, três pratas e um bronze), recorde na história da competição. Dessa vez, está balizada em 12 provas. Dificilmente nadará todas, e ela sabe que Mundial é diferente de Copa do Mundo. Mas chegou a um nível em que consegue administrar o cansaço e se poupar para suas próximas provas mantendo excelência. Em dez provas está balizada com o primeiro ou o segundo tempo. É favorita no costas e no medley, suas prioridades. É forte candidata em provas de meio fundo de livre e borboleta. Terá o desafio de gente como Mireia Belmonte, Federica Pelllegrini, Boglarka Kapas (sua compatriota medalhista olímpica nos 800m livre) e outras, algo que não ocorreu na Copa do Mundo. Mas apostamos em um desempenho ainda melhor que o de 2014. A dama é mais de ferro do que nunca.

4. Brasileiros

O Brasil não igualará a campanha história de 2014, em que foi campeão no quadro de medalhas com dez medalhas, sendo sete de ouro. Até pela equipe reduzida, de somente 13 atletas, devido a restrições financeiras da CBDA. Mas o país tem tradição na competição, e das sete últimas edições não trouxe medalhas em somente uma. Dessa vez, alguns atletas aparecem com boas chances com os resultados obtidos no Troféu José Finkel, em setembro. Thiago Simon está com o segundo tempo nos 200m peito, atrás somente do alemão recordista mundial da prova Marco Koch. Etiene Medeiros tem o terceiro tempo dos 50m costas e é a atual recordista mundial e defensora do título obtido em 2014. Felipe Lima tem a segunda marca nos 50m peito, atrás do sul-africano Cameron van der Burgh, e exibiu grande fase na Copa do Mundo, tendo vencido a prova em seis etapas no circuito. Esses são os que estão balizados entre os três primeiros. De olho em Felipe França, atual campeão mundial de curta nos 50m e 100m peito, em Nicholas Santos, que já foi campeão mundial nos 50m borboleta em 2012 e prata em 2014, em Brandonn Almeida, que após um Open espetacular chega com o sexto tempo nos 400m medley, e Manuella Lyrio, quinto tempo nos 200m livre. A equipe é pequena e conta com ausências de destaques olímpicos como Thiago Pereira, Bruno Fratus, Marcelo Chierighini e João Gomes Junior. Mas tem tudo para dar continuidade à tradição de bons resultados do país no campeonato.

Nicholas Santos (foto: Satiro Sodre/SSPress)

Nicholas Santos – Foto: Satiro Sodré/SSPress

5. Rivalidades

– Em 2014, Katinka Hosszu entrou com um programa de provas carregado, e logo no primeiro dia foi derrotada por Mireia Belmonte nos 200m borboleta e 400m medley. Apesar de se recuperar nas provas seguintes, Katinka tem até hoje aquelas derrotas engasgadas, e terá a chance de se vingar da espanhola.
– Nicholas Santos, por sua vez, tem um empate com Chad le Clos nos 50m borboleta: em 2012, venceu a prova e deixou o sul-africano com a prata, e em 2014 as posições se inverteram. O tira-teima será interessante.
– Outro que tem uma rivalidade com le Clos é o japonês Daiya Seto, que em 2014 foi derrotado por muito pouco nos 200m borboleta e esse ano chegou a derrotar o rival na Copa do Mundo.
– Recentemente Katinka Hosszu conseguiu “unificar” os recordes nacionais húngaros em piscina curta: ela é simplesmente a recordista de todas as provas individuais. É um incentivo e tanto para sua compatriota Boglarka Kapas, atual medalhista de bronze olímpica nos 800m livre. Em piscina longa ela é a melhor do país e uma das melhores do mundo, mas na curta conseguirá tirar a Dama de Ferro do trono?
– A jamaicana Alia Atkinson, após não nadar bem na Olimpíada, voltou com tudo na Copa do Mundo, com dois recordes mundiais nos 50m e 100m peito. É a favorita em suas provas, mas terá um desafio que não teve no circuito: a americana Lilly King, simplesmente a campeã olímpica dos 100m peito. King nada muito bem em piscina de 25 jardas nas competições universitárias americanas, ou seja, tem explosão e força nas viradas, características essenciais para piscina curta.

Por Daniel Takata

Tags

Campeonato Mundial Fina Mundial de piscina curta natacao Windsor-2016