Roma

A ‘carroceira’ de Kazan: as três cores de Ana

01/08/2015

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Ela faz o que ela ama. Entre as colegas de profissão, é vista como a “carroceira”. Não à toa, já que Ana Marcela Cunha encara 200km de treinos por semana, se necessário. É tudo uma questão de nadar com prazer, de estar satisfeita e saber os objetivos que quer alcançar. A determinação que um atleta de ponta tem para encarar seus desafios e conquistar seus objetivos é algo que salta aos olhos quando se ouve seu discurso.

Após a prova dos 5km por equipes, a baiana voltou para a piscina, para mais uma longa metragem com direito a pára-quedas no treino. Puxado demais? Seu técnico Fernando Possenti acha necessário, e sabe que a atleta tem consciência da importância disso em sua preparação. “Cada um tem um objetivo. Se você quer concretizá-lo, não dá para ficar reclamando. Se gosta do que faz, reclamar não entra no vocabulário”, disse Ana Marcela, após o ouro nos 25km no Mundial de Esportes Aquáticos em Kazan, na Rússia. Sorrindo, como sempre, diante de mais uma conquista que carregou com a leveza de quem gosta é do desafio. “O fim de prova é tirar de onde a gente acha que não tem mais e ir atrás do sonho. Faço o que gosto e com sorriso no rosto, porque se fizer com mau humor, não sai bem feito. Muitas vezes a pessoa nasce pra fazer isso, eu acho que nasci com esse dom.”

Os 25km do último dia disputados no rio Kazanka foram completados por Ana Marcela em 5h13m47s3, 26 segundos à frente da segunda colocada, a húngara Anna Olsz. Com o ouro, ela se torna a maior medalhista brasileira em Mundiais, com sete pódios (três nesta edição, dois na de 2013, um em Xangai-2011, e outro no Mundial de Águas Abertas de 2010, antes da unificação com o Mundial de Esportes Aquáticos do ano seguinte). Um feito que nem ela mesma sabia que tinha atingido.

 

Ana Marcela Cunha - Foto: Satiro Sodre/SSPress

Ana Marcela Cunha – Foto: Satiro Sodre/SSPress

 

São mais de 5h dentro d’água, controlados na técnica, na força, e na estratégia. Possenti sabe que tem uma atleta privilegiada pela força, mas aponta outros aspectos para sua evolução nos últimos anos: “Em 2011, quando ela venceu em Xangai (ouro nos 25km), sua técnica era muito diferente. Ela girava o braço demais e pegava pouca água. Hoje tem o nado mais encaixado, melhor aproveitado. E o final de prova dela não tem igual. Hoje, entre suas adversárias, não tem. Por conta da força. Ela disparou nos últimos 2km dessa prova de 25 e deixou a húngara para trás por causa da sua força. Resistência é a primeira coisa que um atleta consegue, mas velocidade e força, não necessariamente”.

Se Ana não venceu os 10km, méritos das rivais que usaram uma estratégia melhor. Trocaram o ponto de hidratação durante o percurso, “despistaram” a rival brasileira, que acabou perdendo as duas de vista. A própria reconheceu: deixou elas escaparem sem querer. “A prova dos 10km foi bem feira, mas eu saí dos 5km por equipes mais cansada que nos 10. Faltou um pouco ali ainda, não percebi as meninas abrirem e, quando acabou, eu ainda tinha gás. Foi inteligência delas, uma boa estratégia”. No papel, dava para vencer. Uma certeza que têm Ana Marcela e Possenti.

Tem ainda muito chão pela frente. O treinador dará férias para a atleta nos próximos dias, mesmo com a Copa do Mundo de Águas Abertas em vista. “Se ela não descansar agora, não vai poder fazê-lo até as Olimpíadas. Agora é a hora”. Foco total na prova, novas estratégias, nadar em seu ambiente. A Praia de Copacabana espera pela turbinada e motivada dupla feminina brasileira em 2016.

Por Mayra Siqueira

A equipe Swim Channel no Mundial de Kazan é patrocinada pela Finis, a melhor tecnologia para natação.

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Águas abertas Ana Marcela Cunha Campeonato Mundial Kazan-2015