A crise da Venezuela e a natação – parte 2

País enfrenta uma dura crise política, social e econômica que respinga também no esporte; veja aqui um pouco da história da natação venezuelana

29/01/2019 - Guilherme Freitas

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Ontem mostramos aqui um pouco da história da natação venezuelana. Destacamos os feitos da dupla Rafael Vidal e Alberto Mestre na década de 1980 e de Francisco Sánchez e Ricardo Monastério nos anos 1990 e início dos anos 2000. Os quatro atletas conquistaram resultados expressivos para ao esporte do país e tornaram-se ídolos de uma geração que viria a elevar o status da natação da Venezuela, não só na América do Sul, mas também em todo o continente americano.

O caminho pavimentado pelos ídolos do passado foi trilhado por uma nova e talentosa geração. Sempre tidos como terceira força na América do Sul, os venezuelanos passaram a ser os segundos do continente entre as décadas de 2000 e 2010. E Albert Subirats é sem dúvida o maior nome desta geração. Com quatro participações olímpicas e dezenas medalhas em eventos internacionais, é até hoje o único venezuelano medalhista em um Campeonato Mundial de piscina longa. Foi nos 100m borboleta em Melbourne-2007 quando foi superado apenas por Michael Phelps e Ian Crocker, os dois maiores nadadores da história da prova. Na semifinal do Mundial de Roma-2009 ele cravou o recorde sul-americano na prova que persiste até hoje: 50s65 (assista aqui).

Albert Subirats – Foto: Associated Press Photo

Outro nome de destaque no período foi Cristian Quintero. Com duas participações em Jogos Olímpicos, ele é especialistas nas provas de 200m e 400m livre tendo inclusive chegada a semifinal dos 200m livre no Rio-2016. Soma-se a este currículo duas medalhas nos Jogos Olímpicos da Juventude em Cingapura-2010, três pódios em Pan-Americanos e uma final de Mundial de curta. Também nesta época outros nadadores como Crox Acuña, Octavio Alesi e Daniele Tirabassi tiveram bons resultados a nível internacional.

Mas não foi apenas os homens que tiveram resultados expressivos. Neste período surgiram para o mundo duas ótimas nadadoras venezuelanas que brilharam em piscinas pelo mundo: Andreina Pinto e Arlene Semeco. Andreina foi por muito tempo a melhor atleta dos 200m, 400m e 800m livre do continente estabelecendo vários recordes sul-americanos. Já Arlene foi campeã nos 50m e 100m livre no Pan-Americano do Rio-2007 e semifinalista olímpica em Pequim-2008. Uma curiosidade é que todos estes nomes citados passaram pela natação universitária americana, onde se projetaram e encontraram uma estrutura que não tinham em seu país natal.

Andreina Pinto – Foto: Reprodução

Durante muitos anos a economia venezuelana experimentou períodos de crescimento graças a produção e ao preço do barril de petróleo, substância da qual é um dos maiores exportadores do mundo. Porém, nesta década o país sul-americano sofre com diversos problemas econômicos, sociais e políticos. Com a morte de Hugo Chávez em 2013 e a desaceleração econômica, o país entrou em crise que se acentuou nos últimos anos sob o governo de Nicolas Maduro. E a crise também afetou a natação do país que teve menos investimentos do governo e perdeu o status de segunda maior da América do Sul para a Argentina.

Mesmo com todos esses problemas afetando o país, a natação venezuelana tenta retomar os bons tempos recentes. Uma geração de nomes promissores como Alberto Mestre Junior, Rafael Davila e Carlos Claverie (todos já recordistas nacionais) vem surgindo e ao lado de nomes mais rodados como Cristian Quintero e Andreina Pinto buscarão continuar escrevendo a bela história da natação da Venezuela na próximas competições internacionais.

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Guilherme Freitas

Jornalista sênior da SWIM CHANNEL.

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