“A natação é um esporte para vida toda”

06/10/2017

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Com certeza em algum momento alguém já deve ter tido ou ouvido essa afirmação. De fato, a natação é uma modalidade única podendo ser praticada e ensinada tanto para bebês, quanto para idosos. Prova disso são os atletas masters que muitas vezes passaram boa parte da vida contando azulejos em indas e vindas na piscina. Um exemplo desses casos é o de Sérgio de Salvo. Ele tem 61 anos de idade e desde os sete pratica a modalidade. Hoje com mais de meia-década de braçadas e pernadas, coleciona títulos estaduais, nacionais e mundiais ao longo de sua carreira.

Nascido em 1956 na cidade de Limeira Sérgio teve uma carreira de bons resultados nas décadas de 60 e 70, tendo sido campeão paulista e brasileiro nas categorias infantil e juvenil. Em 1971, quando defendia o Corinthians, teve a oportunidade de disputar a primeira edição do Troféu José Finkel em Curitiba. Desde 1985 ele nada competições master e ainda nos anos 80 fundou ao lado de amigos a equipe Master de Limeira que em pouco tempo reuniu cerca de 200 atletas na cidade do interior paulista. Inclusive em 2008 ele foi homenageado num festival master e o troféu recebeu o seu nome.

Na natação master ele continuou obtendo bons resultados. Em 1986 esteve presente na primeira edição do Campeonato Mundial Master que aconteceu em Tóquio, no Japão. Ao lado dos amigos Rodrigo Laborne Matiolli, Mario Alberto Martins e Rômulo Arantes integrou o time brasileiro do revezamento 4x50m livre que foi vice-campeão mundial e ainda ganhou um bronze individual nos 100m peito na categoria 30-34 anos. Uma estreia e tanto para um nadador que teve a honra de nadar ao lado de Rômulo Arantes, primeiro brasileiro a ser medalhista em um Mundial de Esportes Aquáticos da Fina.

Sérgio no evento em que foi homenageado com seu nome no troféu - Foto: Arquivo pessoal

Sérgio no evento em que foi homenageado com seu nome no troféu – Foto: Arquivo pessoal

“A expectativa antes do campeonato foi muito grande, já que era a minha primeira viagem e competição internacional. Me lembro que foram 64 horas de viagem, logicamente contando as várias escalas. De voo foram 32 horas. Foi uma loucura, mas deu tudo certo. Neste campeonato fui companheiro de equipe de revezamento dos saudosos nadadores: Rômulo Arantes e Rodrigo Laborne Matiolli. Me recordo que constantemente ficávamos perdidos na cidade de Tóquio, já que na época não tinha placas escritas em inglês e apenas os mais jovens falavam inglês. Sem dúvida, fiquei muito satisfeito com os resultados obtidos no Japão. Recebia muitas orientações técnicas do Rômulo também”, relembra Sérgio.

Desde então Sergio já esteve presente em diversos campeonatos internacionais masters entre Mundiais e Pan-Americanos, além de competir em provas de águas abertas. Ao longo de sua vida de nadador trabalhou com diversos técnicos e recentemente participou do Mundial Master de Budapeste, onde terminou entre os dez primeiros nas três provas que nadou na categoria 60-64 anos: 100m peito, 400m medley e 800m nado livre. Além do grande número de participantes (quase 15 mil) outra coisa chamou a atenção de Sérgio: o altíssimo nível técnico.

O nível do Mundial foi muito mais forte em relação ao anterior de Kazan. Para se ter uma ideia, com o tempo que fiz nos 800m livre em Budapeste, disputaria o ouro ou a prata em 2015. Entretanto fiquei com em oitavo lugar na Hungria. Deu para perceber que a maioria dos medalhistas teve um passado olímpico e não parou de praticar natação. Outro detalhe observado era o vigor físico de muitos atletas, que evidenciava o uso de substâncias não permitidas pela FINA. Seria interessante nos próximos campeonatos fazer alguns exames antidoping por amostragens”, diz Sérgio sobre um dos males do esporte atual.

Sérgio durante o Mundial de Budapeste - Foto: Arquivo pessoal

Sérgio durante o Mundial de Budapeste – Foto: Arquivo pessoal

Histórias de vida como esta do Sérgio existem aos montes no mundo da natação. São pessoas que apreenderam a nadar cedo, foram atletas de alto rendimento e hoje continuam a praticá-lo seja por indicação médica, qualidade de vida, lazer ou simplesmente amor ao esporte. Uma prova que só reforça o título deste texto: “A natação é um esporte para vida toda”.

Por Guilherme Freitas

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