A nova técnica de chegada de Michael Phelps

30/01/2016

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No GP de Austin, há duas semanas, Michael Phelps apresentou uma inovação em suas chegadas nas provas de livre e medley.

Vejam o vídeo abaixo dos 200m medley, em que ele travou uma batalha acirrada com Ryan Lochte. Ao final da prova, nos últimos cinco metros, realmente tem-se a impressão de que ele faz algo que lhe dá mais velocidade e abre uma pequena distância de seu rival.

Assistam e tentem identificar o artifício que ele utilizou.

Pelo ângulo da filmagem, pode não ser fácil visualizar. O fato é que ele se utilizou de uma técnica rara, mas não nova: o nado de crawl com pernada de borboleta.

Depois da prova, ao ser perguntado, primeiro ele brincou: “Ah, o que eu fiz nos últimos dez metros? Essa foi a terceira prova que fiz isso, e finalmente vocês perceberam!” Depois explicou: “Se você assistir ao vídeo dos 100m livre na Olimpíada de 2000, verá que Michael Klim fez isso, e ele era muito bom nisso. Percebi que é uma coisa boa usar seus pontos fortes, e espero aperfeiçoar isso. É desafiador porque você não pode respirar nos últimos metros. Então quanto mais eu trabalhar nisso, espero que esteja bem aperfeiçoado quando chegar a Omaha (referindo-se à seletiva olímpica americana, em julho).”

Realmente o australiano Michael Klim foi o mais conhecido nadador a utilizar a técnica e chegou a bater o recorde mundial dessa maneira na abertura do revezamento 4x100m livre na Olimpíada de 2000. No entanto, na final dos 100m livre na mesma Olimpíada, o que se viu foi que ele perdeu terreno nos últimos metros e terminou fora do pódio, passando a impressão de que a técnica é ineficiente, quando na verdade ele apenas não conseguiu implementá-la adequadamente naquela ocasião.

Assista ao vídeo abaixo da seletiva olímpica australiana de 2000, e notem a câmera subaquática a partir de 4min39s de vídeo.

O vídeo abaixo, narrado pelo ex-recordista mundial e medalhista olímpico Gary Hall (pai de Gary Hall Jr), dá uma introdução de como a técnica deve ser treinada, deixando clara a necessidade de uma grande coordenação, aumento da frequência de nado e desejável uso da recuperação reta de braços. Demonstram a técnica Lexie Kelly, nadadora americana de águas abertas, e Junya Koga, japonês campeão mundial dos 100m costas em 2009.

No passado Phelps se utilizou de técnicas já existentes e as elevou a um nível jamais visto antes, como as ondulações submersas após viradas em provas de livre. Será interessante ver o que ele poderá tirar de sua mais nova aquisição. E dessa forma o maior nadador de todos os tempos poderá continuar nos surpreendendo.

Por Daniel Takata

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