A salvação da ânsia por um “prodígio” americano

03/08/2015

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“… But no world record” foi parte do relato de boa parte da imprensa norte-americana sobre a vitória já esperada de Katie Ledecky nos 400m livre, primeiro ouro dos Estados Unidos no Mundial de Esportes Aquáticos, em Kazan, na Rússia. A pressão faz parte de cada passo que dá a atleta prodígio de 18 anos, e, em boa parte, por culpa da carência por um novo herói aquático americano.

Se esteve acostumado com um histórico de glórias e conquistas quase imbatíveis a nível mundial, hoje o time dos Estados Unidos se depara com uma geração menos laureada e – pior de tudo – menos temida pelos adversários. O peso cai nas costas de atletas constantes e de extremo talento, como Missy Franklin e a própria Ledecky.

Após nadar os 400m livre para 3min59s13, 76 centésimos acima do seu próprio recorde batido no Pan Pacífico do ano passado, ela foi bombardeada por questionamentos na zona mista do evento por parte dos jornalistas americanos: você ficou chateada de não ter batido o recorde mundial? Na passagem dos 200m, ela já nadava um segundo mais rápido do que sua parcial em Gold Coast. Após a quarta questão envolvendo a marca que deixou de alcançar, em detrimento de perguntas sobre seu quinto título mundial, a atleta mudou um pouco o tom. “Pode ter decepcionado vocês, mas não a mim. É algo para se ter paciência, eu respeito o processo. Não vai me incomodar, eu só quero nadar o meu melhor a cada prova. Eu me orgulho da minha consistência nos 400m, é algo para orgulho”. E não decepção, cara Katie.

Desde o fim da era dos trajes, Ledecky é a primeira mulher a quebrar a barreira dos 4 minutos na prova, e já o fez em três ocasiões. Para o mundo, ela surgiu como uma surpresa ao levar o ouro olímpico nos 800m livre em Londres, sua primeira medalha de relevância internacional, aos 15 anos.

 

O fenômeno Katie Ledecky - Foto: Streeter Lecka/Getty Images

O fenômeno Katie Ledecky – Foto: Streeter Lecka/Getty Images

 

Se isso incomodou de verdade a americana ou não, a verdade é que ela fez, enfim, o que se esperava dela: mais um recorde mundial para o currículo – o oitavo da carreira. Na segunda-feira, nas eliminatórias dos 1500m livre, ela manteve um ritmo na casa de 1m02s a cada 100m, abrindo para 59s09 e fechando com 1m00s20: 15m27s71, 65 centésimos abaixo do anterior, obtido também no Pan Pacífico. “Foi provavelmente uma das minhas maiores quebras de recorde, eu estava muito calma e relaxada”, ela disse após a prova.

Para a final dos 1500m, na tarde de terça-feira, ela terá ainda as semifinais dos 200m livre, e um curto espaço para descanso entre as provas. Um desafio que não parece tão difícil para quem quer fazer história e se tornar vencedora das quatro provas de maiores distâncias do estilo livre.

Ledecky é um alento diante da competição que faz a equipe que mais levou medalhas em Barcelona-2013 (29 no total, sendo 13 de ouro). Em Kazan, apenas uma final na segunda etapa com presença americana, além da eliminação quase inexplicável do time 4x100m livre masculino no revezamento da estreia. Por isso, por seus colegas e público, que ela bata novos recordes e continue a fazer história na Rússia.

“Eu entendi que não vou bater um recorde mundial cada vez que cair na piscina. Mas eu quero estar muito próxima disso em todas as vezes”.

Por Mayra Siqueira

A equipe Swim Channel no Mundial de Kazan é patrocinada pela Finis, a melhor tecnologia para natação.

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