A volta de Brent Hayden: de olho em Tóquio

Medalhista olímpico em Londres-2012, canadense falou sobre sua volta à natação competitiva e seus treinos durante a pandemia

20/08/2020 - Katarine Monteiro

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Brent Hayden - Foto: Reprodução
Brent Hayden - Foto: Reprodução

Brent Hayden - Foto: Reprodução

Brent Hayden - Foto: Reprodução

O canadense Brent Hayden voltou a nadar de olho nos Jogos Olímpicos de Tóquio. O medalhista de bronze nos 100m livre nos Jogos de Londres-2012 concedeu uma longa entrevista a conceituada revista Swimming World sobre o retorno aos treinos e sua adaptação em meio à pandemia do COVID-19.

Com o distanciamento social em pleno vigor na Columbia Britânica, Hayden foi em busca de uma maneira de ficar em forma. Primeiro, nadou na piscina da casa de seus pais com uma corda elástica e usando óculos de proteção para medir seu ritmo e distância. Depois se rendeu aos treinos em águas abertas no Lago Sasamat.

“É diferente quando você não está confinado entre duas paredes e duas cordas. Você está no meio do lago e pensa, ‘poderia simplesmente nadar onde eu quiser, talvez vá para aquele ponto ou para esta ponte ali ‘. Foi meio libertador de certa forma. Estou muito feliz por ter tido a oportunidade de experimentar isso”, comentou o nadador.

Brent Hayden – Foto: Swimming Canada

Hayden passou os meses de março e abril treinando em casa. No último mês, voltou à água em condições semirregulares no High Performance Center da University of British Columbia. O velocista planeja conseguir o índice olímpico para os 50m livre e tentar uma vaga no revezamento canadense do 4x100m livre.

“Só estou pensando em quão rápido consigo chegar em seis meses. Estou animado pensando no que poderei realizar no próximo ano. Mesmo estando mais velho, ainda sinto que estou ficando mais forte”, disse Hayden que se aposentou das piscinas após conquistar o bronze olímpico nos 100m livre em Londres-2012.

Durante o período em que ficou parado, ele comentou que podia contar na mão o número de vezes que nadou mais de 200 metros entre 2012 a 2019. Hayden retornou aos treinos em meados do ano passado e esta pronto para buscar uma vaga em Tóquio. “Fico animado para ver o que mais posso fazer e acredito que tenho um sub 21s dentro de mim”, disse.

Brent Hayden – Foto: Reprodução

O cinco vezes medalhista em Mundiais, incluindo o ouro em Melbourne-2007 nos 100m livre, Hayden foi um dos velocistas mais veteranos em Londres-2012. Naquele Jogos inclusive, ele foi o primeiro canadense a chegar à final d prova desde Dick Pound em Roma-1960. Com dores nas costas e princípio de depressão, declarou sua aposentadoria antes da Cerimônia de Encerramento.

Só depois de passar um tempo com a família e sua esposa é que a ideia de voltar para as piscinas apareceu. Ainda incerto, Hayden procurou alguns amigos que nadavam, para ter uma confirmação e confiança. De Anthony Ervin, que no Rio-2016 se tornou o mais velho medalhista olímpica nos 50m livres aos 35 anos, recebeu incentivo e um convite para nadar em Ontário.

Já do brasileiro Bruno Fratus, recebeu uma mensagem motivacional. “Ele disse que me admirava quando era uma promessa. É uma sensação muito boa quando alguém que estou vendo como uma superstar agora fala que me admirou. Isso foi muito legal”, comentou.

Brent Hayden – Foto: Graham Hughes/Canadian Press

Antes que o mundo parasse devido ao coronavírus, Hayden estava fazendo seus melhores tempos. Aos 36 anos, enquanto treinava no Havaí no começo do ano, quebrou a barreira dos 20 segundos nas 50 jardas livre pela primeira vez. No início de março terminou em terceiro lugar no TYR Pro Swim Series em Des Moines, atrás apenas de Caeleb Dressel e Nathan Adrian.

“Você se sente como se fosse um nadador de uma faixa etária e atinge menos de 50 segundos pela primeira vez nos 100m livre.  Isso é definitivamente um marco para mim e também me deixa muito animado, porque fui capaz de fazer isso com apenas seis meses de treinamento e sete anos de aposentadoria”, disse depois da competição.

 

“Se eu fosse sair da aposentadoria, deveria haver um motivo. E eu acho que deve haver uma alegria genuína durante o retorno. Ninguém quer ser forçado a sair da aposentadoria. Todos nós experimentamos nossos próprios níveis de sucesso. Michael com seu número X de medalhas e eu com a minha. Mas mesmo com a minha única medalha e as medalhas em Mundiais, não sinto que tenho nada a provar desta vez. Se eu sair da aposentadoria e tudo explodir, tudo bem”, comentou.

“É mais se apaixonar pelo esporte novamente e poder deixar o esporte em um lugar melhor do que quando saí. Qualquer um dos resultados que conseguir alcançar ao longo do caminho será apenas a cereja do bolo”, finaliza o velocista que enxerga os Jogos de Tóquio como a cereja deste bolo.

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Katarine Monteiro

Jornalista da SWIM CHANNEL.

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