A zebra que abriu o caminho: allez les Bleus!

02/08/2015

Facebook Twitter

Destaques para um evento como um Mundial de Esportes Aquáticos são difíceis de se escolher. Sempre há o recorde mundial, a desclassificação controversa, um desempenho incrível, e outros que deixam a desejar. Na estreia da natação em Kazan, é impossível não deixar o queixo cair alguns centímetros diante da única manchete possível: Estados Unidos e Austrália fora de uma final de Mundial no revezamento 4x100m livre. Se parar para pensar a última vez em que isso aconteceu, vai demorar um pouco para se lembrar. Nunca, desde o primeiro título americano em 1973, as duas seleções assistiram a prova das arquibancadas.

Um erro de estratégia, alguns atletas poupados, um pesado desfalque para os australianos sem James Magnussen, e China e Polônia agarraram as vagas que se abriram entre os oito melhores times do mundo no conjunto da prova.
O tempo de 3min16s01 foi o pior dos americanos desde o Mundial de 1998. Chocante pelas parciais individuais: Jimmy Feigner, constante na casa dos 48s, para 49s21; Anthony Ervin como âncora para 49s69, Matt Grevers com 48s67 e Conor Dwyer para 48s44. A 11ª colocação para eles, e 13º com os australianos (3m16s34).

Na final, foi o momento de crescimento dos franceses, que contaram com o reforço de Florent Manaudou, além de Fabien Gilot nadando para expressivos 47s08, e abocanharam o ouro. Um show de Vladimir Morozov, com a melhor marca individual da prova sendo o único a nadar abaixo dos 47s (46s95, com 21s71 na passagem), para liderar os donos da casa, apoiados pela torcida, à prata. E o bronze ficou para os italianos, recente pedra no sapato dos brasileiros, que não tiveram nenhum atleta abaixo de 48s. Um grupo regular, mas sem um destaque individual – e sem a presença de Cesar Cielo, que admitiu que a má fase o tirou da prova.

Os atletas do Brasil se incomodaram bastante em perder o pódio, e todos reconheceram que era possível melhorar um pouco de cada parcial. João de Lucca (que fechou para 48s40), salientou a união e conexão do time, e foi apoiado pelos colegas. Bruno Fratus (48s05) foi sincero: “Não vou mentir, não estou feliz com o quarto lugar. Acho que o tempo de 3m13s está aquém da nossa capacidade, podemos nadar bem rápido que isso. Mas estou animado com o que está pra vir. Estou orgulhosos de como eles competiram, parecemos quatro irmãos nadando juntos, tomando porrada juntos, celebrando juntos”.

 

O revezamento 4x100 m livre - Foto: Satiro Sodre/SSPress

O revezamento 4×100 m livre – Foto: Satiro Sodre/SSPress

 

“A gente está chateado porque foi muito próximo da medalha, está ali, a gente quase consegue sentir, pegar. Dói no coração. Mas foi um passo a mais. A maior competição das nossas vidas será no Rio, e quarto lugar no Mundial não é pouca coisa. Estamos no caminho certo, mas não adianta melhorar e não chegar lá e fazer”, complementou Marcelo Chierighini (48s54, abrindo o revezamento). O caçula Matheus Santana (48s20) foi além: “o time tem qualidade pra nadar pra 47s, não é fácil, temos que estar 100% afinados na troca, da melhor forma possível. Mas com essa união e empenho que temos tido, vai ficar fácil”.

Cesar Cielo não fez falta. Ao menos nas próprias palavras do nadador, ele não teria muito o que acrescentar na situação. Sofre com um problema no ombro, uma lesão revelada apenas neste domingo pelo atleta, além de uma grande dificuldade para encaixar a velocidade. Preocupa para os seus 50m borboleta, prova na qual se classificou raspando, com o último tempo da final. Ser tricampeão, ele descarta. O discurso e Cesão foca no bronze. E, ainda assim, há muito o que trabalhar.

 

As isoladas mulheres donas do mundo

Katie Ledecky, a quatro segundos da vice-campeã da prova, nada como se estivesse sozinha na piscina: o primeiro ouro (e recorde de campeonato) veio nos 400m livre, com 3m59s13. Mesmo cansando no final de prova. A Dama de Ferro, Katinka Hosszu, segue sua fama de superar as adversárias em diversas provas, de forma incansável: recorde europeu batido duas vezes nos 200m medley. E Sarah Sjostrom, único recorde mundial da etapa, nos 100m borboleta, aparece tão isolada que não precisa se preocupar em nada além de superar sua própria marca na final de segunda-feira. Por enquanto, impressionantes e imbatíveis 55s74.

E apenas para selar o dia de conquistas expressivas femininas, Bronte Campbell, no revezamento campeão da Austrália, emplacou 51s77. Marca que fala por si só.

Por Mayra Siqueira

A equipe Swim Channel no Mundial de Kazan é patrocinada pela Finis, a melhor tecnologia para natação.

Tags

4x100m livre Campeonato Mundial Florent Manaudou Katie Ledecky Kazan-2015 Sarah Sjostrom Sun Yang