Alan Viana é forçado adiar a Travessia do Canal da Mancha

Ultramaratonista brasileiro comenta sobre o período de preparação e como a pandemia afetou sua trajetória até umas das provas mais desafiadoras do mundo

22/05/2020 - Katarine Monteiro

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Alan Viana - Foto: Alcides Netto
Alan Viana - Foto: Alcides Netto

Alan Viana - Foto: Alcides Netto

Alan Viana - Foto: Alcides Netto

O ultramaratonista aquático Alan Viana confirmou nesta semana que não vai realizar a Travessia do Canal da Mancha neste ano. O atleta recebeu um e-mail na sexta-feira passada (15) da Channel Swimming Association, organizadora da prova, confirmando o cancelamento da prova por conta do COVID-19.

O atleta, que realizaria a travessia em julho deste ano, recebeu o comunicado que falava que a CSA cancelou todas as provas programadas para junho e julho. A entidade deu a opção de entrar em uma lista de reserva para 2021 ou reagendar para 2022.

“Chorei muito. Era um sonho tão próximo de se realizar sendo adiado. Era a expectativa de milhares de pessoas que queriam me ver lá sendo quebrada. Era um trabalho de três anos com profissionais, patrocinadores e apoiadores sendo protelado. E como explicar tudo isso para centenas de apoiadores e amigos que contribuíram na minha campanha? Confesso que ainda estou assimilando tudo isso, não sei por qual caminho seguir, mas acredito muito em Deus e sei que nada é por acaso na minha vida. Tudo tem a sua hora”, comentou Alan.

Alan Viana conta com o apoio da Mormaii – Foto: Reprodução

“De um ano para cá minha vida vem sendo de muita mudanças, tanto no lado pessoal, quando no profissional, que fez com que em certo momento eu perdesse o foco e dedicação que estava tendo nos últimos tempos. Decidi então que nesse primeiro semestre eu não competiria em prova alguma e focaria totalmente na base de treinamentos”, disse.

O atleta disse que no início do ano foi difícil reencontrar o foco. Mas no final fevereiro já tinha conseguindo aumentar os volumes de treinos e ter a cabeça boa para enfrentar horas dentro da água. Foi quando a crise do coronavírus se instalou e no momento que ele mais precisava, tudo virou incerteza. “Do dia para a noite, fiquei impossibilitado de trabalhar, pois tudo começou a fechar e a travar meus negócios. As academias em que eu treinava foram obrigadas a fechar. Fiquei duas semanas fazendo exercícios apenas fora da água”.

“Quanto mais o Desafio veio se aproximando, mais as incertezas cresciam. Apenas nos orientavam a seguir treinando se possível. Minha campanha que vinha extremamente bem, brecou e assim me via fazendo as contas para arcar com os custos, de viagem, passagens, hospedagens, pois a libra disparou. Enfim, não bastasse as dificuldades normais para um projeto dessa magnitude, com a chegada do vírus elas se potencializaram”, disse.

O atleta que mora em Barra Bonita, interior de São Paulo, gerou grande expectativa pela travessia na cidade, o que fez com que algumas pessoas contribuíssem para a continuidades dos treinos, como a academia que treina.

“Foi uma briga mental muito grande a cada dia. Saber que teria que cair na água e girar por cerca de 3 horas em uma academia sem vida, sem pessoas, apenas com as luzes da piscina acessas, por todos estar em casa impossibilitados de viver, mexeu demais comigo. A sensação de estar fazendo tudo isso em vão, caso a travessia fosse cancelada, também é uma coisa muito difícil de se lidar”, disse.

Alan Viana – Foto: Alcides Neto

O ultramaratonista foi até seus 17 anos atleta do Projeto Futuro – Ricardo Prado. Voltou a nadar depois de 15 anos e duas cirurgias no ombro e mais uma no joelho. Alan começou sua caminhada há três anos e no final de 2017, quando completou a Maratona Aquática 14 Bis (24 km) decidiu se preparar para realizar uma das provas mais difíceis do mundo: a Travessia do Canal da Macha.

Para se preparar, ele realizou as maiores provas do Brasil como: Travessia da Ilha do Arvoredo (25 km) sem traje, o Amazon Challenge (30 km), foi recordista da Travessia do Leme ao Pontal (34 km), além de ter alcançado o primeiro lugar geral na Ultramaratona do Rio Itapanhaú (15 km) em 2018 e o vice-campeonato no Desafios Aquaman (15 km) em Capitólio (MG).

“Procuro sempre ver a coisa pelo lado positivo e sei que o melhor ainda está guardado e por vir. Aprendi nessa minha jornada o significado na prática da palavra RESILIÊNCIA. Gostaria de agradecer a todos que estiveram comigo até aqui. A SWIM CHANNEL por acompanhar toda a minha trajetória, aos meus patrocinadores: Mormaii Natação, Açaí da Barra, Speed Form. As academias que me abriram as portas para esse projeto: Academia Tito Coló e Academia Camilo & Turi e aos profissionais que me dão todo o suporte Glauco Rangel, Vamos Nutrir, Rafael Blazissa, Dr. Erico Faustino, Nátalia Di Muzio. E em especial as centenas de amigos que acreditam nos sonhos e que contribuíram para que esse projeto se tornasse realidade, comprando meus produtos no site e me ajudando nas despesas. Minha gratidão será eterna”.

Mesmo com todos estes obstáculos, Alan afirma que não pretendo desistir do sonho de cruzar o Canal da Mancha. “Continuarei minha campanha, pois tenho muitos compromissos com fornecedores, passagens, taxas, etc. Portanto para quem ainda pretende contribuir, não deixe de fazer, pois o sonho foi adiado, mas ele ainda não acabou. Por todos vocês é que chegarei na França mais forte no próximo ano. Seguimos em frente”, finalizou Alan.

Para acompanhar e colaborar com a campanha do nadador acesse:  alanviana.esp.br.

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Águas abertas Alan Viana Canal da Mancha COVID-19 Mormaii natacao

Katarine Monteiro

Jornalista da SWIM CHANNEL.

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