Ana Marcela Cunha é tricampeã mundial!

21/07/2017

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Ana Marcela Marcela segue se reinventando e fazendo história nas águas abertas. Hoje a cor de seus cabelos mudou de cor novamente. Depois do loiro descolorido e do rosa/roxo ela caiu na água do Lago Balaton hoje com os fios capilares em tons avermelhados. A medalha também mudou de cor. Depois de por no pescoço duas de bronze hoje a cor da medalha foi de ouro. E não foi um ouro comum, mais um dos que a nadadora já esta acostumada a receber nas provas de águas abertas que disputa. Hoje, dia 21 de julho de 2017, Ana Marcela entrou para o seleto grupo dos tricampeões mundiais.

Campeã em Xangai-2011 e bicampeã em Kazan-2015, Ana Marcela tentava em Balatonfüred alcançar o que nenhuma outra mulher havia feito em Campeonatos Mundiais de Esportes Aquáticos: ganhar três vezes uma prova de águas abertas. No caso, a de 25 km a mais longo do programa e a que a brasileira vem se saindo cada vez melhor. A nadadora conhece muito bem essa distância e hoje fez uma prova praticamente perfeita. Durante todo o percurso se manteve bem colocada e nadando no pelotão feminino dianteiro. Quando os homens chegaram em determinada parte da prova, haviam largado 15 minutos antes e vinham para dar uma volta nas mulheres, ela soube se colocar muito bem e tirar proveito da situação mantendo um bom ritmo de nado. Quando eles passaram sobraram apenas três nadadoras com reais chances de pódio: a brasileira, a italiana Arianna Bridi e a holandesa Sharon van Rouwendaal.

Ana Marcela durante os 25 km - Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Ana Marcela durante os 25 km – Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

As três então colocaram em prática suas estratégias e Ana Marcela optou por ficar atrás, marcando suas rivais para atacar no momento certo, que foi justamente na reta final quando emparelhou com as duas e ligou a turbina para como um míssil arrancando para a vitória. Após 5h21min58s4 de prova ela tocou no pórtico de chegada. Era tricampeã mundial nos 25 km, repetindo o feito de outro brasileiro: Cesar Cielo, que nas piscinas foi trimundial nos 50m livre. Se antes do Mundial estavam empatados no número de medalhas em Mundiais (seis a seis), agora ela abriu vantagem e o placar aponta nove a seis para a nadadora, com o velocista podendo só podendo se aproximar na semana que vem onde disputa duas provas em Budapeste. E foi justamente Cielo uma das inspirações de Ana Marcela.

“Quando entrei nesta prova pensei muito no Cesão (Cesar Cielo) porque ele era o único tricampeão mundial e queria muito igualar esse feito dele e me tornar trimundial. Foi emocionante e estou muito feliz”, disse ao Sportv Ana Marcela que intensificou nos últimos dois meses sua preparação para Budapeste-2017. “Eu treinei muito forte nas últimas oito semanas com foco maior nos 5 km. Depois da medalha fiquei mais confiante para os 10 km e novamente subi ao pódio. Hoje eu busquei ficar dentro da minha estratégia de prova e quando vi que restavam apenas eu mais duas adversárias lutando pela vitória me concentrei para chegar bem e deu certo”, revelou a atleta que também afirmou que as três medalhas no Lago Balaton servem como motivação para os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020.

Ana Marcela caminha para o pórtico de largada - Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Ana Marcela caminha para o pórtico de largada com seu futuro lugar no pódio lhe aguardando – Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Já o técnico de Ana Marcela, Fernando Possenti elogiou sua nadadora. “Ela fez direitinho a estratégia que traçamos e conseguiu se posicionar muito bem quando esteve nadando próximo ao pelotão dos homens e sabendo atacar as adversárias nos últimos 500 metros de prova”, revelou Possenti que disse que não há segredos no sucesso de Ana Marcela. “Sou fã do Murciy Ramalho e como ele diz, o segredo é trabalho. Ela não saiu uma vírgula do plano que tinha que fazer e tratou tudo com máxima seriedade. E trabalho que traz confiança, que traz resultado, que vira uma bola de neve positiva”, conta o técnico que disse que chegará ao Brasil a barba pintada numa cor a se escolhida por Ana Marcela como parte do trato entre eles.

O pódio ainda teve a holandesa Sharon van Rouwendaal com a prata e a italiana Arianna Bridi conquistando a medalha de bronze. Betina Lorscheitter foi a outra brasileira presente nos 25 km e chegou na 19ª colocação. Ana Marcela segue fazendo história. E pela motivação, disposição e ambição de melhorar cada vez mais tem tudo para continuar empilhando medalhas e colecionando títulos e recordes.

O técnico da nadadora Fernando Possenti - Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

O técnico da nadadora Fernando Possenti – Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Prova masculina

Entre os homens mais uma vez deu França. O país teve a melhor campanha neste Mundial conquistando seis medalhas nas sete provas disputadas, sendo quatro dessas medalhas na cor dourada. A última saiu hoje com Axel Reymond que superou os principais favoritos para mais uma vez fazer ecoar a Marselhesa no alto do pódio. O nadador chegou a última volta lutando pela vitória contra os italianos Simone Ruffini e Matteo Furlan e o russo Evgenii Drattcev. Dos quatro, Reymond era o único que jamais havia conquistado uma medalha em Mundiais e adotou uma estratégia diferente que no fim se revelou acertada.

Enquanto os demais iam por um trajeto mais aberto, o francês optou por se isolar do trio e fazer um percurso mais fechado. Desse jeito ele chegou colado a boia de contorno para a reta final e a frente dos adversários. Ai foi só apertar o ritmo e seguir em frente para vencer a prova masculina com o tempo 5h02min46s4. A luta pelas demais medalhas estava acirrada e Furlan conseguiu se desgarrar nos metros finais para ficar com a prata. Drattcev terminou na terceira colocação, mas antes acabou sendo atropelado por Ruffini e por pouco não foi prejudicado. Por este ato a arbitragem acabou dando uma bandeira vermelha (expulsão) ao italiano.

Nadadores se hidratam durante a prova - Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Nadadores se hidratam durante a prova – Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Dois brasileiros estiveram em ação no último evento do masculino no Lago Balaton. Allan do Carmo chegou a nadar entre os dez melhores colocados ao longo do percurso, porém, perdeu contato com o pelotão dos líderes já na parte final e chegou apenas na 13ª colocação, pouco mais de quatro minutos atrás do campeão Reymond com o tempo final de 5h06min55s7. Já Victor Colonese, que no início dos 25 km chegou a estar no top 10, ficou em 22º lugar com 5h27min14s2.

Por Guilherme Freitas

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