As curiosidades da maré do Rio Negro

Como as cheias e baixas do famoso rio amazônico influenciam na realização de uma prova de águas abertas?

30/09/2020 - Guilherme Freitas

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O encontro das águas - Foto: Reprodução
Vista área do belo Rio Negro - Foto: Alcides Netto

Vista área do belo Rio Negro - Foto: Alcides Netto

O encontro das águas - Foto: Reprodução

“Cada ano é uma prova diferente”. É assim que Pierre Gadelha, organizador do Rio Negro Challenge define como são as travessias realizadas nas aguas do famoso rio amazônico. A razão para afirmação de Gadelha não se deve apenas ao fato das disputas dentro d´água, mas principalmente devido as variações de maré que rio sofre a cada época do ano. Como o Rio Negro passa por cheias e secas ao longo de uma temporada isso se reflete na hora da competição.

Para simplificar a questão em uma forma prática: quanto mais alto estiver o rio, maior corrente o nadador irá encarar ao longo do percurso. E quanto mais baixo, menor corrente. Uma prova disso é o que ocorreu nas duas últimas edições da Travessia Almirante Tamandaré. Em 2018, Sharon van Rouwendaal e Ana Marcela Cunha percorreram a distância de 8,5 km em mais de duas horas tendo que encarar ao longo do percurso fortes correntes. Já no ano passado com o rio mais baixo, Ana Marcela venceu a prova com 1h56min.

Ponte do Rio Negro – Foto: Reprodução

A explicação para esses resultados se deve as cheias e baixas do Rio Negro. Em 2018 a prova aconteceu no dia 9 de dezembro e na semana daquele desafio o rio chegou a subir cerca de 1,15m. Isso dificultou as coisas para os atletas que tiveram que encarar uma forte correnteza. Já em 2019 a prova ocorreu em 8 de dezembro e na semana o rio havia subido apenas 70 centímetros na semana do evento. Isso deixou a prova com menos corrente e teoricamente, mas veloz.

Outro exemplo dessa variação de maré que podemos usar é a recente travessia de Vitor Gadelha nos 18 km do Amazon Challenge. O nadador realizou a ultramaratona na sexta-feira passada e concluiu a distância em 3h54min. Vitor teve a seu favor o fato do rio ter baixado bastante este mês. Até ontem, o Rio Negro já registrava 6,54m de baixa de acordo com o Porto de Manaus, nossa fonte utilizada para esta matéria (clique aqui para ver todas as estatísticas sobre as cheias e baixas do Rio Negro).

Nadadores em ação no Rio Negro – Foto: Reprodução

Esse período de baixas deve permanecer por mais algumas semanas, já que entre o final de outubro e começo de novembro o Rio negro começará a encher novamente. Uma curiosidade para os interessados em nadar no final do ano na etapa do Rio Negro Challenge, que tem inscrições abertas e vai acontecer nos dias 12 e 13 de dezembro. Aos interessados, a inscrição pode ser feita clicando aqui.

Com 1700 km de extensão e densas águas, o Rio Negro tem muitas curiosidades e fatores o que fazem ser um diferencial para a natação em águas abertas, como a questão da temperatura da água que pode variar ao longo percurso, sendo mais quente na superfície e mais gelada na parte submersa. Mas isso é assunto para uma futura matéria…

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Águas abertas Amazonas Manaus natacao Rio Negro Rio Negro Challenge

Guilherme Freitas

Jornalista sênior da SWIM CHANNEL.

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