Atleta nada o Canal Mancha pouco tempo depois de contrair a COVID-19

Chun Kong Mak de Hong Kong contou como conseguiu se recuperar a tempo de encarar o desafio de 36 km

22/09/2020 - Katarine Monteiro

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Chun Kong Mak - Foto: Reprodução
Chun Kong Mak - Foto: Reprodução

Chun Kong Mak - Foto: Reprodução

Chun Kong Mak - Foto: Reprodução

Chun Kong Mak, um nadador de 34 anos de Hong Kong, completou neste mês a famosa Travessia do Canal da Mancha depois de se recuperar da COVID-19, vírus que atinge o mundo todo. Em fevereiro ele uma travessia de 1,6 km em Altenworth, na Áustria. A água estava em torno de 5ºC e ele completou o percurso em 43 minutos e tornou-se o primeiro homem a nadar a famosa “Milha de Gelo” no estilo borboleta. “Depois de nadar, apaguei”, disse ele.

Em março, Mak foi diagnosticado com uma infecção semelhante à gripe que contraiu durante uma viagem de lazer a Londres. Sua experiência durante esse tempo foi de desespero, mas pontilhada de sorte. “Estava com febre e fiquei em casa, mas ela aumentava todos os dias. Estava com dor de garganta e nariz escorrendo e tinha dores nas articulações e nos músculos anteriormente. Mas elas se agravaram”, comentou. Depois de alguns dias ele se sentiu melhor, mas queria fazer o teste para ter certeza se havia contraído o COVID-19. Dito e feito: um teste confirmou seu medo. Ele estava infectado.

Ele foi colocado em quarentena por 28 dias e só pôde deixar sua casa após dois testes darem negativos. Mak temia que a infecção afetasse sua habilidade de nadar porque desde que voltou a nadar vinha estabelecendo novos desafios para si mesmo. “A maioria das pessoas pensa que sou louco pelos desafios que aceito”, comentou.

Chun Kong Mak apontando para a França – Foto: Reprodução

Mak não estava sem nadar desde que se mudou para a Europa, mas conseguiu nadar algumas vezes pouco antes de encarar o Canal da Mancha. No dia 2 de setembro Mak caiu na água para se tornar o primeiro cidadão de Hong Kong a completar a prova. Devido a força da maré ele acabou nadando 54 km concluindo a travessia em 14 horas. “Chorei na praia quando saí da água e fiquei maravilhado. Meus irmãos acham que sou louco e meu pai sempre me disse que eu não poderia viver de nadar”, comentou.

Nadar no Canal da Mancha foi um grande desafio para Mak. A temperatura da água era de cerca de 17º C e as fortes marés eram uma luta constante. Os habitantes de Hong Kong não estão acostumados com água fria, mas ele fez questão de terminar o desafio. “O mar estava agitado e violento. Quatro horas depois de começar a nadar, vomitei tudo do estômago. Meu treinador, o tcheco Rostislav Vitek, continuou me incentivando. Depois da natação, meu ombro e braço esquerdos doíam. Meu braço direito ficou inchado e meu estômago estava em más condições. Meu corpo demorou muitos dias para voltar ao normal”, disse sobre a prova.

Ao nadar o Canal da Mancha ele queria mostrar ao mundo que “o medo do vírus é pior do que o próprio vírus”. Ele espera que os habitantes de Hong Kong possam se inspirar nisso. “Esperemos que os habitantes de Hong Kong façam o mesmo com sucesso”, finaliza o mais novo nadador a concluir a Travessia do Canal da Mancha.

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Águas abertas Canal da Mancha Chun Kong Mak Hong Kong natacao

Katarine Monteiro

Jornalista da SWIM CHANNEL.

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