Atletas refugiados nadam em Gwangju

Mais uma vez nadadores refugiados disputarão a principal competição do calendário da FINA.

22/07/2019 - Guilherme Freitas

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Rami Anis - Foto: Reprodução
Yusra Mardini - Foto: Getty Images

Yusra Mardini - Foto: Getty Images

Rami Anis - Foto: Reprodução

Pela segunda vez na história o Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos terá a presença de atletas refugiados competindo. Yusra Mardini e Rami Anis já são figuras conhecidas no meio aquático. Refugiados sírios, ambos fizeram parte do Time Olímpico de Refugiados nos Jogos Olímpicos do Rio-2016 e nadaram o Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos de Budapeste-2017. Agora voltam agora a disputar um grande evento internacional.

A dupla teve que fugir de sua terra natal devido a Guerra Civil na Síria que começou em 2011 e ainda não terminou. Anis conseguiu refúgio na Bélgica, mas até chegar em sua nova casa teve que passar por sete países entre Europa e Ásia, se alimentando de forma precária e arriscando a vida em perigosas viagens de ônibus, trem e barco.

Yusra Mardini – Foto: Oli Scarff/AFP Photo

Já Mardini tem uma história ainda mais incrível. Ao lado da irmã, também nadadora, embarcou em um barco superlotado para fugir da guerra. Devido ao peso, a embarcação quase afundou. Para salvar sua vida e a das demais pessoas ela e a irmã pularam na água e juntas com mais dois homens nadaram por três horas ao lado do barco que conseguiu atracar na costa grega. Desde então vive e treina na Alemanha, onde teve seu refúgio concedido.

E os dois já caíram na água no primeiro dia de Mundial. Mardini nadou as eliminatórias dos 100m borboleta terminando em 47º lugar com 1min08s79. Já Anis nadou os 50m borboleta e foi o 68º colocado com 26s24. Ela ainda nadará os 100m livre e ele os 100m borboleta neste Mundial.

Rami Anis – Foto: Harry Fayt

A dupla também vai estar em ação nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020 participando mais uma vez do Time Olímpico de Refugiados. Desta vez o Comitê Olímpico Internacional (COI) decidiu aumentar o número de refugiados na competição, passando de dez para 37.

Segundo dados de 2018 do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), existem 70,8 milhões de refugiados espalhados pelo mundo. As iniciativas da FINA e do COI em abrir espaço para a discussão da causa do refúgio e utilizando o esporte como ferramenta de integração, são sempre bem-vindas e necessárias para um mundo melhor.

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Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos natacao Rami Anis refugiados Time Olímpico dos Refugiados Yusra Mardini

Guilherme Freitas

Jornalista sênior da SWIM CHANNEL.

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