Atravessando gerações

Presente há quase dez anos na seleção, João de Lucca passou de jovem aprendiz para o mais experiente do 4x200m livre que sonha uma medalha olímpica

27/05/2020 - Guilherme Freitas

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João de Lucca durante o treino – Foto: Reprodução/Kpaloa
João de Lucca - Foto: Kpaloa/Reprodução

João de Lucca - Foto: Kpaloa/Reprodução

João de Lucca durante o treino – Foto: Reprodução/Kpaloa

Não é segredo para ninguém que os 200m livre é uma das provas onde o Brasil mais evoluiu nos últimos anos. Após as medalhas em Jogos Olímpicos com o revezamento em Moscou-1980 e com Gustavo Borges em Atlanta-1996, os nadadores do país jamais voltaram a subir ao pódio olímpico. Ano que vem, em Tóquio, esse tabu poderá ser quebrado.

Após alguns anos de resultados e participações discretas o revezamento 4x200m livre renasceu. Em 2018 conquistou a medalha de ouro com recorde mundial no Campeonato Mundial de piscina curta em Hangzhou. No ano seguinte foi sétimo colocado no Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos de Gwangju, campeão nos Jogos Pan-Americanos de Lima e conquistou a vaga olímpica.

João de Lucca posa com sua nadadeira Kpaloa – Foto: Reprodução/Kpaloa

Um dos responsáveis por esta ascensão do revezamento é João de Lucca. Aos 30 anos, ele é o mais veterano do quarteto e permanece na equipe tendo atravessado gerações. Quando mais jovem nadou ao lado de Rodrigo Castro, Thiago Pereira, Nicolas Oliveira e André Schultz em Jogos Olímpicos, Campeonatos Mundiais, Jogos Pan-Americanos e Campeonatos Pan-Pacífico. Com esses nadadores pode aprender e absolver um pouco mais de experiência que o ajudaram na sua carreira.

Hoje é ele quem exerce a função do cara mais experiente do grupo. Além de figurinha carimbada no revezamento, João também foi testemunha da evolução da prova no país. “Antigamente os 200m livre era uma prova mais aberta e mais fácil de entrar no revezamento. Não tinha tanta concorrência como as provas de 100m peito ou uma vaga no 4x100m livre, por exemplo. Eram poucos nadadores que conseguiam atingir índices. Com o tempo o pessoal foi vendo ali uma oportunidade e os técnicos e atletas passaram a estudar mais a prova, aprendendo a dosar melhor as passagens e os parciais. Acredito que isso, somado ao talento natural dos jovens que foram aparecendo, ajudou na nossa evolução”, conta João que disputou sua primeira grande competição com a seleção em 2011 no Mundial de Xangai.

João de Lucca durante o treino – Foto: Reprodução/Kpaloa

O nadador também afirma que a força mental dos jovens atletas foi outro fator preponderante no crescimento da equipe. O grupo que hoje conta Fernando Scheffer, Breno Correia e Luiz Altamir, e que pode contar com Murilo Sartori, tem uma “mentalidade vencedora” nas palavras de João que só ajuda a deixar o revezamento cada vez mais forte.

“Acredito que são vários fatores que levaram o 4x200m livre ao patamar em que ele se encontra. Existe uma enorme vontade de ganhar, principalmente dessa geração mais jovem. Mesmo com pouco tempo de carreira eles têm muita experiência e estiveram nos grandes eventos internacionais contra os melhores do mundo, inclusive, eles são campeões e recordistas mundiais em piscina curta. Isso mostra como os 200m livre melhorou nos últimos anos”, afirma o nadador que não esteve no Mundial de curta de Hangzhou, mas vibrou com a conquista dos amigos.

João de Lucca – Foto: Kpaloa/Reprodução

Com o adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio para 2021 devido a pandemia do COVID-19, João e os demais ganharam mais tempo para treinar e se preparar para a maior competição de suas carreiras. Segundo o atleta, todos estão motivados e não se deixaram abalar devido a mudança de data dos Jogos. O veterano nadador acredita que o time brasileiro pode encarar os melhores revezamentos de igual para igual e tem potencial para subir no pódio olímpico.

“Acreditamos que podemos ganhar uma medalha porque temos um histórico positivo. Já conseguimos adquirir uma bagagem ao longo desse ciclo olímpico e conquistamos ótimos resultados. O time tem potencial para nadar bem, na casa de 1min45s. Se todos fizerem isso é possível sonhar com uma medalha. Tenho certeza que iremos representar muito bem o Brasil e conseguir um bom resultado. Vamos cair na água com sangue nos olhos”, finaliza o nadador que foi pai recentemente e no momento esta no Rio de Janeiro com a família. Ele também planeja fazer sua preparação para os Jogos de Tóquio nos Estados Unidos.

João de Lucca com a nadadeira que leva seu nome – Foto: Kpaloa/Reprodução

João de Lucca, detém um longo contrato de patrocínio com a marca esportiva Kpaloa. A relação entre patrocinado e patrocinador é tão boa que chagaram a lançar uma linha de nadadeiras para natação com o nome João de Lucca. Para quem acompanha a natação sabe que muitos consideram a Kpaloa como a melhor nadadeira do mundo e lançar uma linha com nome de atleta é algo que representa a honrada e confiança das duas partes.

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Guilherme Freitas

Jornalista sênior da SWIM CHANNEL.

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