Aumenta número de nadadores de águas abertas durante a pandemia

A escritora Bonnie Tsui está recebendo cartas de nadadores que estão abraçando a ideia de nadar ao ar livre nos últimos meses

10/08/2020 - Katarine Monteiro

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Atletas durante prova de águas abertas - Foto: Vanessa Lucas
Nadadora salta para a água - Foto: Frances Duncan

Nadadora salta para a água - Foto: Frances Duncan

Atletas durante prova de águas abertas - Foto: Vanessa Lucas

A escritora e nadadora de águas abertas, Bonnie Tsui, escreveu um texto esta semana para o jornal britânico The Guardian sobre sua percepção de aumento dos nadadores de águas abertas. Ela vem recebendo ao longo da pandemia algumas cartas de nadadores que se renderam à prática de nadar ao ar livre, principalmente por ter se tornado uma alternativa aos treinos de piscinas. A escritora do livro “Por que nadamos?” escreveu e refletiu sobre o assunto.

Quando criança em Jones Beach, Nova York, ela passou muito tempo no mar e foi ali que teve seu primeiro encontro com as águas abertas. Ao longo de quase quatro décadas de natação, ela observou a mudança de cenário por trás dessa prática – da praia à piscina, do mar aberto à piscina – e seu papel em sua vida. Ela até escreveu um livro sobre isso, uma exploração cultural e científica da relação da humanidade com a água.

Nadadora no rio Avon, na Inglaterra – Foto: Anthony Brown/Alamy

Assim como ela, o naturalista Roger Deakin descreveu a natação como tendo uma qualidade transformadora, de Alice no País das Maravilhas: “era uma atividade que tinha poder sobre sua percepção de si mesmo e do tempo. Quando você entra na água, algo como uma metamorfose acontece”, escreveu. “Saindo da terra, você passa pela superfície do espelho e entra em um novo mundo. Você vê e experimenta quando está nadando de uma forma completamente diferente de qualquer outra. É avassalador”, acrescenta.

Agora na Califórnia, Bonnie observou nos últimos meses o quanto nadar em águas abertas reflete a experiência que Deakin retratou de forma tão vívida. “A mudança periódica de perspectiva, do nível da terra para o nível da água, externo para interno, antropocêntrico para aquacêntrico, me ajudou a chegar ao outro lado de muitos dias difíceis”, comentou.

Antes da pandemia ela nadava várias manhãs por semana na piscina e surfava o resto conforme as condições permitiam. Na época de isolamento encontrou no fluxo de cartas de leitores, que descrevem seu novo apreço pelas águas abertas, o processo de sua própria busca. No seu livro “Por que nadamos?“, escreve que viver deliberadamente como um nadador significa que você é um buscador, um seguidor dos veios dos rios, que envolve um certo tipo de bravura para abraçar a incerteza.

Homem salta no rio Yangtze na cidade chinesa de Wuhan – Foto: Getty Images

Este ano, enquanto se preparava para um voo de volta à costa leste, uma viagem essencial para estar com entes queridos em um momento terrivelmente tenso, ela está tomada pela ansiedade. “Ainda assim, penso na natação, e principalmente na natação em águas abertas como uma educação vitalícia para enfrentar o medo”, disse.

Bonnie escreve que somos puxados para o paradoxo da água como fonte de vida e morte, e descobrimos maneiras de nos conduzir nela. “Nem todo mundo é nadador, mas todo mundo tem uma história de natação para contar. No exame desta experiência universal, e ela é universal, quer você tenha medo da água ou não, quer você ame ou deixe de lado, você o encontrará em algum momento de sua vida. Nós nos encontramos flexionando nossos músculos de sobrevivência, silenciosamente triunfantes em nossa própria persistência”, finalizou.

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Katarine Monteiro

Jornalista da SWIM CHANNEL.

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