{"id":2765,"date":"2016-12-21T20:37:12","date_gmt":"2016-12-21T20:37:12","guid":{"rendered":"https:\/\/digitalprojects.websiteseguro.com\/projetos\/swimchannel\/?p=2765"},"modified":"2026-02-06T12:34:50","modified_gmt":"2026-02-06T15:34:50","slug":"16-motivos-que-fizeram-de-2016-um-ano-inesquecivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/swimchannel.net\/br\/16-motivos-que-fizeram-de-2016-um-ano-inesquecivel\/","title":{"rendered":"16 motivos que fizeram de 2016 um ano inesquec\u00edvel"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Por motivos \u00f3bvios, 2016 foi um ano inesquec\u00edvel para a nata\u00e7\u00e3o. E um desses motivos \u00f3bvios responde pelo nome de Jogos Ol\u00edmpicos do Rio de Janeiro. Nas \u00e1guas, foi realmente uma Olimp\u00edada memor\u00e1vel (tirando a \u00e1gua verde da piscina de saltos do Parque Aqu\u00e1tico Maria Lenk). Mas, daqui alguns anos, objetivamente falando, do que realmente nos lembraremos quando nos recordarmos desse ano que termina na nata\u00e7\u00e3o? Listamos 16 motivos, em homenagem a 2016, simbolicamente um para cada ano do mil\u00eanio, todos relacionados ao nosso esporte &#8211; para o bem e para o mal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 &#8211; Katie Ledecky bate o recorde mundial dos 800m livre sem polir<\/strong><br \/>\nEm pleno dia 17 de janeiro, ningu\u00e9m no mundo est\u00e1 descansado ou polido. Principalmente em um ano ol\u00edmpico, em que os atletas se preparam para as seletivas ol\u00edmpicas de seus pa\u00edses. Mas isso n\u00e3o pareceu importar muito a americana Katie Ledecky. Nadando a etapa do Grand Prix americano em Austin, no Texas, ela j\u00e1 vinha fazendo uma excelente competi\u00e7\u00e3o, com melhores marcas pessoas nos 100m e 200m livre. Mas foi em sua principal prova que aconteceu o assombro. O recorde mundial dos 800m livre era dific\u00edlimo, 8min07s39, do Mundial de Kazan em 2015 &#8211; de fato, foi considerada a marca mais forte pela FINA e pelos especialistas de todo o ano. Em Austin, ela passou a parcial dos 400m com 4min03s22, exatamente a mesma do recorde. Pressentindo algo especial, a plateia se levantou, gritou e incentivou. Resultado: 8min06s68, seu quarto recorde mundial na prova. De se notar que o recorde mundial era 8min14s10 antes de seu aparecimento. Levou 21 anos para as mulheres baixarem tanto na prova, de 1987 a 2008. E Ledecky fez isso no espa\u00e7o de menos de dois anos e meio. Mais impressionante, sem estar no auge da forma. Era de se esperar algo ainda mais inacredit\u00e1vel na Rio-2016&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 &#8211; Cameron McEvoy raspa no recorde mundial dos 100m livre<\/strong><br \/>\nO nome do australiano Cameron McEvoy n\u00e3o era estranho para a comunidade aqu\u00e1tica. Medalhista mundial, campe\u00e3o pan-pac\u00edfico&#8230; Esse ano vinha fazendo bons tempos sem polir, incluindo sua melhor marca de 47s56 nos 100m livre, o que indicava que ele manteria sua evolu\u00e7\u00e3o constante desde que surgiu para o mundo, em 2013, aos 19 anos. O que poucos esperavam \u00e9 que ele mostrasse um salto fenomenal nessa evolu\u00e7\u00e3o. Na Seletiva Ol\u00edmpica Australiana, em abril, era o favorito nos 100m livre, mesmo tendo ao seu lado o vice-campe\u00e3o ol\u00edmpico James Magnussen. Resultado: 47s04, recorde australiano e terceiro melhor tempo da hist\u00f3ria, apenas 13 cent\u00e9simos do recorde mundial de Cesar Cielo de 2009. \u00c9 a melhor marca obtida sem trajes tecnol\u00f3gicos. Em 2012, Magnussen passou por situa\u00e7\u00e3o parecida, ao marcar 47s10 na mesma competi\u00e7\u00e3o. Chegou na Olimp\u00edada de Londres favorito e ficou com uma frustrante (para ele) medalha de prata. A maldi\u00e7\u00e3o se repetiu com McEvoy. Esteve doente na Olimp\u00edada do Rio e sequer subiu no p\u00f3dio de sua especialidade. Menos mal que o ouro foi para outro australiano, Kyle Chalmers. Mas com um tempo (47s58) quase meio segundo que a inesquec\u00edvel performance de McEvoy de abril.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 &#8211; O mais forte 100m peito do mundo no Trof\u00e9u Maria Lenk<\/strong><br \/>\nO Brasil se acostumou a ver uma dan\u00e7a das cadeiras pelas vagas dos 100m peito nas \u00faltimas seletivas ol\u00edmpicas. \u00c9 assim desde 2008. Dessa vez, todas as expectativas foram superadas. Durante o Trof\u00e9u Maria Lenk, em abril, logo nas eliminat\u00f3rias do primeiro dia, Jo\u00e3o Gomes Junior mandou 59s06, melhorando praticamente um segundo (eu disse um segundo!) de sua melhor marca pessoal. Era o segundo melhor tempo do mundo. A segunda vaga do pa\u00eds ficou para Felipe Fran\u00e7a, com 59s36. Outros tr\u00eas nadadores fizeram \u00edndice ol\u00edmpico, entre eles Pedro Cardona, tamb\u00e9m abaixo do minuto. Felipe Lima, bronze na prova no Mundial de Barcelona, em 2013, ficou sem vaga, atestando o alt\u00edssimo n\u00edvel da prova. At\u00e9 aquele momento, com seletivas australiana, brit\u00e2nica, francesa, japonesa, chinesa e outras j\u00e1 tendo acontecido, o Brasil havia tido o mais forte 100m peito do mundo. O que foi atestado na Olimp\u00edada do Rio de Janeiro, em que Jo\u00e3o Gomes e Felipe Fran\u00e7a alcan\u00e7aram a final &#8211; al\u00e9m do Brasil, apenas os Estados Unidos colocaram dois nadadores entre os oito melhores. O p\u00f3dio n\u00e3o saiu por pouco, mas, a julgar pela evolu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tardar\u00e1 para o pa\u00eds ter uma medalha no estilo em Olimp\u00edadas. Ou at\u00e9 mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 &#8211; Cesar Cielo n\u00e3o obt\u00e9m classifica\u00e7\u00e3o ol\u00edmpica<\/strong><br \/>\nO sil\u00eancio no Est\u00e1dio Aqu\u00e1tico Ol\u00edmpico naquela tarde de 20 de abril era t\u00e3o denso que podia ser cortado com uma faca. A expectativa era grande para a final dos 50m livre no Trof\u00e9u Maria Lenk, prova que definiria as duas vagas brasileiras ol\u00edmpicas. Os favoritos eram Bruno Fratus e Cesar Cielo. Este \u00faltimo, campe\u00e3o ol\u00edmpico e tricampe\u00e3o mundial da prova, estava bem cotado em todas as apostas pelo seu passado, e n\u00e3o pelo que vinha apresentando at\u00e9 ent\u00e3o. Entre muitas trocas de t\u00e9cnicos e uma les\u00e3o no ombro, n\u00e3o nadou bem o Mundial de 2015 e tentava se recuperar a tempo. N\u00e3o conseguiu. Com 21s91, teria conseguido vaga em qualquer seletiva ol\u00edmpica que tinha ocorrido at\u00e9 ent\u00e3o. Mas Fratus, com 21s74, e \u00cdtalo Duarte, com 21s82, foram mais r\u00e1pidos. A como\u00e7\u00e3o gerada foi grande. N\u00e3o ter o \u00fanico campe\u00e3o ol\u00edmpico da hist\u00f3ria da nata\u00e7\u00e3o brasileira na Olimp\u00edada caseira n\u00e3o era algo previsto. Uma Olimp\u00edada que Cielo ajudou a trazer em 2009. As homenagens a ele foram muitas. Sua classifica\u00e7\u00e3o fazia parte do script de quase todos, mas, de certa forma, talvez sua derrota tenha mostrado de forma mais contundente sua import\u00e2ncia para a nata\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5 &#8211; Cate Campbell voa a um m\u00eas da Olimp\u00edada<\/strong><br \/>\nDesde 2013, a australiana Cate Cambpell vinha se firmando como o principal nome da velocidade nas provas femininas. N\u00e3o era absoluta, tanto que perdeu os 50m e 100m livre para a irm\u00e3 Bronte no Mundial de 2015. Mas era a mais regular. Depois de uma excelente seletiva ol\u00edmpica australiana, fez o que n\u00e3o se esperava a um m\u00eas dos Jogos Ol\u00edmpicos: bateu seu primeiro recorde mundial individual, nos 100m livre. No Grand Prix australiano em Brisbane, fez 52s06 e superou por um cent\u00e9simo a marca da alem\u00e3 Britta Steffen, que vinha desde 2009, auge da era dos trajes tecnol\u00f3gicos. O recorde foi t\u00e3o inesperado que n\u00e3o h\u00e1 v\u00eddeo dispon\u00edvel da prova. A expectativa que se criou sobre o desempenho de Campbell foi de um incr\u00edvel sub-52s ol\u00edmpico. Mas, ap\u00f3s seu recorde, ela disse: &#8220;tem uma frase que uma vez ouvi e que gosto muito: &#8216; uma medalha de ouro \u00e9 uma coisa maravilhosa, mas se voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 feliz sem ela, n\u00e3o estar\u00e1 feliz com ela.&#8217; O ouro ol\u00edmpico seria a cereja no bolo para mim, mas preciso estar preparada para se n\u00e3o acontecer.&#8221; Foi prof\u00e9tica: no Rio de Janeiro, n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o venceu como saiu sem medalhas individuais. Ap\u00f3s os Jogos, disse que sofreu com uma h\u00e9rnia e passou por cirurgia. Encerra o ano sem o ouro ol\u00edmpico, mas com o status de mais veloz mulher que j\u00e1 percorreu os 100m livre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>6 &#8211; Adam Peaty sem limites<\/strong><br \/>\nNadar para 57s nos 100m peito em piscina de 50 metros \u00e9 algo absurdo certo? Tanto que s\u00f3 um homem havia conseguido, para 57s92, e era meio segundo mais r\u00e1pido que qualquer outro nadador na hist\u00f3ria da prova. Pois imagine o mesmo homem abaixar a mesma marca por quase um segundo e por pouco n\u00e3o nadar para\u00a056s. Foi exatamente o que fez o brit\u00e2nico Adam Peaty nos Jogos Ol\u00edmpicos do Rio de Janeiro, dando a impress\u00e3o do imposs\u00edvel estar acontecendo. \u00a0Com 57s13, chegou um segundo e meio \u00e0 frente do medalhista de prata &#8211; a maior margem de vit\u00f3ria na hist\u00f3ria ol\u00edmpica at\u00e9 ent\u00e3o era de meio segundo, na Olimp\u00edada de 1972. Seu tempo nos primeiros 50 metros de 26s61 quase superou o recorde mundial dos 50m peito (26s42) e sua parcial de volta tamb\u00e9m foi a melhor de todos os competidores. Outro assombro veio no revezamento 4x100m medley, com sua parcial de 56s59, que garantiu a prata para sua equipe. Para se ter uma ideia do que a marca representa, se qualquer uma das seis equipes finalistas que terminou atr\u00e1s da Gr\u00e3-Bretanha pudesse trocar seu nadador de peito com os brit\u00e2nicos, essa equipe terminaria no m\u00ednimo com a medalha de prata &#8211; os australianos seriam ouro. Peaty j\u00e1 demonstrou desejo de nadar para 56s na prova individual. Mas mesmo que nunca mais consiga chegar perto de seu 57s13, j\u00e1 entrou para a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>7 &#8211; Michael Phelps vence os 200m borboleta<\/strong><br \/>\nTudo bem que Michael Phelps tornou-se o primeiro tetracampe\u00e3o individual da nata\u00e7\u00e3o ol\u00edmpica nos 200m medley, e em revezamentos no 4x200m livre (ao lado de Ryan Lochte). Que foi pe\u00e7a chave no revezamento 4x100m livre que deu o ouro aos Estados Unidos em uma prova em que a equipe n\u00e3o era favorita &#8211; fez a melhor marca de sua vida na prova. E que a vit\u00f3ria do 4x100m medley representou o canto do cisne de uma carreira de 28 medalhas ol\u00edmpicas em uma despedida emocionante. Mas seu primeiro ouro individual no Rio de Janeiro, nos 200m borboleta, foi o mais marcante. Primeiro nadador finalista ol\u00edmpico por cinco vezes em uma mesma prova, Phelps buscava outro feito jamais igualado na nata\u00e7\u00e3o: vencer uma prova ol\u00edmpica individual ap\u00f3s ter perdido na Olimp\u00edada anterior. Esperava-se que o duelo seria entre o sul-africano Chad le Clos, que justamente bateu o americano em 2012, e o h\u00fangaro Laszlo Cseh, atual campe\u00e3o mundial e que esse ano fez o melhor tempo do mundo na prova desde a era dos trajes tecnol\u00f3gicos em 2009. Phelps liderou de ponta a ponta, mas venceu apertado por quatro cent\u00e9simos sobre o japon\u00eas Masato Sakai, a vit\u00f3ria mais estreita da hist\u00f3ria ol\u00edmpica na prova. Ouro muito comemorado por Phelps, que subiu na raia e apontou para si pr\u00f3prio como se dissesse &#8220;eu sou o cara.&#8221; Naquele momento, mais do que nunca, o mundo inteiro sabia disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>8 &#8211; Penny Oleksiak e Simone Manuel vencem os 100m livre ol\u00edmpico<\/strong><br \/>\nComo j\u00e1 descrito anteriormente, a favorita absoluta ao ouro ol\u00edmpico dos 100m livre era a australiana Cate Campbell. Faltou avisar a canadense Penny Oleksiak e a americana Simone Manuel. Oleksiak, 16 anos, j\u00e1 vinha sendo destaque com seus excelentes tempos e r\u00e1pida evolu\u00e7\u00e3o. J\u00e1 havia nadado bem os 100m borboleta, prova na qual foi prata. J\u00e1 Manuel dificilmente era cotada para o p\u00f3dio, pois jamais havia nadado para 52s, necess\u00e1rio para medalha, e estava balizada apenas com o nono melhor tempo. De qualquer forma, ningu\u00e9m apostava em nenhuma das duas para o ouro. Mas\u00a0Oleksiak e Manuel a deixaram para tr\u00e1s Campbell e tamb\u00e9m outras nadadoras mais favoritas, como a sueca Sarah Sjostrom e a australiana Bronte Campbell, campe\u00e3 mundial da prova. O empate em 52s70 n\u00e3o \u00e9 in\u00e9dito &#8211; tamb\u00e9m houve empate no alto do p\u00f3dio da prova em 1984. Mas ganhou as manchetes, principalmente pelo desfecho inesperado de duas nadadoras pouco cotadas para o p\u00f3dio vencerem a prova. Manuel \u00e9 a primeira negra campe\u00e3 ol\u00edmpica individual na nata\u00e7\u00e3o. Oleksiak, com sua marca, bateu o recorde mundial j\u00fanior. E Cate Campbell poderia muito bem ter lutado pelo ouro, j\u00e1 que fez 52s71 na semifinal e fechou o 4x100m livre para 51s80, mas escolheu justo a final dos 100m livre para ter a pior prova de sua Olimp\u00edada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>9 &#8211; Katie Ledecky torna-se a maior fundista da hist\u00f3ria<\/strong><br \/>\nPor tudo que fez no per\u00edodo do \u00faltimo ciclo ol\u00edmpico, bastaria Katie Ledecky vencer os 400m e 800m livre nos Jogos Ol\u00edmpicos para pleitear o posto de maior nadadora de provas de fundo de todos os tempos. Afinal, j\u00e1 teria tantos ouros ol\u00edmpicos quanto sua compatriota Janet Evans, considerada at\u00e9 ent\u00e3o a rainha de provas de longas dist\u00e2ncia da hist\u00f3ria, e j\u00e1 tinha mais recordes e t\u00edtulos mundiais. Mas o que Ledecky fez no Rio de Janeiro foi muito al\u00e9m disso. Primeiro, abaixou simplesmente dois segundos de seu recorde mundial nos 400m livre de 2014 com 3min56s46. Depois, em sua prova mais dif\u00edcil, venceu os 200m livre. Para finalizar, em sua melhor prova, os 800m livre, mostrou que est\u00e1 muito a frente de seu tempo: com 8min04s79, melhorou dois segundos do recorde mundial estabelecido em janeiro. Chegou nada menos que 11 segundos \u00e0 frente da medalhista de prata. A marca \u00e9 mais de nove segundos mais r\u00e1pida que a segunda nadadora mais r\u00e1pida da hist\u00f3ria. Pode-se ficar por muito tempo elencando os absurdos dessa sua marca nos 800m livre. No final das contas, mais um ouro e uma prata em revezamentos. Aos 19 anos, ela tem seis medalhas ol\u00edmpicas (cinco de ouro), nove em mundiais (todas de ouro) e 13 recordes mundiais. Jamais perdeu uma prova, de 200m a 1500m livre, em grandes competi\u00e7\u00f5es internacionais. Ainda tem uma longa carreira pela frente, mas se se aposentasse hoje, j\u00e1 estaria no topo da hist\u00f3ria da nata\u00e7\u00e3o de fundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>10 &#8211; Anthony Ervin consagra-se como o mais velho nadador vencedor ol\u00edmpico<\/strong><br \/>\nPouca gente colocava suas fichas no americano Anthony Ervin. At\u00e9 a classifica\u00e7\u00e3o ol\u00edmpica para os 50m livre foi tida como surpresa por muitos. Por que as d\u00favidas? Afinal, trata-se de um campe\u00e3o ol\u00edmpico individual, em Sydney 2000. O fato \u00e9 que desde 2014 Ervin n\u00e3o vinha sendo p\u00e1reo para a concorr\u00eancia. Ap\u00f3s voltar de uma aposentadoria de quase uma d\u00e9cada em 2011, logo se recolocou entre os grandes e foi finalista ol\u00edmpico em 2012 e mundial em 2013. Mas a partir do Pan-Pac\u00edfico de 2014 n\u00e3o apresentava mais evolu\u00e7\u00e3o. No per\u00edodo de um ano e meio antes da Olimp\u00edada, trocou de t\u00e9cnico duas vezes, sendo a \u00faltima dela a tr\u00eas meses dos Jogos. Parecia sem rumo. Mas conseguiu acertar sua principal defici\u00eancia, a sa\u00edda. Na Olimp\u00edada, superou o favorito Florent Manaudou, da Fran\u00e7a, por apenas um cent\u00e9simo, com 21s40. Est\u00e1 certo, se Manaudou tivesse feito sua marca de 2015, teria levado o ouro. Mas tamb\u00e9m teriam vencido a prova Nathan Adrian e Bruno Fratus, que tamb\u00e9m fizeram abaixo do tempo de Ervin no ano anterior. Nada disso importa. Ervin mostrou que tem estrela e n\u00e3o s\u00f3 aos 35 anos tornou-se o nadador campe\u00e3o ol\u00edmpico mais velho da hist\u00f3ria como tamb\u00e9m \u00e9 o nadador com maior intervalo de tempo entre duas vit\u00f3rias: 16 anos. E j\u00e1 planeja estar de volta em 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>11 &#8211; Joseph Schooling vence os 100m borboleta. E os tr\u00eas favoritos ficam com a prata<\/strong><br \/>\nPraticamente todas as apostas indicavam os nomes de Michael Phelps, Laszlo Cseh e Chad le Clos para o p\u00f3dio dos 100m borboleta, com a ordem variando de acordo com o gosto do fregu\u00eas. Afinal foram os tr\u00eas nadadores mais r\u00e1pidos no per\u00edodo de um ano que antecedeu a Olimp\u00edada. Al\u00e9m deles, somente um nadador havia completado a prova abaixo dos 51 segundos no per\u00edodo: Joseph Schooling, de Cingapura. Um nome emergente, bronze no Mundial de 2015, que sob o comando de Eddie Reese na Universidade do Texas vinha em plena ascens\u00e3o. Mesmo assim n\u00e3o era suficiente para coloc\u00e1-lo entre os favoritos. Trabalhando em sil\u00eancio, chegou ao Rio no auge da forma &#8211; o contr\u00e1rio de Phelps, le Clos e Cseh, que n\u00e3o vinham fazendo suas melhores marcas em suas provas. Na semifinal, foi o \u00fanico a nadar abaixo dos 51s, o que ocorreu tamb\u00e9m na final em uma prova espetacular: melhor parcial de ida e melhor parcial de volta, recorde ol\u00edmpico de 50s39 e melhor marca da hist\u00f3ria sem trajes tecnol\u00f3gicos. A margem de vit\u00f3ria foi de 75 cent\u00e9simos. A superioridade foi at\u00e9 surpreendente em uma prova de velocidade, ainda mais os 100m borboleta que costuma ter chegadas apertad\u00edssimas &#8211; \u00e9 s\u00f3 lembrar da diferen\u00e7a de apenas um cent\u00e9simo entre ouro e prata em 1988 e 2008, de tr\u00eas cent\u00e9simos em 1992 e de quatro em 2004. Surpreendente tamb\u00e9m foi o resultado do segundo lugar: empate ente os favoritos pr\u00e9vios Phelps, Cseh e le Clos. Primeiro empate triplo no p\u00f3dio na hist\u00f3ria da nata\u00e7\u00e3o ol\u00edmpica. At\u00e9 quando perde Phelps faz hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>12 &#8211; O vexame de Ryan Lochte<\/strong><br \/>\nEsse \u00e9 um momento que poderia estar nos mais marcantes do esporte como um todo em 2016, e n\u00e3o s\u00f3 da nata\u00e7\u00e3o. Afinal, n\u00e3o teve liga\u00e7\u00e3o com o esporte. Mas por se tratar de um dos maiores nadadores da hist\u00f3ria, figura nesta lista. Tudo come\u00e7ou quando, ap\u00f3s o t\u00e9rmino das provas de nata\u00e7\u00e3o ol\u00edmpicas, ele e outros tr\u00eas nadadores, Jimmy Feigen, Gunnar Bentz e Jack Conger, foram para uma festa no Rio de Janeiro. No dia seguinte, Lochte deu entrevistas dizendo que foi assaltado quando voltavam para a Vila Ol\u00edmpica. Nos dias seguintes, v\u00e1rias inconsist\u00eancias foram apontadas, e descobriu-se que ele inventou o assalto para encobrir um ato de vandalismo num posto de gasolina, de onde os atletas teriam sido impedidos de sair por um seguran\u00e7a, para que pagassem pelo preju\u00edzo. Seja qual tenha sido o motivo de Lochte para inventar a hist\u00f3ria, o nadador teve sua imagem colocada l\u00e1 para baixo. Outrora o segundo nadador mais bem pago do mundo atr\u00e1s apenas de Michael Phelps e um dos mais vitoriosos da hist\u00f3ria, perdeu patroc\u00ednios e foi suspenso pela Federa\u00e7\u00e3o Americana, n\u00e3o podendo nadar o Mundial de 2017. Houve uma \u00e9poca em que Lochte era tido como um dos rostos mais comerciais da nata\u00e7\u00e3o. Na piscina, conquistou uma medalha no Rio de Janeiro e foi a 12 na hist\u00f3ria ol\u00edmpica, tornando-se o segundo nadador com maior n\u00famero de p\u00f3dios na hist\u00f3ria, atr\u00e1s apenas de Michael Phelps. Mas foi uma Olimp\u00edada ruim para quem conquistou quatro medalhas em 2008 e cinco em 2012. Pior ainda fora dela. Para o grande p\u00fablico, Lochte foi o vil\u00e3o dos Jogos do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>13 &#8211; Poliana Okimoto \u00e9 bronze na maratona aqu\u00e1tica ol\u00edmpica<\/strong><br \/>\nDesde 1980, o Brasil s\u00f3 saiu sem medalhas das \u00e1guas ol\u00edmpicas em duas edi\u00e7\u00f5es de Jogos Ol\u00edmpicos. Com a Olimp\u00edada do Rio de Janeiro, a conta sobe para tr\u00eas, em dez Olimp\u00edadas. Isso se contabilizarmos somente provas de piscina. Pois, gra\u00e7as a Poliana Okimoto na prova de 10 km em \u00e1guas abertas, a nata\u00e7\u00e3o brasileira p\u00f4de comemorar uma conquista em sua Olimp\u00edada. Maratonista consagrada, Poliana j\u00e1 havia subido ao p\u00f3dio de todas as grandes competi\u00e7\u00f5es de n\u00edvel mundial &#8211; exceto os Jogos Ol\u00edmpicos. Ap\u00f3s frustra\u00e7\u00f5es em 2008 e 2012, chegou ao Rio decidida a ter boas lembran\u00e7as de sua terceira participa\u00e7\u00e3o, conquistando ou n\u00e3o medalha. E ela teve os dois sabores: o do quarto lugar, logo ao t\u00e9rmino da prova, atr\u00e1s da holandesa Sharon van Rouwendaal, da francesa Aurelie Muller e da italiana Rachele Bruni; e do bronze ol\u00edmpico, ao saber, cerca de 20 minutos ap\u00f3s o t\u00e9rmino da prova na praia de Copacabana, que a francesa havia sido desclassificada por obstruir a italiana na chegada. Medalha chorada em todos os sentidos, com Poliana n\u00e3o conseguindo controlar a emo\u00e7\u00e3o. \u00c9 a primeira mulher brasileira a conseguir uma medalha na nata\u00e7\u00e3o ol\u00edmpica, uma espera que se iniciou com Maria Lenk na d\u00e9cada de 30. Nenhum brasileiro conquistou medalha ol\u00edmpica na nata\u00e7\u00e3o com mais de 30 anos, outro feito in\u00e9dito para a nadadora de 33 anos. E, assim como Raphaela Silva do jud\u00f4 e Diego Hyp\u00f3lito na gin\u00e1stica, Poliana completa mais uma hist\u00f3ria de supera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s passar pelo inferno do fracasso e das cr\u00edticas ol\u00edmpicas para dar a volta por cima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>14 &#8211; CBDA \u00e9 alvo de den\u00fancias<\/strong><br \/>\nTirando o \u00f3bvio per\u00edodo dos Jogos Ol\u00edmpicos, a nata\u00e7\u00e3o teve destaque de maneira eventual no notici\u00e1rio de massa em 2016. Tomemos como exemplo o Jornal Nacional da Rede Globo. Veiculou not\u00edcias da nata\u00e7\u00e3o quando Cesar Cielo n\u00e3o se classificou para a Olimp\u00edada, quando Michael Phelps obteve a classifica\u00e7\u00e3o&#8230; e nada muito mais al\u00e9m disso (n\u00e3o estamos contabilizando reportagens especiais, como a que contava a hist\u00f3ria de Thiago Pereira ou a que detalhava a estrutura da nata\u00e7\u00e3o americana). Por isso, quando a CBDA \u00e9 assunto no telejornal mais assistido do pa\u00eds, \u00e9 porque algo importante aconteceu. Infelizmente, importante n\u00e3o significa bom. Em setembro, toda a imprensa veiculou a den\u00fancia do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, pedido afastamento do presidende Coaracy Nunes Filho e de outros dirigentes por suposta fraude em licita\u00e7\u00f5es de material esportivo. Dias depois, a CBDA organizou sua assembleia geral, com algumas decis\u00f5es pol\u00eamicas. Em dezembro, Coaracy foi multado pelo Tribunal de Contas da Uni\u00e3o por aplica\u00e7\u00e3o indevida de verbas da Lei Agnelo\/Piva em contrato com uma ag\u00eancia de turismo. No meio de todo esse furac\u00e3o, e a nata\u00e7\u00e3o? A CBDA chegou a divulgar o cancelamento dos campeonatos de categoria de ver\u00e3o, o que gerou uma enxurrada de cr\u00edticas, para voltar atr\u00e1s logo depois. Com a indefini\u00e7\u00e3o da renova\u00e7\u00e3o do patroc\u00ednio com o Correios, um n\u00famero limitado de atletas foi\/ser\u00e1 convocado para as competi\u00e7\u00f5es internacionais. Tudo isso fez com que a atual administra\u00e7\u00e3o da CBDA ficasse com uma imagem extremamente negativa perante o p\u00fablico. Pelo que se v\u00ea, o chamado legado ol\u00edmpico chegou ao fim muito antes do que se esperava. Em um ano de Olimp\u00edada no Rio de Janeiro, a nata\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o merecia isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>15 &#8211; Os n\u00fameros superlativos de Katinka Hosszu<\/strong><br \/>\nJamais se viu algo parecido na hist\u00f3ria da nata\u00e7\u00e3o. Uma nadadora com velocidade e resist\u00eancia, uma for\u00e7a mental fora do comum e ainda por cima talentosa. Essa \u00e9 a h\u00fangara Katinka Hosszu. Ap\u00f3s a Olimp\u00edada de Londres, em 2012, a cada ano vem impressionando mais. Nadando um n\u00famero absurdo de provas em muitas competi\u00e7\u00f5es como forma de prepara\u00e7\u00e3o, tem chegado \u00e0s principais competi\u00e7\u00f5es na ponta dos cascos. Foi o caso na Olimp\u00edada do Rio de Janeiro: vit\u00f3rias nos 100m e 200m costas e 400m medley e prata nos 200m costas. Ningu\u00e9m subiu tanto no p\u00f3dio ol\u00edmpico individualmente como ela. Foi a cereja no bolo de uma saga que, pelo visto, ainda est\u00e1 longe de terminar. Na Copa do Mundo de piscina curta, chegou ao absurdo de nadar 14 de 17 provas individuais em uma etapa, e de conquistar 13 medalhas. Conseguiu se tornar recordista nacional h\u00fangara em piscina curta de todas &#8211; sim, de todas! &#8211; as provas femininas. Isso em um pa\u00eds tradicional\u00edssimo na nata\u00e7\u00e3o. No Mundial de piscina curta, em Windsor, no Canad\u00e1, conquistou nove medalhas, todas individuais, recorde na hist\u00f3ria do evento. Consegue nadar em n\u00edvel mundial dos 50m costas aos 800m livre, dos 100m aos 400m medley. Pode-se dizer que, em termos de qualidade, Katie Ledecky \u00e9 a melhor nadadora do mundo. Mas, em quantidade, e tamb\u00e9m com grande qualidade, ningu\u00e9m supera Katinka Hosszu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>16 &#8211; Etiene Medeiros \u00e9 bicampe\u00e3 mundial na curta<\/strong><br \/>\nTodo o ciclo ol\u00edmpico foi inesquec\u00edvel para Etiene Medeiros, que vinha obtendo resultados in\u00e9ditos para a nata\u00e7\u00e3o feminina brasileira ano ap\u00f3s ano. Mas 2016 certamente ter\u00e1 um lugar reservado em sua mem\u00f3ria para sempre. O resultado anal\u00edtico adverso em um exame antidoping, em maio, devido a um medicamento para asma, gerou apreens\u00e3o na comunidade aqu\u00e1tica brasileira. Foi absolvida pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a Desportiva (STJD), que avaliou que a nadadora n\u00e3o agiu de m\u00e1-f\u00e9 e n\u00e3o se beneficiou da situa\u00e7\u00e3o. Mas, nesse per\u00edodo, como teria ficado sua cabe\u00e7a \u00e0s v\u00e9speras da Olimp\u00edada? Come\u00e7ou sua participa\u00e7\u00e3o nadando mal os 100m costas, prova em que \u00e9 campe\u00e3 pan-americana. Melhorou nos 100m livre, passando para a semifinal. Nos 50m livre, com uma sa\u00edda espetacular, bateu o recorde sul-americano na semifinal e disputou a final da prova, encerrando de maneira gloriosa um per\u00edodo de montanha russa de emo\u00e7\u00f5es. Mas ainda havia hist\u00f3ria a se fazer. Em dezembro, no Mundial de curta, em Windsor, no Canad\u00e1, Etiene chegou para defender o t\u00edtulo obtido h\u00e1 dois anos nos 50m costas. N\u00e3o decepcionou, mostrou o perfeito dom\u00ednio dos fundamentos que nos acostumamos a ver e conquistou o bicampeonato. H\u00e1 alguns anos, se algu\u00e9m dissesse que a \u00fanica medalha ol\u00edmpica do Brasil na nata\u00e7\u00e3o seria feminina e o \u00fanico ouro em um mundial seria obtido por uma mulher, talvez essa pessoa fosse internada. Talvez o futuro tenha chegado para as mulheres na nata\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ano de Jogos Ol\u00edmpicos, Campeonato Mundial de curta, recordes e muito mais!<\/p>\n","protected":false},"author":12,"featured_media":2769,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[137],"tags":[14,183,5,635,49],"class_list":["post-2765","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-natacao","tag-aguas-abertas","tag-jogos-olimpicos","tag-natacao","tag-retrospectiva-2016","tag-rio-2016"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.0 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>16 motivos que fizeram de 2016 um ano inesquec\u00edvel - Swimchannel<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/swimchannel.net\/br\/16-motivos-que-fizeram-de-2016-um-ano-inesquecivel\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"16 motivos que fizeram de 2016 um ano inesquec\u00edvel - 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