Brasil, tetracampeão do Desafio Raia Rápida

15/10/2017

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Não podemos dizer que a vitória brasileira na sexta edição do Desafio Raia Rápida tenha sido uma surpresa. Afinal, no papel era indiscutivelmente a equipe mais forte, com três medalhistas no último Mundial de Budapeste. Mas a vitória no revezamento foi difícil, ao contrário do que os resultados das provas individuais indicavam, e sobrou emoção na disputa.

O clima no Parque Aquático Maria Lenk nesta manhã de domingo foi chuvoso por quase todo o tempo. Mas não diminuiu a animação da torcida, que incentivou por todo o tempo os brasileiros contra as equipes dos Estados Unidos, Itália e Argentina. Confira abaixo um resumo das provas.

50m costas feminino
A campeã mundial Etiene Medeiros não teve dificuldades para vencer as três baterias. Na última, derrotou a americana Hellen Moffit, com 28s00 contra 28s74. Seu técnico Fernando Vanzella achou o tempo excelente para a fase de treinamentos, destacando que seria muito difícil ela nadar na casa dos 27s, e por um centésimo ela não conseguiu fazê-lo. Sua melhor saída foi obtida na primeira bateria, quando estava descansada, de acordo com análise biomecânica da Meazure Sport Sciences (primeiros 15m com tempo de 6s99, contra 7s01 da bateria final).

Etiene Medeiros (foto: Satiro Sodré/SSPress)

Etiene Medeiros (foto: Satiro Sodré/SSPress)

50m peito masculino
João Gomes Júnior, vice-campeão mundial da prova, exibiu a mesma hegemonia de Etiene, vencendo as três baterias. Na última, o esperado duelo contra o italiano Fabio Scozzoli, vice-campeão mundial da prova em 2011. O brasileiro levou com 27s25 contra 27s68 do adversário. João queria nadar abaixo de 27s e quebrar o recorde da competição que é dele de 27s09, e disse que poderia fazê-lo na primeira bateria, quando estava descansado. Mas preferiu se poupar para chegar inteiro às próximas séries e principalmente ao revezamento, o que se revelou na estratégia correta.

João Gomes Júnior (foto: Satiro Sodré/SSPress)

João Gomes Júnior (foto: Satiro Sodré/SSPress)

50m borboleta feminino
Daynara de Paula chegou à final contra a americana Kendyl Stewart, vice-campeã no Pan-Pacífico de 2014. Stewart venceu com 26s28 contra 26s76 da brasileira. Mas Daynara não tem do que reclamar: seu tempo na segunda bateria de 26s44 foi sua melhor marca no ano, e mostrou muita força na saída de prova, levando clara vantagem nessa parte da prova sobre as adversárias. Em todas as baterias, ela teve o melhor tempo na marca dos 15 metros em relação às adversárias.

Daynara de Paula e Kendyl Stewart (foto: Satiro Sodré/SSPress)

Daynara de Paula e Kendyl Stewart (foto: Satiro Sodré/SSPress)

50m livre masculino
O argentino campeão pan-americano dos 100m livre Federico Grabich, uma das estrelas da competição, decepcionou e foi eliminado logo na primeira série. Na segunda, foi eliminado o italiano Lorenzo Benatti. O esperado duelo entre o vice-campeão mundial Bruno Fratus e o campeão olímpico Anthony Ervin ficou para o final. Melhor para o brasileiro, com 22s36, contra 22s64. Bruno dominou todas as baterias e não deu chance para o azar. Ervin saiu da piscina dizendo, em tom de lamento, que foi sua primeira derrota em solo brasileiro em provas individuais – de fato, ele havia vencido a prova nas três edições do Raia Rápida anteriores, além de ter conquistado o ouro olímpico no Rio de Janeiro. Hoje, teve que se render à força de Bruno, que pela análise biomecânica foi o mais rápido em todos os trechos da prova.

Bruno Fratus e Anthony Ervin (foto: Satiro Sodré/SSPress)

Bruno Fratus e Anthony Ervin (foto: Satiro Sodré/SSPress)

Revezamento 4x50m medley misto
Não encontramos registro da realização dessa prova em piscina longa em competições prévias. Mas muito provavelmente o tempo obtido pelo Brasil é o mais rápido da história da prova, com 1min45s38. Como todos os brasileiros nadaram todas as séries das provas individuais, chegaram mais desgastados do que os adversários. Os americanos souberam explorar isso e endureceram. Bruno Fratus chegou a pular atrás de Anthony Ervin para fechar a prova, mas ultrapassou o americano (parcial manual e não-oficial de 21s91) para garantir a vitória. Pela pontuação, o Brasil venceria a competição mesmo que chegasse em segundo no revezamento. Mas não teria a mesma graça. A vitória emocionante por apenas 15 centésimos serviu como cereja no bolo para colocar de vez os brasileiros nas graças da torcida presente.

As quatro equipes no pódio (foto: Satiro Sodré/SSPress)

As quatro equipes no pódio (foto: Satiro Sodré/SSPress)

Pontuação final:
Brasil: 17
Estados Unidos: 12
Itália: 6
Argentina: 1

Por Daniel Takata

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