Chega ao fim o ótimo Mundial de Budapeste

30/07/2017

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O revezamento 4x100m medley masculino encerrou o Campeonato Mundial de Budapeste. E que Mundial. Um campeonato com vários destaques e com 11 recordes mundiais ao longo destes últimos oito dias de eventos na capital húngara. Finalista olímpica no Rio-2016, a equipe brasileira chegou para a final com o quinto melhor tempo. Teria um páreo duro pela frente na luta por medalhas, mas o objetivo principal nem era esse e sim abaixar o seu tempo da manhã.

Com duas alterações em relação ao time das eliminatórias, saíram Felipe Lima e Bruno Fartus, os brasileiros conseguiram. Guilherme Guido abriu para 53s53, em seguida vieram João Gomes Júnior com 58s80 de parcial, Henrique Martins com 51s12 e Marcelo Chierighini com 48s08. Com o tempo total de 3min31s53 o Brasil conseguiu a quinta colocação geral, posição onde esteve ao longo de praticamente toda a prova. O tempo foi também o melhor do Brasil nesta prova desde 2009 no auge dos trajes tecnológicos. A vitória foi do super time dos Estados Unidos com 3min27s91.

O revezamento 4x100 medley - Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

O revezamento 4×100 medley – Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Brandonn Almeida foi o responsável por fazer a última final individual do Brasil em Budapeste. Ele sabia que uma medalha seria difícil e na fina tinha como objetivo melhor sua melhor marca de 4min12s49. Não conseguiu, mas melhorou em relação as eliminatórias terminando em sétimo lugar com 4min13s00. A vitória foi o americano Chase Kalizs que dominou a prova e deu um show principalmente na parcial do nado peito onde abriu uma larga vantagem. Fechou a prova com 4min05s90 batendo o recorde de campeonato.

Com isso a natação brasileira terminou o Campeonato Mundial de Budapeste com números positivos. Foram ao todo cinco medalhas sendo uma de ouro e quatro de prata, um desempenho melhor em relação a Kazan-2015 e ao Rio-2016. O Brasil também chegou a 12 finais igualando a segunda melhor campanha do país em Mundiais que foi em Barcelona-2013, apenas abaixo da performance de Roma-2009. Foram ainda mais sete semifinais.

Brandonn Almeida nadou sua primeira final em Mundias - Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Brandonn Almeida nadou sua primeira final em Mundias – Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

O último dia de finais começou com tudo, ou melhor, com recorde mundial. Nos 50m peito feminino Lilly King venceu seu duelo particular contra a russa Yulia Efimova. King havia ganhado os 100m peito e Efimova os 200m. Hoje seria o dia do desempate e a americana fez valer a sua força ao ganhar os 50 metros com novo recorde mundial: 29s40, batendo a russa por 17 centésimos. Destaque negativo para Ruta Meilutyte que não subiu ao pódio desta vez.

Já nos 50m livre feminino não deu recorde mundial por apenas dois centésimos. Ontem na semifinal Sarah Sjöstrom bateu a marca de Britta Steffen com 23s67 e hoje novamente tentou melhorá-la. Não deu, mas a sueca pouco se importou, afinal venceu e foi campeã mundial na prova mais rápida do mundo com 23s69. Uma prova equilibrada onde Ranomi Kromowidjojo e Simone Manuel lutaram até o fim. Terceira medalha de ouro de Sjöstrom que com esses resultados se credencia para ser eleita no fim a temporada a melhor de 2017.

Alegria de Lilly King, decepção de Yulia Efimova (foto: Darko Bandic/AP)

Lilly King bateu mais uma vez Yulia Efimova – Foto: Darko Bandic/AP

Muitos atletas tentam encerrar suas carreiras por cima, com uma conquista de impacto. Porém, nem todos conseguem esses feitos por diferentes motivos. Camille Lacourt conseguiu. O francês, que já tinha conquistado sete medalhas em Mundiais, veio a Budapeste apenas para nadar os 50m costas. Queria encerrar sua carreira com uma medalha. Conseguiu. Com 24s35 venceu a prova e colocou um ponto final em sua trajetória nas piscinas.

A Duna Arena que ficou marcada pelo belo show de luzes e pela animação dos húngaros literalmente explodiu com a final dos 400m medley com a vitória de sua ídola máxima: Katinka Hosszu. A Dama de Ferro fez uma exibição de gala, nadando forte o tempo todo e próximo de seu recorde mundial estabelecido no Rio-2016. Não deu recorde mundial e sim de campeonato. E deu ouro. Um ouro muito comemorado com 4min29s33 e que fez toda a arena cantar o belo hino húngaro na cerimônia de premiação e a Dama de Ferro chorar de emoção.

Katinka Hosszu levou seu segundo ouro - Foto: Reprodução

Katinka Hosszu levou seu segundo ouro – Foto: Reprodução

A última prova individual do programa do Mundial foi os 1500m livre. E o favorito venceu. Gregorio Paltrinieri havia escondido o jogo nas eliminatórias e nadado apenas se classificar. Hoje o italiano conquistou o bicampeonato mundial na prova mais longa da natação mundial com 14min35s85 segurando o ímpeto do ucraniano Mykhailo Romanchuk que tentou roubar a cena, mas acabou com a medalha prata.

As mulheres encerraram sua participação no Mundial de Budapeste com a prova do revezamento 4×100 medley. O fortíssimo time dos Estados Unidos venceu e deu show ao bater o recorde mundial da prova com o espetacular tempo de 3min51s55. A equipe teve Kathleen Baker, Lilly King, Kelsi Worrell e Simone Manuel. A Rússia levou a prata e a Austrália conquistou o bronze, sua última medalha numa fraca campanha.

Camille Lacourt encerrou a carreira com ouro nos 50m costas - Foto: Reprodução

Camille Lacourt encerrou a carreira com ouro nos 50m costas – Foto: Reprodução

Chegou ao fim esse ótimo Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos. A tão falada ressaca olímpica é que esta ressaca, afinal, ela não deu as caras em Budapeste. Muitas boas atuações, 11 recordes mundiais e 29 países subiram ao pódio nas provas de piscina. E todos os resultados podem ser encontrados aqui.

Com o término do evento, o Brasil somou oito medalhas (duas de ouro, quatro de prata e duas de bronze) nas piscinas e nas águas abertas, que mostram que o país esta no rumo certo após meses de muitas turbulências e escândalos. Esperamos que Budapeste seja o início de um novo ciclo. Até porque esta é uma competição que ficará para sempre na memória.

Por Guilherme Freitas

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