Cold Channel Challenge: desafio nas águas mais geladas do mundo

Quatro provas em gélidas águas compõem esse desafio realizado na América do Sul e no extremo do hemisfério norte

13/05/2020 - Katarine Monteiro

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Nadando no gelo - Foto: Reprodução
Mapa do Canal de Beagle e o Estreito de Magalhães - Foto: Reprodução

Mapa do Canal de Beagle e o Estreito de Magalhães - Foto: Reprodução

Nadando no gelo - Foto: Reprodução

Nadar em águas geladas não é uma tarefa para qualquer um. Imagine nadar em águas realmente gélidas, quase congelantes. É o caso do Cold Channel Challenge, realizado em locais bastante gelados e que reúne ao todo quatro provas: no Canal de Beagle na Argentina, no Estreito de Magalhães e no Cabo Horn ambos no Chile e no Estreito de Bering, canal de água que separa os Estados Unidos e a Rússia.

O Travessia do Canal de Beagle é uma travessia de aproximadamente 5 km feita pelo canal que separa a Ilha Grande das ilhas Nueva, Picton, Navarino, Hoste, Londonderry, Stewart Islands e outras menores ao sul da Argentina. O estreito estende-se a Ilha Nueva, no leste, até Darwin Sound e Cook Bay, a oeste. A travessia é considerada uma das mais geladas do mundo e conta com uma curiosidade. Quem traçou a rota que os nadadores fazem até hoje foi a americana Lynne Cox, nadadora lendária de ultramaratonas. O percurso sai de Port Navarino e tem chegando em Port Ushuaia, na Terra do Fogo.

Mapa do Canal de Beagle e do Estreito de Magalhães – Foto: Reprodução

Bem pertinho dali esta localizado o Estreito de Magalhães, do lado chileno do mapa. A travessia é curta com apenas 2 km de extensão. Considerada a passagem natural mais importante entre os Oceanos Pacífico e Atlântico, fica ao sul do continente e ao norte da Ilha Grande. Este estreito tem uma rota muito difícil de atravessar devido ao clima hostil e à água extremamente gelada.

Em 1976 foi mais uma vez a americana  Lynn Cox foi a primeira pessoa a desbravar a nado o gélido estreito. Quase 40 anos depois, no dia 17 de janeiro de 2014, outro momento marcante da travessia: o americano Hunter Wright tornou-se a pessoa mais jovem a nadar pelo estreito aos 17 anos de idade.

Mapa do Cabo Horn, no Chile – Foto: Reprodução

A terceira prova do Desafio é a Travessia do Cabo Horn. O Cabo marca a fronteira norte da Passagem de Drake, que por muitos anos foi um marco importante na rota, pela qual os veleiros levavam o comércio ao redor do mundo. Com 2 km de extensão a prova é considerada perigosa, devido a ventos e correntes fortes, ondas grandes e até icebergs presentes no trecho.

Devido aos ventos fortes e às mudanças de clima nesta área, o nado normalmente ocorre em uma área protegida que se chama “Bahia Leon” na ilha do Cabo Horn. O objetivo final, se o tempo permitir, é completar a travessia entre os oceanos Atlântico e Pacífico, sendo o trajeto uma linha imaginária ao sul do Cabo Horn.

Mapa do Estreito de Bering – Foto: Reprodução

Por último, o Estreito de Bering. Com 4 km de extensão este estreito separa as Ilhas Diomede nos Estados Unidos e da costa oriental da Rússia. Mais uma vez coube a Lynne Cox ser a primeira pessoa do mundo a atravessar a nado o Estreito. Não bastasse o pioneirismo, Cox ainda encarou as gélidas águas geladas em plena Guerra Fria no ano de 1987.

Com a temperatura da água em torno de 3,3° C, ela lembra da dura jornada que passou no dia da prova. “Coloquei meu rosto na água e comecei a nadar o mais rápido que pude. Também estava olhando para meus ombros para ver se eles estavam ficando azuis, porque isso seria realmente perigoso”, comentou na ocasião.

O Estreito de Bering é considerado um dos locais mais perigosos para a navegação no mundo. Pesquisas mostram que entre os anos de 2000 e 2009, houve inúmeros naufrágios e mais de 500 pescadores morreram. Durante o inverno, as temperaturas caem para valores próximos aos -45º C tornando-se impraticável o ato de nadar na região. Caso queira saber mais sobre a história de Lynne Cox clique aqui.

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Katarine Monteiro

Jornalista da SWIM CHANNEL.

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