Como foi a campanha americana no Pan-Pacífico

País foi o que teve mais medalhas e recordes de campeonatos estabelecidos em Tóquio, mas desempenho geral deixou a desejar

13/08/2018 - Guilherme Freitas

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Caeleb Dressel - Foto: Reprodução

Caeleb Dressel - Foto: Reprodução

Mais uma vez a seleção americana saiu vencedora de um Campeonato Pan-Pacífico. Na piscina do Tatsumi International Swimming Center a equipe foi quem mais subiu ao pódio: 43 vezes. Foi também a que mais ganhou medalhas de ouro: 18 no total. E foi ainda a que mais recordes de campeonato estabeleceu: seis ao todo. Mesmo com todos esses fatores o desempenho dos americanos não foi dos melhores. Para aqueles mais brandos houve a sensação do “poderia ter sido melhor”. Mas para os mais rigorosos foi uma performance ruim.

A começar pelo desempenho de Caeleb Dressel. Eleito pela Fina o melhor do mundo em 2017, Dressel fez uma campanha brilhante no Mundial de Budapeste quando conquistou sete medalhas de ouro. Porém, em sua primeira grande competição internacional desde o Mundial não brilhou e passou longe de suas melhores marcas pessoais. O único ouro individual foi nos 100m borboleta com 50s75, bem acima dos 49s86 do ano passado. E as pratas nos 50m e 100m livre também deixaram a desejar. Um resultado decepcionante.

Katie Ledecky – Foto: François Xavier Marit/Getty Images/AFP Photo

Quem também passou longe de brilhar foi Katie Ledecky. A fenomenal fundista teve uma campanha razoável, deixando Tóquio com cinco medalhas e apenas um recorde de campeonato atingido nos 800m livre. Nos 400m livre foi acompanhada de perto pela australiana Ariarne Titmus e nos 200m livre foi batida pelas jovens Taylor Ruck e Rikako Ikee, conhecendo sua primeira medalha de bronze em um evento internacional de grande porte. Ledecky também não conseguiu levar o revezamento 4x200m livre ao ouro, sendo batida pelas valentes australianas.

Campeã olímpica e mundial nos 100m livre, Simone Manuel foi outra estrela americana que não teve uma boa competição. A velocista foi batida em todos os duelos que teve contra Cate Campbell. No total, cinco vitórias da australiana contra Manuel: nos 50m e 100m livre e nos revezamentos 4x100m livre, 4x100m medley e 4x100m medley misto. Um verdadeiro massacre de Campbell que foi talvez a melhor nadadora desta competição. Outro destaque negativo do time americano foi o nado peito masculino que não subiu ao pódio tanto nos 100m, como nos 200m.

Simone Manuel – Foto: Sports Illustrated

Revezamentos foi algo que de fato não deu certo para o time americano em Tóquio. Foram três derrotas para a Austrália no feminino, um atropelo de australianos e japoneses no 4x100m medley misto e uma trapalhada bizarra no 4x100m livre masculino, quando os atletas nadaram em ordem invertida e acabaram sendo desclassificados após terem conquistado a medalha de ouro. E mesmo as vitórias nos 4x200m livre 4x100m medley masculino foram sofridas, na bacia das almas e sem brilho.

Mas nem tudo foi ruim para os americanos. Também aconteceram bons momentos. A começar por Ryan Murphy, talvez o melhor nadador do campeonato. Seus novos recordes de campeonato nos 100m e 200m costas foram bastante expressivos, principalmente o dos 100m quando ficou a apenas nove centésimos de seu próprio recorde mundial. Destaque positivo também para Chase Kalizs nos 200m e 400m medley. O americano colocou no bolso os japoneses Kosuke Hagino e Daiya Seto se afirmando como o melhor nadador de medley do mundo.

Ryan Murphy – Foto: Lee Jin-man/AP Photo

O Campeonato Pan-Pacífico não tem o peso de um Mundial ou Olimpíada, mas é um estágio importante do ciclo olímpico. Em um todo foi uma campanha fraca dos americanos, ainda mais sendo esse evento decisivo para formação da seleção nacional para o próximo Mundial em Gwangju. Os americanos mais uma vez venceram uma competição internacional, porém, não nadaram bem e viram fortes adversários como australianos e japoneses deixarem o Tatsumi International Swimming Center motivados.

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Guilherme Freitas

Jornalista sênior da SWIM CHANNEL.

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