Conheça um pouco mais sobre Pedro Monteiro, o criador Rei e Rainha do Mar

Idealizador do maior festival de esportes de praia do Brasil, foi o melhor nadador de borboleta do país por quase uma década

25/04/2019 - Patrick Winkler

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Pedro Monteiro - Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA
Pedro Monteiro - Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Pedro Monteiro - Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Pedro Monteiro - Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Muitos atletas que participam do Rei e Rainha do Mar já ouviram falar de Pedro Monteiro, principalmente pelo cargo de diretor da Effect Sport e que foi um excelente nadador. Nascido no Rio de Janeiro no ano 1975, “flamenguista roxo” e pai do Joaquim, a SWIM CHANNEL resgata o lado profissional de Pedro Monteiro nas piscinas.

 

SWIM CHANNEL: Primeiramente gostaríamos de saber onde foi que você aprendeu a nadar?

PEDRO MONTEIRO: Aprendi a nadar no Clube Campestre, que fica no Alto Leblon. Eu aprendi a nadar antes de andar. Com um ano e alguns meses minha mãe me levava no clube, me soltava na piscina e eu já nadava. Inclusive, a Patrícia Amorim (ex-nadadora olímpica) chegou a ter uma escolhinha de natação lá alguns anos atrás.

SWIM CHANNEL: E qual seu primeiro clube como atleta federado?

PEDRO MONTEIRO: Clube de Regatas do Flamengo. Cheguei ao clube com sete anos e outro dia achei aqui uma carteirinha de sócio com a data de 1985, quando tinha dez anos. Meu primeiro título carioca eu ganhei quando tinha 11 anos. Fiz 1min11s nos 100m borboleta. Lembro também que era muito pequeno nessa época e que até os 16 anos eu tinha pouco mais de 1,60m de altura. Depois “dei um estirão” até chegar a minha altura atual de 1,78m. Foi uma época também onde deixei a natação um pouco lado, tentando investir no futebol que eu gostava de jogar. Mas depois acabei voltando todo meu foco na piscina, meus tempos abaixaram e comecei a treinar com mais empenho.

Pedro Monteiro – Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

SWIM CHANNEL: Quando foi que você resolveu ir para os Estados Unidos? E como foi sua vida por lá?

PEDRO MONTEIRO: Teve uma época que meus pais se mudaram para os Estados Unidos e fui junto com eles. Estava numa fase onde queria morar fora do Brasil. Fui assaltado várias vezes no Rio de Janeiro (infelizmente) , estava cansado e queria mudar de ares. Primeiro passei um tempo em Boston estudando em um colégio. Era uma rotina “maluca” onde fazia muitas coisas de bicicleta. Como não tinha carro acordava as 3h30 da manhã e pedalava por uns 20 minutos até chegar a uma rodovia para pegar carona com algum colega de treino que passasse por lá no meio da madrugada. O treino começava as 5h da manhã. Depois voltava pra casa, tomava café, ia para escola e a tarde fazia tudo de novo. Dois anos depois mudei para o estado do Ohio onde fui fazer faculdade de economia. Lá durante o período da Universidade, nadei e estudei na Kenyon College. Foram quatro anos competindo por Kenyon onde também tenho ótimas lembranças. 

SWIM CHANNEL: Antes de você ir para os Estados Unidos quais foram seus principais técnicos no Flamengo?

PEDRO MONTEIRO: Treinei  com o Paulo Pavão, com o Rômulo Noronha e fiz poucos treinos com o Daltely Guimarães durante as aclimatações que fazia quando voltava dos Estados Unidos para competir aqui. O Daltely era um técnico diferenciado, tinha muitas qualidades e sempre achei que ele estava a frente de seu tempo.

SWIM CHANNEL: E nos Estados Unidos, qual foi melhor técnico com quem você trabalhou?

PEDRO MONTEIRO: Foi o James Steen que era o head coach do Kenyon College. Ele se aposentou recentemente e foi um dos grandes técnicos da natação universitária americana tendo conquistados mais de 20 títulos consecutivos na divisão 3 do NCAA. Nos Estados Unidos ganhei provas em todos os anos em que nadei lá, com exceção de 1996 quando estava treinando parte no Tennessee e parte no Rio de Janeiro visando atingir o índice olímpico para os Jogos de Atlanta em 1996. Fui campeão de 200 borboleta, 100 borboleta e até 100 costas, além das provas em revezamentos.

Vista da piscina da Kenyon College – Foto: Reprodução

SWIM CHANNEL: Você também chegou a nadar contra grandes nomes dos 200m borboleta no Brasil, como Kaio Márcio de Almeida, André Teixeira e Artur Pedroza. Como foi competir e treinar com eles?

PEDRO MONTEIRO: Eles foram grandes nadadores da minha geração, no caso do Andre Teixeira e Artur Pedroza, que são um pouco mais velhos do que eu, nadamos contra várias vezes ao longo da minha carreira. Lembro que as vezes chegamos a fazer alguns treinos juntos e que sempre nos encontrávamos nos campeonatos. Lembro inclusive de ter enfrentado eles numa etapa da Copa do Mundo da Fina no Rio de Janeiro no fim da década de 1990. Sempre fazíamos ótimos confrontos. Com o Teixeira cheguei a treinar um tempo com ele também nos Estados Unidos, no Tennessee, em busca da vaga olímpica. Uma das principais disputas contra André Teixeira foi no Troféu Jose Finkel de 1995, onde estabeleci o novo recorde sul-americano dos 200m borboleta (1min56s99 na curta). Outro constante adversário da década de 1990 foi Maurício Cunha do Tijuca Tênis Clube (atleta que tinha espetacular nado de submerso). Nos anos 2000, o grande adversário foi Kaio Marcio, que evoluiu de maneira fulminante. Um dos resultados mais importantes da minha carreira foi a medalha de bronze nos 200m borboleta nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo e na ocasião o Kaio conquistou a prata. Entre idas e vindas, minha ultima competição foi a seletiva para os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro em 2007, onde finalizei na terceira posição atrás do Kaio e do Lucas Salatta. Na ocasião já estava inserido no mercado de trabalho e minha agenda já não era dedicada integralmente a natação.

Kaio Marcio e Pedro Monteiro no Pan de Santo Domingo – Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

SWIM CHANNEL: E para fechar essa primeira parte da entrevista, qual foi a melhor prova da sua vida?

PEDRO MONTEIRO: Fiz muitas provas boas na minha vida, como os 200m borboleta dos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo quando nadei duas vezes abaixo dos 2 minutos (1min59s93 na eliminatória e 1min59s38 na final) e ganhei a medalha de bronze. Ou dos 200m borboleta no Mundial de piscina curta de Gotemburgo em 1997 quando disputei minha única final de Mundial. Mas acho que a melhor performance da minha vida foi a final dos 200 borboleta na divisão 3 do NCAA em 1997. Lembro que venci a prova com o tempo de 1min45s25 que na época era um baita tempo e que me colocaria no pódio da prova na divisão 1. Foi a prova mais perfeita que nadei.

 

Pedro Monteiro sempre teve um estilo de vida saudável alinhando esporte, boa alimentação e muita meditação. O criador do Rei e Rainha do Mar se mantém ativo, realizando pequenos trechos de corrida de rua, pedalando bastante pelo Rio de Janeiro e quando possível, sempre nadando com a famosa equipe dos LL Gladiadores no posto 6 da Praia de Copacabana.

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Effect Sport entrevista Jogos Pan-Americanos natacao Pedro Monteiro Rei e Rainha do Mar

Patrick Winkler

Editor-chefe da SWIM CHANNEL.

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