Lynne Cox: a primeira a nadar no Estreito de Bering

Americana foi a primeira pessoa a nadar o estreito de água que separa os Estados Unidos e a Rússia em plena Guerra Fria

20/03/2020 - Katarine Monteiro

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O Estreito de Bering - Foto: Reprodução
Lynne Cox - Foto: Reprodução

Lynne Cox - Foto: Reprodução

O Estreito de Bering - Foto: Reprodução

Lynne Cox foi a primeira pessoa a atravessar a nado o Estreito de Bering, que separa os Estados Unidos e a Rússia. Não bastasse ser a primeira a enfrentar os 4,3 km em águas geladas, ela completou o desafio em plena Guerra Fria, no ano de 1987.

Aos 30 anos Cox nadou entre a Ilha Little Diomede, no estado americano do Alasca, e a Ilha Big Diomede, na União Soviética, atravessando a fronteira marítima dos dois países que ainda estava bloqueada devido a Guerra Fria. Vinte e cinco anos depois deste feito, ela lembra de como suas ações nos dias finais da Guerra Fria conseguiram amenizar as tensões internacionais.

“Eu queria abrir a fronteira para que pudéssemos nos tornar amigos”, diz Cox. “A dificuldade era que ninguém acreditava que isso pudesse acontecer”, disse certa vez em entrevista ao canal inglês de notícias BBC.

Mapa mostrando a localização das ilhas Diomede – Foto: Reprodução

Com a temperatura da água em torno de 3,3° C, ela lembra da dura jornada que passou no dia da prova. “Coloquei meu rosto na água e comecei a nadar o mais rápido que pude. Também estava olhando para meus ombros para ver se eles estavam ficando azuis, porque isso seria realmente perigoso”, comentou.

“Houve uma perda instantânea de ar”, lembra. “O frio era como um vampiro enorme puxando o calor do meu corpo. Olhei para os meus dedos e eles eram totalmente cinzentos, como as mãos de um cadáver”, completou.

Cox tem no currículo outras famosas travessias em águas abertas como a do Canal da Mancha, do Canal de Catalina, e do Estreito de Cook, que fazem parte do Desafio dos Sete Mares.

Cox com um oficial soviético – Foto: Rich Roberts

Em 1971, aos 15 anos de idade, ela nadou no Canal da Mancha. Quatro anos depois, em 1975, tornou-se a primeira mulher a nadar através o Estreito de Cook, na Nova Zelândia e em 1977 foi a primeira pessoa a dar a volta no Cabo da Boa Esperança, na África do Sul, que totalizou 12,8 km.

A ideia de nadar o Estreito foi em 1976, quando passou muitos anos tentando obter a permissão dos soviéticos de nadar em suas águas. Na véspera da prova, ainda não havia notícias de Moscou e os militares de ambos os lados da Guerra Fria estavam nervosos.

“Sabíamos que algo estava acontecendo porque os soviéticos levaram dois navios do tamanho de campos de futebol para o estreito de Bering”, lembra a nadadora.

Faltando apenas 24 horas veio a permissão de Moscou. O próprio presidente Mikhail Gorbachev viu uma reportagem na TV e decidiu que seria muito embaraçoso dar uma resposta negativa. Na manhã do dia 7 de agosto de 1987, Cox acordou e começou seu desafio. Os últimos 800m foram a parte mais difícil do trajeto devido as fortes correntes marítimas.

Lynne Cox – Foto: Reprodução

“Tinha especialistas ao meu redor, mas sempre há o risco de você sofrer uma parada cardíaca por hipotermia e isso pode acontecer muito rápido, então fiquei no limite o tempo todo”, lembrou sobre o final de prova.

“Estendi meu braço e dois russos em uniforme militar me agarraram”, diz Cox. “Senti instantaneamente esse calor de suas mãos quentes. Um cara estava colocando o braço debaixo de mim para me firmar. As pessoas estavam jogando cobertores e casacos em cima de mim. Eu não entendi nada, exceto que eles estavam dizendo ‘bem-vinda'”, relembrou Cox.

A prova transformou Cox em uma celebridade da Guerra Fria nos Estados Unidos e também na União Soviética. Quando o presidente Gorbachev viajou para Washington para assinar um tratado sobre armas nucleares no final daquele ano, ele e o presidente Ronald Reagan ergueram um copo para brindar a nadadora. “Ela provou com coragem o quão próximos um dos outros vivem”, disse Gorbachev.

Matéria feita com informações da BBC News.

Katarine Monteiro

Jornalista da SWIM CHANNEL.