Mercedes Gleitze: a primeira a nadar o Estreito de Gibraltar

Em 1928 a nadadora inglesa tornou-se a pioneira a concluir a travessia entre a costa da Espanha e a costa do Marrocos

31/01/2020 - Katarine Monteiro

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Vista do Estreito de Gibraltar - Foto: Reprodução
Mercedes Gleitzer - Foto: Getty Images

Mercedes Gleitzer - Foto: Getty Images

Vista do Estreito de Gibraltar - Foto: Reprodução

Uma das provas de águas abertas mais famosas do mundo, a Travessia do Estreito de Gibraltar, foi percorrida pela primeira vez em 1928. O feito coube a Mercedes Gleitze, primeira primeira pessoa a nadar os 14 km que separam a costa espanhola de Punta Oliveiros até a costa marroquina de Punta Cires.

A britânica completou o desafio em abril de 1928, alguns meses após tornar-se a primeira inglesa a atravessar a nado o Canal da Mancha. Em 1927, ela completou a travessia do Canal de 33 km em 15h15min após oito tentativas mal-sucedidas.

Mercedes, depois de completar o Canal, decidiu desistir da sua vida no escritório de datilografia e se dedicar às águas abertas. Toda travessia que fazia levava a imprensa em peso e, com isso, acabou se tornando um fenômeno esportivo. Depois do Canal da Mancha ela nadou o Estreito de Gibraltar, atravessou as duas ilhas da Nova Zelândia e nadou pela Ilha Robben, na África do Sul.

Mercedes Gleitze – Foto: Getty Images

Celebridade na juventude, Mercedes nasceu em 1900 e era filha de pais alemães que moravam em Brighton. Antes da Primeira Guerra Mundial, seus pais voltaram para a Alemanha e aos 18 anos ela acreditava que o único jeito de voltar a Inglaterra era ganhando dinheiro e nadando o Canal.

Quando decidiu nadar o Estreito de Gibraltar, sua prova foi acompanhada por testemunhas espanholas que fizeram com que o desafio fosse questionado por um jornal britânico, que dizia que apenas os observadores britânicos eram confiáveis. No entanto, as fotos da sua prova viralizaram e ela aumentou ainda mais sua fama.

Em 1927, Mercedes e sua amiga Millie Hudson tentaram fazer a travessia em Gibraltar, mas a rota selecionada não foi a melhor e elas não completaram a travessia. Um ano depois, Mercedes tentou novamente partindo de Tarifa, na Espanha, obtendo êxito e chegando à costa do Marrocos em 12h50min, tornando-se a primeira pessoa a completar a travessia a nado.

“Ela não tinha empresário, estava organizando tudo sozinha. Foi pioneira em muitos aspectos: uma mulher solteira,  fazendo nada que nenhum homem jamais havia feito antes”, disse Doloranda Pember ao jornal inglês The Telegraph. Doloranda é filha de Mercedes e escreveu um livro sobre a mãe.

Mercedes Gleitzer – Foto: Reprodução

Em 1931, ela criou uma maneira de nadar e ganhar dinheiro sem ser no mar ou lago. Mercedes planejava nadar nas piscinas locais por até 48 horas sem parar, sem tocar o fundo ou os lados. Seus esforços de resistência na maratona atraíram milhares de patrocinadores.

“Ela fez disso um entretenimento”, diz Doloranda. “As bandas de jazz apareciam e tocavam à beira da piscina. Mas era frequentemente repreendida em seus eventos por ser uma mulher pioneira”, conta a filha.

Mercedes conseguiu quantias consideráveis ​​e costumava doar parte para os necessitados, construindo e administrando um albergue para sem-tetos em Leicester, chamado Casa Mercedes Gleitze para Desamparados, uma instituição de caridade que funciona há quase 90 anos. Em 1969, foi introduzida no Hall da Fama da Maratona Internacional de Natação.

Doloranda Pember – Foto: Tom Pilston

Mercedes parou de nadar em 1934, pouco antes de Doloranda, sua primeira filha nascer. “Ela era excêntrica”, diz Doloranda. “Ela colocou toda a sua vida esportiva no sótão e nunca mais falou sobre isso”. Graças ao trabalho da filha, a vida de Mercedes foi revelada.

Doloranda, que nunca chegou a ver sua mãe nadar, decidiu reunir as histórias dos feitos da mãe em um livro após a morte de Mercedes em 1981. O livro In The Wake Of Mercedes Gleitze foi publicado pela History Press e pode ser encontrado aqui.

Katarine Monteiro

Jornalista da SWIM CHANNEL.