Curiosidades e números do 1º dia: Ledecky e revezamento do Brasil históricos

23/07/2017

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Um dia especial para iniciar a natação no Mundial de Budapeste: Katie Ledecky e Sarah Sjostrom fazendo história, Sun Yang tricampeão e o Brasil experimentando um início de competição como há muito não se via, com dois recordes sul-americanos, classificações para finais, uma prata inacreditável no 4x100m livre masculino e uma empolgação que deve contagiar toda a equipe para os próximos dias.

– A cada dia temos que buscar novos adjetivos para definir Katie Ledecky. E hoje não é diferente. Com as vitórias nos 400m livre e revezamento 4x100m livre, a americana completa 11 medalhas de ouro em Mundiais e se iguala a sua compatriota Missy Franklin como mulher mais vencedora da história da competição. Detalhe: Ledecky jamais perdeu uma prova na história da competição! Desde 2013 são 11 provas, 11 ouros, uma sequência incrível e jamais vista. E quem duvida que ela irá aumentá-la? O 4x100m livre era a prova mais difícil e ela venceu. Nos 200m, 800m, 1500m e 4x200m livre, são quatro ouros quase certos. Foram quatro ouros em 2013, cinco em 2015 e tudo se encaminha para incríveis seis em 2017.

Imagem rotineira: Katie Ledecky mais uma vez no alto do pódio (foto: AP)

Imagem rotineira: Katie Ledecky mais uma vez no alto do pódio (foto: AP)

– Talvez ela não tenha ficado muito contente com sua marca nos 400m livre. Afinal, havia feito 3min58s44 no Campeonato Americano, e declarara que nunca havia nadado um campeonato nacional tão pesada, em meio a fortes treinamentos. Por isso, talvez ela esperasse nadar melhor que seu 3min58s34 de hoje. De qualquer forma, segunda melhor marca da história, atrás apenas do fantástico recorde mundial de 3min56s46 da Olimpíada, e agora ela possui os oito tempos mais rápidos tempos da história, e nove entre os dez melhores.

Top 10 melhores tempos all-time 400m livre feminino
1.  3min56s46 K. Ledecky, USA    Olimpíada 2016
2.  3min56s34 K. Ledecky, USA    Mundial 2017
3.  3min58s37 K. Ledecky, USA    Pan-Pacífico 2014
4.  3min58s44 K. Ledecky, USA    Camp. Americano 2017
5.  3min58s71 K. Ledecky, USA    Olimpíada 2016 (elim.)
6.  3min58s86 K. Ledecky, USA    Campeonato Americano 2014
7.  3min58s98 K. Ledecky, USA    Sel. Olímpica 2016
8.  3min59s13 K. Ledecky, USA    Mundial 2015
9.  3min59s15 F. Pellegrini, ITA Mundial 2009
10. 3min59s54 K. Ledecky, USA    USA Grand Prix 2016

– Em nosso preview de provas imperdíveis, havíamos previsto que, desta vez, finalmente Sarah Sjostrom poderia sair multimedalhista dourada e se colocar no nível de Katie Ledecky e Katinka Hosszu na natação feminina. E o primeiro dia dá sinais de que isso realmente irá acontecer. Na eliminatória e na semifinal dos 100m borboleta, sem novidades, a sueca nadou duas vezes na casa dos 55 segundos. Com as marcas, ela completa dez vezes abaixo dos 56s e tem agora os dez melhores tempos da história. O ouro amanhã é barbada. E o melhor ainda viria no encerramento da sessão: abrindo o revezamento 4x100m livre para a Suécia, fez 51s71 e superou o recorde mundial de 52s06 dos 100m livre da australiana Cate Campbell. A marca é tão incrível que somente Campbell, com 51s59 em 2014, tem tempo melhor com saída livre na história dos revezamentos!

Sarah Sjostrom após sua semifinal nos 100m borboleta (foto: Christine Olsson/TT)

Sarah Sjostrom após sua semifinal nos 100m borboleta (foto: Christine Olsson/TT)

– Com a vitória nos 400m livre, o chinês Sun Yang conquista sua nona medalha de ouro em Mundiais. Como ainda irá nadar os 200m, 800m e 1500m livre, pode igualar e até superar os ouros de Ian Thorpe (11), Grant Hackett e Aaron Peirsol (10 cada), ficando atrás, entre homens, somente de Michael Phelps (absurdas 26 vitórias) e Ryan Lochte (18).

– A semifinal dos 50m borboleta masculino foi fortíssima, com cinco nadadores abaixo de 23s. Mas não foi a mais forte da história em termos de classificação para a final: no Mundial de 2013, em Barcelona, foi necessário 23s16 para ficar entre os oito, e hoje, o tempo foi de 23s31. Em Barcelona, cinco nadadores também nadaram abaixo de 23s na semi, mas na final Cesar Cielo venceu com 23s01. Não esperamos que isso ocorra novamente amanhã. Nicholas Santos, com 22s84, já fez 22s61 esse ano, e Henrique Martins, com 23s13, já fez 22s70, ou seja, expectativa para mais alguns sub-23s e, quem sabe, dois brasileiros no pódio.

– A semifinal dos 100m peito masculino, essa sim, foi a mais forte de todos os tempos. O tempo de 59s24, que daria a quinta posição olímpica no ano passado, foi a marca necessária para classificação em oitavo lugar para a final hoje. E isso que o vice-campeão olímpico, o sul-africano Cameron van der Burgh, inexplicavelmente não apareceu para nadar. Felipe Lima, que com seu 59s32 do Maria Lenk seria finalista olímpico, hoje mesmo se repetisse sua marca não conseguiria final. Assim como João Gomes Júnior, que terminou em quinto na final olímpica com 59s31, e esse mesmo tempo não daria final agora. Como ambos pioraram um pouco suas marcas, ainda que nadando na casa dos 59s, não terão a chance de brigar por medalhas. Na frente, um imbatível Adam Peaty, que bateu duas vezes o recorde de campeonato hoje, é o único na casa dos 57s e não tem adversários pelo ouro. Resta saber se ameaçará seu já incrível recorde mundial de 57s13.

– Katinka Hosszu, nos braços da torcida, não deve ter dificuldades para garantir mais um ouro nos 200m medley amanhã, após se classificar na primeira posição na semifinal. Mas o maior destaque vai para Joanna Maranhão. Com 2min11s24, supera seu recorde sul-americano de 2min12s12 de 2009, ou seja, melhora quase um segundo uma marca da era dos trajes tecnológicos. O 10º lugar é sua melhor posição em Mundiais. Seu final de prova de 30s75 foi espetacular, pior somente que as primeiras três colocadas (Hosszu, a americana Melanie Margalis e a canadense Sydney Pickrem). Em comparação com o antigo recorde, ela melhorou cerca de meio segundo no peito e também no livre, resultando na melhora total de quase um segundo. Fica grande a expectativa para sua melhor prova, os 400m medley, no último dia. Confira a comparação das parciais:

2017: 28s34 33s14 39s01 30s75 – 2min11s24
2009: 28s33 33s17 39s48 31s14 – 2min12s12

– Bruno Fratus havia avisado a SWIM CHANNEL há quase dois meses (confira aqui): o Brasil brigaria pela medalha de ouro no revezamento 4x100m livre. Ele não poderia estar mais certo. Por isso, é impossível não dar um destaque especial à prova em que a equipe brasileira conquistou a medalha de prata com Gabriel SantosMarcelo ChierighiniCesar Cielo e Bruno, lutando pelo ouro até o final com os Estados Unidos. Sem dúvidas, foi a melhor prova de revezamento já nadada na história do país. Jamais o Brasil brigou pelo ouro em uma competição de nível mundial em piscina longa. Vejam a relevância do feito: o tempo de 3min10s34 é o quarto melhor tempo da história da prova excluindo-se o período dos trajes tecnológicos – pior somente que o 3min09s92 dos Estados Unidos da Olimpíada de 2016, o 3min09s93 da França na Olimpíada de 2012 e o 3min10s06 da equipe americana de hoje. O tempo supera o recorde sul-americano de 2009 de 3min10s80, e é o primeiro marca da América do Sul de revezamentos masculinos a cair após a era dos trajes tecnológicos.

Equipe brasileira do 4x100m livre comemora (foto: Satiro Sodré/SSPress)

Equipe brasileira do 4x100m livre comemora (foto: Satiro Sodré/SSPress)

– O Brasil teve, simplesmente, as duas melhores parciais de toda a prova: 46s85 de Marcelo Chierighini e 47s18 de Bruno Fratus, que fechou melhor até que Nathan Adrian, campeão olímpico dos 100m livre em 2012, que nadava ao seu lado. De se destacar também a abertura de Caeleb Dressel com 47s26 (passagem de 22s29!), pintando como favorito ao ouro da prova individual. A parcial de Marcelo é a sétima melhor da história sem trajes tecnológicos:

Top 10 all-time parciais de 100m livre masculino em revezamento sem trajes tecnológicos
1.  46s60 C. McEvoy, AUS      Mundial 2015
2.  46s70 P. Hoogenband, NED  Mundial 2003
3.  46s72 K. Chalmers, AUS    Olimpíada 2016
4.  46s74 Y. Agnel, FRA       Olimpíada 2012
5.  46s74 N. Adrian, USA      Olimpíada 2016
6.  46s79 P. Hoogenband, NED  Olimpíada 2004
7.  46s85 M. Chierighini, BRA Mundial 2017
7.  46s85 N. Adrian, USA      Olimpíada 2012
9.  46s90 F. Gilot, FRA       Mundial 2013
10. 46s91 N. Zetao, CHN       J. Asiáticos 2014

– Em Mundiais, a única medalha do país em revezamentos havia sido um bronze em 1994 (veja mais sobre essa prova aqui). Em Jogos Olímpicos, também um bronze em 2000. Em 2009, a equipe brigou por medalha no Mundial de Roma e terminou na quarta posição, colocação repetida em 2015, em Kazan. Na Olimpíada do Rio de Janeiro, a quinta posição. E, com o tempo de hoje, teria conquistado a prata olímpica no ano passado. Mas é difícil dizer que a equipe poderia ter tido a condição de um desempenho semelhante em 2016, afinal Gabriel Santos ainda estava evoluindo, Cesar Cielo não estava na equipe e Bruno Fratus, com um problema na coluna, sequer nadou a prova. O que importa agora é a projeção do que a equipe pode alcançar no futuro. E, claro, a injeção de confiança que o resultado dá aos nadadores ainda para esse Mundial. Alguma dúvida que Bruno irá com tudo brigar pelo ouro nos 50m livre e Marcelo é mais do que nunca candidato ao pódio nos 100m? Sem falar em Cesar e Gabriel, que também chegam fortes para as provas individuais.

Por Daniel Takata

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