Curiosidades e números do 2º dia: Nicholas Highlander, Peaty monstro

24/07/2017

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Um segundo dia de competições da natação no Mundial de Budapeste em que três das quatro finais tinham vencedores como cartas marcadas – só faltou Katie Ledecky entre os maiores nomes da natação vencendo hoje. E justamente na única final em aberto, a esperança era para Nicholas Santos nos 50m borboleta.

– Desde o Troféu Maria Lenk, em que fez 22s61, Nicholas Santos dizia que buscava o recorde mundial de 22s43 nos 50m borboleta. Ainda não foi desta vez, mas há motivos de sobra para comemorar a medalha de prata. 22s79 é seu melhor tempo em Mundiais, apenas quatro centésimos atrás de Benjamin Proud. O britânico e o brasileiro tiveram excelentes saídas, mas ainda melhor foi o americano Caeleb Dressel, que no entanto não teve boa parte nadada e terminou fora do pódio – seu tempo da semifinal de 22s76 lhe daria a prata. Nicholas esteve em ligeira vantagem em relação a Proud por boa parte da prova, mas o britânico teve uma melhor chegada e levou com 22s75. O brasileiro vai encurtando sua distância para a medalha de ouro. Em 2013, ficou na quarta posição, e com o tempo da semifinal levaria o ouro. Em 2015, ficou com a prata 12 centésimos atrás de Florent Manaudou. Agora, quatro centésimos separam-lhe da primeira posição. 2019 está aí!

Nicholas Santos (foto: Satiro Sodré/SSPress)

Nicholas Santos (foto: Satiro Sodré/SSPress)

– Já são dez vezes que Nicholas nadou abaixo dos 23s nos 50m borboleta, sendo que nove delas após a era dos trajes tecnológicos. Ninguém nadou tanto na casa dos 22 segundos no mundo quanto ele.

Top 10 melhores tempos 50m borboleta – Nicholas Santos
1. 22s61 Maria Lenk 2017
2. 22s79 Maria Lenk 2012
2. 22s79 Mundial 2017
4. 22s80 Maria Lenk 2017 (elim.)
5. 22s81 Mundial 2013 (semi)
6. 22s84 Mundial 2017 (semi)
7. 22s87 Finkel 2009
8. 22s90 Maria Lenk 2015
9. 22s95 Open 2014
10. 22s97 Raia Rápida 2014

– Nicholas já era o mais velho medalhista da história da competição, com a prata na mesma prova aos 35 anos em 2015, e agora aos 37 sobe ainda mais o sarrafo. O mais velho campeão continua sendo o alemão Mark Warnecke, 35 anos nos 50m peito em 2005.

– Henrique Martins, sexto colocado com 23s14, saiu feliz por ter disputado a final em sua primeira prova de seu primeiro Mundial de longa, mas não satisfeito. Afinal, havia feito 22s70 algumas semanas atrás. Tem a consciência de que se preparou para os 100m borboleta e que, nos 50m, sua saída e seu estilo de nado não foram páreos para os dos adversários.

– Adam Peaty consegue o terceiro bicampeonato mundial da história dos 100m peito masculino, após o húngaro Norbert Rosza em 1991 e 1994 e o americano Brendan Hansen em 2005 e 2007. Não conseguiu baixar o recorde mundial de 57s13, fazendo a segunda melhor marca da história com 57s47. Mas o que pouca gente notou é que o britânico quase bateu o recorde mundial dos 50m peito na passagem da prova! Passou com 26s50, e o recorde dos 50m é dele mesmo de 26s42. E o que impressiona é que, passando em um ritmo alucinadamente forte, ele tem forças para também ter a melhor parcial de volta: foi o único a voltar abaixo de 31s. Estamos falando de outro nível de nadador. As 10 melhores marcas da história da prova são todas dele. Em tempo: o tempo de 59s01 de Felipe França na eliminatória olímpica de 2016 levaria a medalha de bronze, e o melhor tempo de João Gomes Júnior de 59s06 ficaria a um centésimo do pódio.

Top 10 melhores tempos all-time 100m peito masculino
1.  57s13 Adam Peaty, GBR  Olimpíada 2016
2.  57s47 Adam Peaty, GBR  Mundial 2017
3.  57s55 Adam Peaty, GBR  Olimpíada 2016 (elim.)
4.  57s62 Adam Peaty, GBR  Olimpíada 2016 (semi)
5.  57s75 Adam Peaty, GBR  Mundial 2017 (semi)
6.  57s79 Adam Peaty, GBR  Camp. Britânico 2017
7.  57s92 Adam Peaty, GBR  Camp. Britânico 2015
8.  58s18 Adam Peaty, GBR  Mundial 2015 (semi)
9.  58s36 Adam Peaty, GBR  Europeu 2016
10. 58s41 Adam Peaty, GBR  Camp. Britânico 2016

Adam Peaty comemora vitória (foto: reprodução)

Adam Peaty comemora vitória (foto: reprodução)

– Já Sarah Sjostrom vence pela quarta vez os 100m borboleta, após 2009, 2013 e 2015, e se torna a primeira a alcançar o feito em provas femininas na história dos Mundiais – no masculino, já conseguiram o feito Michael Phelps, Ryan Lochte, Grant Hackett e Aaron Peirsol. Seu tempo de 55s53 ficou a cinco centésimos do recorde mundial obtido no Rio de Janeiro no ano passado. A diferença para suas concorrentes foi nos primeiros 50 metros, com sua passagem de 25s67, única abaixo dos 26s, já que sua volta de 29s86 foi praticamente igual à da medalhista de prata Emma McKeon de 29s84 e da bronze Kelsi Worrell com 29s89. Ela se disse surpresa por ter chegado tão perto de seu recorde do ano passado, já que este ano se dedicou muito mais ao livre nos treinamentos do que ao borboleta.

– Katinka Hosszu não escondia que queria superar seu incrível recorde mundial de 2min06s12 nos 200m medley do Mundial de Kazan de 2015, tanto que abriu mão da semifinal dos 100m costas. Mas já havíamos adiantado que esse ano ela não estava em um nível de performance tão alto quanto nas outras temporadas. Mesmo sem ser a melhor nadadora que ela pode ser, ainda é muito superior na prova: mesmo quase um segundo distante do recorde, com 2min07s00, a vitória foi relativamente tranquila, com as melhores parciais de borboleta, costas e peito. Gritaria infernal na arena! Quem teve o melhor final foi a japonesa Yui Ohhashi com 30s28, e uma evolução incrível: ao terminar com a prata com o tempo de 2min07s91, abaixou nada menos que dois segundos de sua marca pessoal de 2min09s96, obtida no Campeonato Japonês deste ano. Será ela quem destronará a húngara nos próximos anos?

– O incidente bizarro do dia ocorreu na raia 3 dos 200m medley feminino. A canadense Sydney Pickrem, terceiro melhor tempo da semifinal, nadou os primeiros 50 metros e abandonou a prova. Saiu rapidamente da piscina e desapareceu. Algo raríssimo em uma competição de nível internacional. Lembramos da polonesa Otylia Jedrzejczak, ex-recordista mundial, que nos 200m borboleta no Mundial de 2001 engoliu água no meio da prova e parou por lá mesmo, saindo aos prantos da piscina. De acordo com comunicado da Federação Canadense, foi exatamente o mesmo que ocorreu com Pickrem hoje: engoliu muita água na parcial de borboleta e ao final dos primeiros 50 metros sentiu que não havia condições de continuar, por isso abandonou a prova.

– Desde o Troféu Maria Lenk de 2016, em que fez 53s10, Guilherme Guido ainda não conseguiu chegar perto de seus melhores tempos nos 100m costas (seu recorde sul-americano é 53s09 de 2015). Ao menos na semifinal hoje, com 53s71, o tempo foi suficiente para classificação para sua primeira final individual em Mundiais de longa – já havia sido finalista no 4x100m medley em 2009. Um problema com o acessório para a saída na raia do polonês Tomasz Polewka na primeira série semifinal fez com que os atletas tivessem que esperar alguns minutos dentro d’água até que o aparato fosse substituído, o que pode ter influenciado nas performances – inclusive de Guilherme. Somente ele e os últimos campeões olímpicos da prova, Ryan Murphy e Matt Grevers, passaram para a final nadando na primeira série. O chinês Jiayu Xu, que esse ano ficou a um centésimo do recorde mundial de Murphy, nadou incrivelmente fácil e pinta como o favorito.

Guilherme Guido (foto: Satiro Sodré/SSPress)

Guilherme Guido (foto: Satiro Sodré/SSPress)

– Difícil dizer se os tempos da final de amanhã dos 100m peito feminino serão tão fortes quanto foram da semifinal. Talvez não sejam. Mas a expectativa que se criou fará com que a final talvez seja a mais esperada do terceiro dia. Para começar, o clássico duelo Estados Unidos x Rússia, após os desaforos pronunciados por Lilly King por ocasião de sua medalha de ouro olímpica no ano passado em direção a Yulia Efimova por causa do assunto doping. hoje, Efimova, com 1min04s36, ficou a um centésimo do recorde mundial. King deu o troco na semifinal seguinte com 1min04s53, melhor marca pessoal e 40 centésimos melhor do que o tempo que lhe deu o ouro olímpico. Marrenta, fez até uma cara de “até que está bom”. E, para completar, a campeã olímpica em 2012 e recordista mundial Ruta Meilutyte fez 1min05s03, sua melhor marca desde 2013. Talvez esteja um pouco atrás das rivais, mas definitivamente está de volta, após tirar longas férias após a Olimpíada e deixar a Grã-Bretanha para treinar em sua Lituânia natal. Imperdível!

– Esperem recorde mundial nos 100m costas feminino amanhã. A canadense Kylie Masse não terá adversárias e, com 58s18, ficou a somente seis centésimos do recorde da britânica Gemma Sporthford da era dos trajes tecnológicos. Nos 200m livre masculino, prova muito equilibrada, com sete atletas para 1min45s. Dois britânicos lideraram a semifinal (Duncan Scott, que vem melhor nos 100m, e o atual campeão mundial James Guy). Sun Yang deu uma passeada e é nossa aposta.

Por Daniel Takata

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