Curiosidades e números do 4º dia: a consagração de João Gomes

26/07/2017

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A medalha de prata de João Gomes Júnior nos 50m peito, com recorde das Américas, foi o destaque brasileiro do quarto dia. Mas houve muita coisa boa, como a vitória de Federica Pellegrini nos 200m livre e a excepcional semifinal de Etiene Medeiros nos 50m costas.

João Gomes Júnior e sua medalha de prata (foto: Satiro Sodré/SSPress)

João Gomes Júnior e sua medalha de prata (foto: Satiro Sodré/SSPress)

– O nível dos 50m peito vinha sendo absurdo, e a final da prova deu sequência a isso. Vitória para Adam Peaty com 25s99, quatro centésimos mais alto do recorde mundial de ontem. Prova espetacular de João Gomes Júnior, que com 26s52 bate o recorde das Américas que já era dele e se torna o segundo nadador mais rápido da história da prova. A cada quatro anos, João chega à final da prova: foi 7º em 2009, 5º em 2013 e agora finalmente chega ao pódio com a prata. Felipe Lima não fez uma prova tão boa quanto ontem, mas chegou perto de seu tempo com 26s78 e terminou em quarto. A impressão é que sua saída não foi tão eficiente, mas o saldo é positivo, já que nadou pela primeira vez abaixo de 27s nesse campeonato e o fez por três vezes. A medalha de João é a quarta conseguida pelo país em provas de peito na história da competição.

– Uma pena que a sueca Sarah Sjostrom decidiu não nadar os 200m livre desta vez. Ela se juntaria a Katie LedeckyKatinka Hosszu e Federica Pellegrini numa versão da prova do século masculina que ocorreu 2004 (Thorpe x Hoogenband x Phelps x Hackett). Mas, mesmo assim, ninguém saiu decepcionado. Está certo, talvez Ledecky, que, em sua 13ª prova em Mundiais, sai sem o ouro pela primeira vez e, com 1min55s18, empata pela prata com a australiana Emma McKeon. Estranhamente, a americana havia feito na semifinal ontem um tempo que lhe daria o ouro hoje (1min54s69) nadando meia hora após a final dos 1500m livre. Quem não tem nada a ver com isso é Pellegrini. Com um final de prova matador de 28s82, quase um segundo melhor que Ledecky e McKeon, leva o ouro com 1min54s73, sua segunda melhor marca sem trajes tecnológicos. É a primeira atleta a repetir o ouro do Mundial de 2009, e mais que isso: não sai do pódio da prova desde o Mundial de 2005. Com sete medalhas em Mundiais, duas olímpicas e o recorde mundial, é a mais longeva e dominante nadadora da história da prova.

Federica Pellegrini (foto: Ferenc Isza/AFP)

Federica Pellegrini (foto: Ferenc Isza/AFP)

– Se nos 200m livre feminino Pellegrini conquistou sua sétima medalha, Laszlo Cseh, nos 200m borboleta, consegue outro feito inédito: sobe ao pódio pelo oitavo Mundial consecutivo, um recorde. Hoje, tentou de todas as formas repetir a vitória de 2015, mas lhe foi negada pelo sul-africano Chad le Clos. Assim como na semifinal, le Clos passou forte. Conseguiu segurar o ímpeto do húngar nos últimos 50 metros ao terminar em 1min53s33, sua segunda melhor marca, atrás apenas de seu tempo vitorioso olímpico em 2012. De volta ao pódio, le Clos e Cseh dão a volta por cima após nadarem mal a prova na Olimpíada do ano passado.

– Para o Brasil, os resultados da semifinal dos 100m livre não foram os esperados. Marcelo Chierighini passou em oitavo e vai para sua terceira final consecutiva em Mundiais na prova. Terminou com 48s31 após cansar muito na volta – parcial de 25s58 nos últimos 50 metros, sendo que para brigar por pódio uma volta entre 24 alto e 25 baixo é necessária. Após fazer 46s85 no revezamento, disse que ainda não se sentiu bem nadando a prova e que projeta 47s7 para brigar por medalha amanhã. Ele tem condições, mas terá que fazer, mais uma vez, a prova de sua vida amanhã. Gabriel Santos, com 48s72, aumenta seis décimos de sua melhor marca, também cansando no final, e termina em 14º. Muito boa prova do francês Mehdy Metella com 47s65, mas o favoritismo vai para o americano Caeleb Dressel, com saída e virada espetaculares. Fez 47s66 e vem credenciado pelo 47s26 com o qual abriu o revezamento.

– Em outros tempos, acharíamos que Sun Yang estivesse cozinhando os adversários para dar o bote no final dos 800m livre. Mas, hoje, percebemos que ele realmente está bem melhor nas provas curtas de 200m e 400m livre. Lutando pelo tetracampeonato, não ofereceu resistência aos primeiros colocados. Final emocionante entre os italianos Gabriele Detti e Gregorio Paltrinieri e a surpresa polonesa Wojciech Wojdak. Virando para os últimos 50 metros praticamente juntos, Detti teve melhor final e, com 7min40s77, bate o recorde europeu de Paltrinieri.

Top 10 all-time 800m livre masculino
1. 7min32s12 Zhang Ling, CHN       Mundial 2009
2. 7min35s27 O. Mellouli, TUN      Mundial 2009
3. 7min38s57 Sun Yang, CHN         Mundial 2011
4. 7min38s65 Grant Hackett, AUS    Mundial 2005
5. 7min39s16 Ian Thorpe, AUS       Mundial 2001
6. 7min40s77 Gabriele Detti, ITA   Mundial 2017
7. 7min40s81 G. Paltrinieri, ITA   Mundial 2015
8. 7min41s73 Wojciech Wojdak, POL  Mundial 2017
9. 7min41s86 Ryan Cochrane, CAN    Mundial 2011
10. 7min43s60 Michael McBroom, USA Mundial 2013

– Excepcional prova de Etiene Medeiros na semifinal dos 50m costas. Prova quase perfeita. 27s18 é recorde das Américas e terceira melhor marca da história, melhorando oito centésimos de seu tempo do Mundial de 2015. Ótima saída, ótima parte nadada, ótima chegada – inclusive no final da prova estava ligeiramente atrás da chinesa Fu Yanhui, mas com uma chegada perfeita chegou à frente por um centésimo e vai para a final com o melhor tempo. A briga pelo ouro está entre as duas, que também subiram aos lugares mais altos do pódio em 2015. Desta vez, o clima está a favor de Etiene para conquistar o primeiro ouro feminino brasileiro nas piscinas da competição.

Etiene Medeiros (foto: Satiro Sodré/SSPress)

Etiene Medeiros (foto: Satiro Sodré/SSPress)

– No revezamento 4x100m medley misto, a estratégia dos Estados Unidos, de colocarem uma mulher para nadar a parcial de peito, não é a mais usual. Tanto que, em 2015, todos os três países que chegaram ao pódio nadaram com homens no peito, e dessa vez somente um país medalhista não tinha homem no peito. Justamente os americanos. Mas como a mulher em questão se chama Lilly King, fez sentido: ouro com recorde mundial de 3min38s56. Destaque para a parcial de Caeleb Dressel no borboleta de 49s92. E, no costas, os três nadadores que chegaram ao pódio no masculino – o chinês Xu Jiayu e os americanos Matt Grevers e Ryan Murphy, este na eliminatória – fizeram tempos melhores nesse revezamento que na prova individual, com destaque para Grevers com 52s32. Um empate incrível na terceira posição entre Canadá e China.

Por Daniel Takata

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