Curiosidades e números do 6º dia: Rússia desencanta, Dressel voa e Guy se redime

28/07/2017

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Assim como ontem, não tivemos recordes mundiais hoje em Budapeste. Esperávamos nos 200m peito feminino e, sobretudo, nos 100m livre feminino, em que Sarah Sjostrom nadou bem aquém do que havia feito na abertura do revezamento no primeiro dia. Mesmo sem nadar finais, grande destaque para a velocidade de Caeleb Dressel, apavorando nas semifinais no livre e no borboleta. Saldo positivo nas semifinais para o Brasil: Bruno Fratus e Cesar Cielo avançam nos 50m livre, e Henrique Martins, apesar de não se classificar nos 100m borboleta, sai da prova tendo feito duas vezes a melhor marca pessoal.

– A grande surpresa da competição até agora aconteceu nos 100m livre feminino. Mas como a vitória da americana Simone Manuel, atual campeã olímpica, pode ser uma surpresa? Com o recorde mundial de 51s71 anotado abrindo o revezamento no primeiro dia, a sueca Sarah Sjostrom tinha o favoritismo indiscutível. Passou forte para 24s75, única abaixo de 25s, e morreu terrivelmente no final da prova. Volta de 27s56, segunda pior entre as finalistas, termina em 52s31 e é alcançada no final por Manuel que com 52s27 bate o recorde americano. Piorando seis décimos, Sjostrom lembra Cate Campbell nos Jogos Olímpicos de 2016, que chegou como recordista mundial, bateu o recorde olímpico na semifinal e terminou sem medalha. Final das mais estreladas, com a campeã olímpica dos 50m e 100m livre de 2012 Ranomi Kromowidjojo, a campeã dos 50m de 2016 Pernille Blume e as campeãs empatadas dos 100m de 2016 Manuel e Penny Oleksiak. Blume bate mais uma vez o recorde dinamarquês para conquistar o bronze. Virá rápida nos 50m. A prova sai de Budapeste com quatro nadadoras colocando suas melhores marcas no ranking top 10 all-time. Nível altíssimo!

Top 10 all-time: 100m livre feminino
1.  51s71 Sarah Sjostrom, SWE   Mundial 2017 (rev.)
2.  52s06 Cate Campbell, AUS    GP Aus 2016
3.  52s07 Britta Steffen, GER   Mundial 2009
4.  52s27 Simone Manuel, USA    Mundial 2017
5.  52s52 Bronte Campbell, AUS  Mundial 2015
6.  52s59 Mallory Comeford, USA Mundial 2017 (rev.)
7.  52s62 Lisbeth Trickett, AUS Mundial 2009
8.  52s69 Femke Heemskerk, NED  Eindhoven Cup 2015
8.  52s69 Pernille Blume, DEN   Mundial 2017
10. 52s70 Penny Oleksiak, CAN  Olimpíada 2016

Simone Manuel e Sarah Sjostrom na chegada dos 100m livre (foto: reprodução)

Simone Manuel e Sarah Sjostrom na chegada dos 100m livre (foto: reprodução)

– Prova excepcional de Evgeny Rylov para vencer os 200m costas com 1min53s61, recorde europeu, melhor inclusive que o tempo vencedor olímpico do ano passado. Estratégia ousada passando os primeiros 100 metros abaixo do recorde mundial e segurando o ataque de Ryan Murphy no final. O americano não fez suas melhores marcas nessa competição e seu 1min54s21 foi suficiente para a prata. Rylov demonstra mais uma vez sua consistência: foi bronze olímpico com 1min53s97, esse ano fez 1min53s81 no Campeonato Russo e agora faz 1min53s61, sempre baixando o recorde continental. É o primeiro ouro russo na natação masculina desde simplesmente Alexander Popov, em 2003. E o dia ainda reservaria muitas outras alegrias à Rússia.

– Yulia Efimova nasceu para nadar os 200m peito. Está certo, deu uma morrida no final e com isso não bateu o recorde mundial. Mas seu 2min19s64 é sua segunda melhor marca e quinto melhor tempo da história. Passando com 1min08s49, a volta de 1min11s15 foi a única abaixo de 1min12s. Lilly King, vencedora e recordista mundial dos 100m, terminou em quarto com 2min22s11 e teria ficado com o bronze com seu tempo de 2min21s83 do Campeonato Americano. Mas mostrou velocidade no início da prova e é a favorita para os 50m.

Yulia Efimova (foto: reprodução)

Yulia Efimova (foto: reprodução)

– E o dia foi mesmo da Rússia. Após as vitórias de Rylov e Efimova, Antony Chupkov com um final matador venceu os 200m peito com 2min06s96. Foi o segundo melhor tempo da história, atrás apenas do 2min06s67 do recorde mundial do japonês Ippei Watanabe. Final de 31s99 para Chupkov! Watanabe e seu compatriota Yasuhiro Koseki saíram com muita sede ao pote, virando na parcial do recorde mundial até os 100 metros. Não fizeram suas melhores marcas e não seguraram o russo, mas subiram ao pódio. Tradicionalíssimo na prova, o Japão é presença frequente no pódio, mas não conquistava medalhas desde 2011 com Kosuke Kitajima.

– Caeleb Dressel parecer estar sobrando nos 50m livre. Com 21s29 na semifinal, bate o recorde dos Estados Unidos de Nathan Adrian, que dessa vez não vai para a final, de 21s37 do Mundial de 2015. Saída espetacular, mas não parece ter a melhor parte nadada. Resta saber se será suficiente para segurar o ímpeto dos adversários. Bela prova de Vladimir Morozov que com 21s45 fica a um centésimo de sua melhor marca. Bruno Fratus passa em terceiro com 21s60, nove centésimos pior que na eliminatória. Sua saída não foi tão eficiente e é o que precisa melhorar para amanhã. Cesar Cielo, por sua vez, teve uma boa saída mas o final não foi bom. Com 21s77, se classifica em oitavo para sua quinta final da prova em Mundiais. Boa chance para o Brasil se manter no pódio da prova pelo quinto Mundial consecutivo.

Cesar Cielo e Bruno Fratus (foto: Satiro Sodré/SSPress)

Cesar Cielo e Bruno Fratus (foto: Satiro Sodré/SSPress)

– Com o tempo do Maria Lenk (51s57), Henrique Martins teria sido finalista olímpico nos 100m borboleta em 2016. Hoje, na semifinal, melhorou sua marca para 51s47 e terminou em 11º, atestando o altíssimo nível da disputa. Sua prova foi excelente e só pecou na chegada. Tomou iniciativa e virou até mesmo à frente do campeão olímpico Joseph Schooling. Ninguém segura Caeleb Dressel, com 50s07, se aproximando do recorde mundial de 49s82 de Michael Phelps. Recorde mundial júnior para o húngaro Kristof Milak com 50s77 e recorde britânico para James Guy com 50s67. Schooling também nadou abaixo de 51s. Na Olimpíada do ano passado, apenas Schooling nadou para 50s, e agora temos quatro somente na semifinal. Assim como os 100m livre feminino, nível fortíssimo: três nadadores aparecem no top 10 all-time da prova com os tempos feitos hoje. Decepção para Chad le Clos, atual bicampeão mundial da prova, com 51s48 não se classifica.

Top 10 all-time: 100m borboleta masculino
1.  49s82 Michael Phelps, USA   Mundial 2009
2.  49s95 Milorad Cavic, SRB    Mundial 2009
3.  50s07 Caeleb Dressel, USA   Mundial 2017 (semi)
4.  50s39 Joseph Schooling, SIN Olimpíada 2016
5.  50s40 Ian Crocker, USA      Mundial 2005
6.  50s41 Rafael Muñoz, ESP     Mundial 2009
7.  50s56 Chad le Clos, RSA     Mundial 2015
8.  50s65 Albert Subirats, VEN  Mundial 2009
9.  50s67 James Guy, GBR        Mundial 2017 (semi)
10. 50s77 Kristof Milak, HUN    Mundial 2017 (semi)

– O dia foi dos russos, de Caeleb Dressel e de James Guy. Foi o dia da redenção do britânico, nadando pela primeira vez abaixo de 51s nos 100m borboleta e fechando o 4x200m livre para 1min43s80 para levar seu país ao bicampeonato da prova, se recuperando do quinto lugar da prova individual em que também defendia o título. É nada menos que a terceira mais rápida parcial da história, atrás apenas do 1min43s16 de Sun Yang do Mundial de 2013 e do 1min43s24 do francês Yannick Agnel da Olimpíada de 2012. Os americanos terminaram com o bronze, atrás dos russos, e ainda não encontraram uma equipe totalmente equilibrada que lhes deu a hegemonia da prova por mais de uma década até 2015. Certamente Michael Phelps faz falta, e quem sabe no futuro um nome para a prova seja Caeleb Dressel, que hoje provavelmente não poderia contribuir muito.

Por Daniel Takata

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