Curiosidades e números do 7º dia: o dia dos velocistas, estrelando Bruno, Dressel e Sjostrom

29/07/2017

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Dia de Bruno Fratus e de Caeleb Dressel em Budapeste. O dia foi tão incrível para os dois velocistas que um recorde mundial de Sarah Sjostrom e uma vitória de Katie Ledecky ficaram até um pouco ofuscados.

– Bruno Fratus tinha avisado: seu 21s7 nos 50m livre obtido no Maria Lenk, em abril, havia sido obtido após um período de treinamentos em que não havia feito trabalhos específicos para a prova. Depois daquilo, mergulhou de cabeça com vistas ao Mundial e chegou na melhor forma da vida, atestada com sua excelente parcial no revezamento 4x100m livre no primeiro dia. Nadando com barba por fazer, escondeu o leite com 21s5 e 21s6 na eliminatória e na semifinal. E hoje desencantou e exorcizou de vez todos os seus demônios olímpicos. O tempo de 21s27, medalha de prata, é a terceira melhor marca da história sem trajes tecnológicos, atrás do 21s15 do vencedor Caeleb Dressel e do 21s19 de Florent Manaudou de 2015, ultrapassando o 21s32 de Cesar Cielo de 2013. Ninguém é páreo para a saída de Dressel, mas a parte nadada de Bruno é a melhor do mundo da prova. É a quinta edição consecutiva que o Brasil não sai do pódio da prova, após os três ouros de Cesar em 2009, 2011 e 2013 e o bronze de Bruno em 2015. Pela primeira vez, Bruno sai de um 50m livre em Mundiais realizado: em 2011, ficou em quinto e com o tempo da semifinal seria prata; e em 2015, apesar do bronze, ficou insatisfeito com sua marca, acima da sua melhor. Cesar chega em oitavo com 21s83, piorando seis centésimos da semifinal em sua quinta final da prova. Dressel e Bruno teriam vencido a prova na Olimpíada de 2016 com relativa folga, e para atestar o nível da prova de hoje, apenas os dois primeiros da Olimpíada do ano passado (Anthony Ervin e Florent Manaudou) se colocariam entre os cinco primeiros hoje.

Top 10 all-time: 50m livre masculino(sem trajes tecnológicos)
1. 21s15 Caeleb Dressel, USA   Mundial 2017
2. 21s19 Florent Manaudou, FRA Mundial 2015
3. 21s27 Bruno Fratus, BRA     Mundial 2017
4. 21s32 Cesar Cielo, BRA      Mundial 2013
4. 21s32 Benjamin Proud, GBR   Britânico 2017
6. 21s36 Fred Bosquet, FRA     Europeu 2010 (semi)
7. 21s37 Nathan Adrian, USA    Mundial 2015 (semi)
8. 21s40 Anthony Ervin, USA    Olimpíada 2016
9. 21s44 Cameron McEvoy, AUS   Australiano 2016
9. 21s44 Vladimir Morozov, RUS Russo 2017 (semi)

Bruno Fratus (foto: Satiro Sodré/SSPress)

Bruno Fratus (foto: Satiro Sodré/SSPress)

– Caeleb Dressel foi o nome do dia. Após vencer os 50m livre, voltou para apavorar nos 100m borboleta e revezamento 4x100m livre misto, vencendo as duas provas e se tornando o primeiro da história a conquistar três ouros em um mesmo dia em Mundiais. Desde Matt Biondi não víamos um nadador tão dominante e versátil nas provas de velocidade. Nos últimos tempos já tem sido raro um nadador se dar bem nos 50m e nos 100m livre masculino- o último a vencer em Mundiais as duas provas foi Cesar Cielo em 2009. Agora, um nadador dominar as provas de livre e também os 100m borboleta não é algo que se vê há muitos anos. Até Biondi, que nadava bem as provas, não chegou a vencer livre e borboleta em Mundiais ou Olimpíadas. O último foi simplesmente Mark Spitz em 1972! E hoje Dressel o fez da maneira mais espetacular possível: após o melhor tempo da história sem trajes nos 50m livre, fez isso também nos 100m borboleta, e pela terceira vez na competição: após 50s08 e 50s07, vence a final com 49s86, apenas quatro centésimos acima do recorde mundial de Michael Phelps de 2009. Impressionante. E isso que deslizou um tiquinho na virada e na chegada. Impressionante o nível da prova: seis nadadores para 50s, oitavo lugar para 51s16 sendo que a prata olímpica no ano passado foi para 51s14. De olho no húngaro Kristof Milak, apenas 17 anos com 50s62, prata com recorde mundial júnior. Em uma prova em que força e massa muscular adquiridas com o tempo são importantes, a possibilidade de evolução é grande.

– Impressionante a superioridade de Sarah Sjostrom nos 50m borboleta, ainda maior que nos 100m. Não tem a melhor saída – a americana Kelsi Worrell e, sobretudo, a holandesa Ranomi Kromowidjojo saíram na frente. Mas a parte nadada, com um borboleta chapado na água, é inigualável. É a única na história a nadar abaixo de 25s, e seu 24s60 de hoje, que lhe rendeu seu segundo ouro na competição, é a segunda melhor marca da história, pior somente que seu 24s43 de 2014. Para se ter uma ideia, Etiene Medeiros entrou na final olímpica do ano passado com 24s45… nos 50m livre! Sua margem de vitória hoje, de 0s78, é a maior da história da prova e a maior em provas de 50m nesse Mundial, superando até mesmo a diferença de 0s53 de Adam Peaty para João Gomes Júnior nos 50m peito. Agora ela tem os 13 tempos mais rápidos da história da prova.

– Mesmo com a hegemonia de Katie Ledecky nas provas de fundo, esse ano talvez seja mesmo Sarah Sjostrom eleita a melhor nadadora do mundo. Afinal, Ledecky não bateu recordes mundiais, e Sjostrom conseguiu seu segundo hoje, com um impressionante 23s67 na semifinal dos 50m livre. De certo modo, uma marca esperada: a sueca havia nadado seis vezes esse ano abaixo dos 24s, e era uma questão de tempo a superação da marca de 23s73 da alemã Britta Steffen da era dos trajes tecnológicos. Foi quase um repeteco dos 50m borboleta: superada na saída por Ranomi Kromowidjojo, a parte nadada de Sjostrom é imbatível. Resta saber se conseguirá vencer a final amanhã ou se decepcionará como nos 100m livre, em que chegou como recordista e ficou com a prata. Mas, pelo andar da carruagem, isso dificilmente irá acontecer.

Sarah Sjostrom (foto: Reuters)

Sarah Sjostrom (foto: Reuters)

– Que Katie Ledecky iria vencer os 800m livre, disso não havia dúvida. Mas a maneira com que nadou a prova foi totalmente atípica. Começou na parcial do recorde mundial até cerca de 200 metros e depois aumentou muito suas parciais, fazendo uma prova desequilibrada para seus parâmetros. Parciais de 4min03s/4min09s a cada 400m. Em dado momento a chinesa Li Bingjie nadava até mais rápido. O estilo de nado da americana também chamou a atenção: economizando perna nos primeiros 200 metros, depois colocando seis pernadas para cada braçada, depois voltando a dois por um. Uma prova esquisita, que refletiu em seu tempo de 8min12s68, certamente longe dos padrões que nos acostumamos para ela. Ninguém nadou mais rápido que esse tempo na história à exceção dela própria, mas é apenas sua décima melhor marca. E esse ano ela nadou melhor no Campeonato Americano há um mês para 8min11s50, e na época ela dizia estar pesadíssima. Excelente marca para Bingjie com 8min15s46, recorde asiático destroçando a antiga marca por nada menos que quatro segundos, e também para Leah Smith, bronze com 8min17s22 melhorando seu tempo em três segundos.

– Redenção para Emily Seebohm e para a Austrália nos 200m costas feminino, primeiro ouro do país na competição. Nadando do jeito que gosta, administrando nos primeiros 100 metros e atacando no final, termina com 2min05s68, novo recorde da Oceania e conquistando o bi mundial. Após a decepção olímpica, em que chegou como favorita às duas provas de costas e sequer subiu ao pódio, faz um tempo que teria vencido a prova olímpica. Não só isso: Katinka Hosszu, com a prata em 2min05s85, também melhora o recorde nacional e faz um tempo que venceria o ouro olímpico. De novo, nível inacreditável: 2min07s42 fez a oitava colocada hoje, a americana Regan Smith, sendo que 2min07s54 foi o tempo do bronze no Rio de Janeiro no ano passado.

Por Daniel Takata

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