Curiosidades e números do 8º dia: a consagração dos Estados Unidos em Budapeste

30/07/2017

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A 17ª edição do Campeonato Mundial em Budapeste chegou ao fim com domínio americano: quatro ouros no último dia e a liderança disparada no quadro de medalhas: 18 ouros e 38 medalhas nas provas de natação em piscina. A segunda melhor nação em ouros foi a Grã-Bretanha com quatro, e em número de medalhas foram China, Rússia e Austrália com dez. O Brasil encerrou sua campanha com duas finais, chegando a 12 no total.

– O duelo Lilly King x Yulia Efimova sai de Budapeste com o placar de 2 a 1 para a americana. Nos 50m peito o favoritismo de King era claro, e sua vantagem nos três duelos se definiu nos 100m. Supera o recorde mundial com 29s40 por oito centésimos, mas não deixa de ser impressionante o tempo de 29s57 de Efimova, uma nadadora que consegue o feito raríssimo de nadar em altíssimo nível as provas nas três distâncias, repetindo o feito de 2013 ao chegar no pódio nos 50m, 100m e 200m. Mesmo pódio dos 100m, apenas com a mudança de posições de Efimova com Keiti Meili.

– Excepcional prova de Chase Kalisz nos 400m medley, utilizando uma estratégia não usual para ele de passar entre os primeiros já no borboleta e no costas. Aí partindo para o peito não teve graça: parcial incrível de 1min07s68, a melhor da história e primeira abaixo de 1min08s. terminando com 4min05s90 e batendo o recorde de campeonato de Michael Phelps de 2007 – sim, já fazia 10 anos da última vez que Phelps nadou a prova em Mundiais. O tempo coloca Kalisz em terceiro no ranking all-time da prova, atrás de Phelps e Ryan Lochte. O húngaro David Verraszto foi prata e o japonês Daiya Seto, bicampeão da prova, bronze. Era esperado bem mais de Seto, que fez a melhor marca pessoal esse ano (4min07s99) no Troféu Sette Colli em Roma, teoricamente sem polimento, e hoje nadou mais de um segundo acima. Mesmo pódio da edição de 2015, apenas com as posições trocadas (Kalisz havia sido bronze). Decepção total para Kosuke Hagino, atual campeão olímpico, em sexto com 4min12s65. Prova muito equilibrada de Brandonn Almeida (57s49/1min03s31/1min13s73/58s47), finalizando em sétimo com 4min13s00. Em relação à sua melhor marca de 4min12s49 do Open do ano passado, a diferença foi os últimos 100m, que havia sido de 57s37. Há portanto boa margem para melhora.

Brandonn Almeida: finalista em seu primeiro Mundial (foto: Satiro Sodré/SSPress)

Brandonn Almeida: finalista em seu primeiro Mundial (foto: Satiro Sodré/SSPress)

– Ficando a dois centésimos do recorde mundial estabelecido na semifinal, Sarah Sjostrom vence os 50m livre com 23s69 em uma prova parecidíssima com a semifinal de ontem. Quem teve as melhores saídas foram Ranomi Kromowidjojo e Simone Manuel. Kromowidjojo bate o recorde holandês para 23s85, Manuel o americano para 23s97 e, por incrível que pareça, a campeã olímpica Pernille Blume supera o recorde dinamarquês com 24s00, melhor que a marca que a levou ao título no Rio de Janeiro, e fica fora do pódio. Nível altíssimo!

– Tricampeonato para Camille Lacourt nos 50m costas com 24s35, na última prova da carreira. O francês teve seu auge em 2010, ano em que quase bateu os recordes mundiais dos 50m e 100m costas logo após o final dos trajes tecnológicos. No entanto nunca repetiu seus grandes desempenhos em Olimpíadas. Seu auge foi o ouro nos 100m costas no Mundial de 2011, empatado com o compatriota Jeremy Stravius. Hoje, apesar da diferença de altura com Junya Koga (2m00 x 1m81), foi o japonês quem teve melhor saída. Mas o francês tem melhor parte nadada e venceu por 16 centésimos. Koga também já nadou bem os 100m e foi campeão mundial em 2009, mas depois se especializou nos 50m e nunca chegou sequer a disputar uma Olimpíada.

– Katinka Hosszu não chegou perto de seu recorde mundial nos 400m medley, mas foi o que menos importou. Com 4min29s33, faz sua terceira melhor marca, atrás das duas obtidas na Olimpíada do Rio de Janeiro, supera seu recorde de campeonato de 2009 e chega à quarta conquista na prova. Somente ela e Sarah Sjostrom, nos 100m borboleta, saem de Budapeste com quatro ouros em suas especialidades. Líder de ponta a ponta, seu nível de domínio na prova é incontestável: melhores parciais de borboleta, costas e livre. Agora tem sete das dez melhores marcas da história da prova. Bonita briga pela prata entre a espanhola Mireia Belmonte e a canadense Sydney Pickrem. Melhor para Belmonte (4min32s17 x 4min32s88), mas uma redenção e tanto para Pickrem, que melhora 2s5 de sua melhor marca pessoal e se recupera da decepção dos 200m medley, em que engoliu água nos primeiros 50 metros e abandonou a prova.

Katinka Hosszu (foto: reprodução)

Katinka Hosszu (foto: reprodução)

– Uma disputa espetacular nos 1500m livre, com o italiano Gregorio Paltrinieri conquistando o bicampeonato com 14min35s85. Por boa parte da prova esteve na parcial do recorde mundial de Sun Yang, mas é difícil igualar o final de prova do chinês. Aliás nem é a melhor marca de Paltrinieri, que tem 14min34s04. Por falar em Sun Yang, o ucraniano Mikhailo Romanchuk tem um estilo muito parecido com o do chinês, ausente da prova. Uma melhora absurda do nadador, que tinha 14min50s33 e terminou com 14min37s14, nadando lado a lado com o italiano por quase todo o percurso. Não é a melhor marca de Mack Horton, mas com 14min47s70 o australiano ao menos sobe ao pódio pela primeira vez na prova em uma competição de nível mundial.

– Nada mais justo que um recorde mundial para coroar a grande campanha feminina americana no 4x100m medley. Poderia ter sido um pouco melhor, já que Lilly King piorou três décimos de sua parcial do revezamento 4x100m medley misto e Simone Manuel fez tempo semelhante ao dos 100m livre sem melhorar com a saída lançada. Mas é ser muito exigente com uma equipe que terminou em 3min31s55 e melhorou em meio segundo a marca mundial da equipe americana da Olimpíada de Londres, em 2012. Grande marca também para a equipe russa, que supera o recorde europeu com 3min53s38, com destaque para a parcial de 1min04s03 de Yulia Efimova, o mais rápido no peito de todos os tempos. Na briga pelo bronze deu Austrália contra Canadá. Parcial incrível de 55s03 no borboleta de Sarah Sjostrom, também o mais rápido da história.

Marcelo Chierighini, João Gomes Júnior, Guilherme Guido e Henrique Martins (foto: Satiro Sodré/SSPress)

Marcelo Chierighini, João Gomes Júnior, Guilherme Guido e Henrique Martins (foto: Satiro Sodré/SSPress)

– No revezamento masculino, era difícil ameaçar americanos e britânicos pelo ouro e pela prata, e foi o que realmente aconteceu. Segunda melhor marca da história para os Estado Unidos com 3min27s91, melhor que o tempo vencedor olímpico em 2016 e pior apenas que o recorde mundial com trajes tecnológicos de 2009. Destaque para o 52s26 de Matt Grevers no costas, que lhe daria ouro na prova individual, e o 49s76 de Caeleb Dressel no borboleta, segunda melhor da história. O 56s91 de Adam Peaty só perde para seu 56s59 da Olimpíada. O Brasil brigava pelo bronze com Rússia, Japão e China. Mas a parcial de 46s69 fechando de Vladimir Morozov fez a diferença para os russos, e Marcelo Chierighini não conseguiu repetir seu 46s85 do revezamento, fechando para 48s08, fechando em quinto lugar. O Brasil se firma entre os melhores do mundo, após a final olímpica no ano passado, e há uma boa margem para melhora em todos os estilos. Com uma mentalidade e um trabalho semelhante ao feito no 4x100m livre, o pódio pode ser uma realidade em breve.

Por Daniel Takata

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