Desafio Raia Rápida: prognósticos

12/09/2015

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O Desafio Piraquê Raia Rápida nasceu em 2012, no ano dos Jogos Olímpicos de Londres, visando atrair olhares de todo o mundo para a natação em direção à Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016. Para isso, a meta dos organizadores era mesclar formato atrativo, grandes nomes e exposição na mídia. Em 2015, o evento vai para sua quarta edição. Pode-se dizer que um ciclo olímpico é completado. Criado após a Olimpíada de Londres, é a última edição antes da Olimpíada do Rio de Janeiro. Já se discutem mudanças no formato para manter o evento atrativo, mas o fato é que a competição é um sucesso de público e crítica. Apesar de não ser uma competição oficial da FINA, não são poucos os nadadores que querem disputá-la. Por exemplo, a sueca Therese Alshammar, campeã mundial, já declarou publicamente em uma rede social que não vê a hora de criarem a versão feminina para ser convidada.

A competição, que conta com o apoio da SWIM CHANNEL e tem no editor chefe Patrick Winkler seu diretor técnico, acontecerá amanhã, 13 de setembro, na piscina do Botafogo, o famoso Mourisco, às margens da Baía de Guanabara no Rio de Janeiro. Quatro equipes com quatro dos mais velozes nadadores do mundo estão na cidade carioca já há alguns dias: África do Sul, Itália, Brasil e Estados Unidos. Ontem à noite, foi realizado o congresso técnico, com a presença dos atletas, para explicações sobre o formato da competição, informações sobre premiações e eventuais dúvidas. Apesar de ser um formato consolidado em sua quarta edição, a competição é nova para alguns nadadores que participam pela primeira vez, como por exemplo toda a equipe italiana.

As provas serão televisionadas ao vivo pela Rede Globo, dentro do Esporte Espetacular, com comentários de Gustavo Borges. O sistema de disputa, que no final apontará um país vencedor, é simples. Cada país contará com um nadador em cada uma das provas de 50 metros (borboleta, costas, peito e livre). Na primeira rodada, os quatro nadam. O último colocado é eliminado e recebe um ponto. Na rodada seguinte, voltam os três melhores. Novamente, o último é eliminado e recebe dois pontos. Na rodada final, um duelo entre os dois melhores aponta o vencedor do estilo. São quatro pontos para o vencedor, e três para o vice. Ao final das provas individuais, é disputado um revezamento 4x50m medley com as quatro equipes, com pontuação dobrada (oito pontos para o vencedor, seis para o segundo e assim por diante). O país que somar mais pontos é o vencedor do evento. Acompanhe abaixo os prognósticos para cada uma das provas.
Gerhard Zandberg, Daniel Orzechowski, David Plummer, Mirco di Tora - Foto: Satiro Sodré/SS Press

Gerhard Zandberg, Daniel Orzechowski, David Plummer, Mirco di Tora – Foto: Satiro Sodré/SS Press

 

50m costas
Recorde do Raia Rápida: Gerhard Zandberg, África do Sul – 25s00 (2014)
Brasil: Daniel Orzechowski – melhor tempo: 24s44 em 2012 (6º mais rápido da história); melhor tempo em 2015: 24s71 (7º no ranking mundial)
África do Sul: Gerhard Zandberg – melhor tempo: 24s34 em 2009 (5º mais rápido da história); melhor tempo em 2015: 25s34 (42º no ranking mundial)
Estados Unidos: David Plummer – melhor tempo: 24s52 em 2013 (10º mais rápido da história); melhor tempo em 2015: 24s79 (11º no ranking mundial)
Itália: Mirco di Tora – melhor tempo: 24s77 em 2009 (29º mais rápido da história); melhor tempo em 2015: 25s88 (141º no ranking mundial)
A prova de costas é talvez a mais forte da competição, com três entre os dez mais rápidos nadadores da história da prova. O maior nome é o sul-africano Gerhard Zandberg, campeão mundial em 2007 e bronze em 2003, 2009 e 2011. Foi o campeão da prova na edição do ano passado, mas desde 2013 não nada abaixo de 25 segundos, ao contrário de Daniel Orzechowski e do americano David Plummer. Plummer, mesmo veterano, tem estado em grande fase nos últimos anos, foi medalhista mundial nos 100m costas em 2013 e no Raia Rápida do ano passado foi prejudicado por ter escorregado na saída. Ele garante que teria vencido se não fosse por isso – este ano, com o acessório para a saída de costas, o problema deve ser minimizado. Daniel volta à disputa após ter nadado a primeira edição, em 2012, e atravessa sua melhor fase em três anos. Tem o melhor tempo do ano entre os nadadores e no papel é o favorito. O italiano Mirco do Tora é um grande nome italiano, mas seu auge já passou, e passar para a segunda rodada já será vitória.
Gerhard Zandberg, Daniel Orzechowski, David Plummer, Mirco di Tora - Foto: Satiro Sodré/SS Press

Gerhard Zandberg, Daniel Orzechowski, David Plummer, Mirco di Tora – Foto: Satiro Sodré/SS Press

50m peito
Recorde do Raia Rápida: Felipe França, Brasil – 27s21 (2014)
Brasil: Felipe França – melhor tempo: 26s76 em 2009 (5º mais rápido da história); melhor tempo em 2015: 26s87 (5º no ranking mundial)
África do Sul: Giulio Zorzi – melhor tempo: 27s04 em 2013 (12º mais rápido da história); melhor tempo em 2015: 27s59 (32º no ranking mundial)
Estados Unidos: Mike Alexandrov – melhor tempo: 27s53 em 2013 (78º mais rápido da história); melhor tempo em 2015: 28s35 (159º no ranking mundial)
Itália: Fabio Scozzoli – melhor tempo: 27s17 em 2011 (22º mais rápido da história); melhor tempo em 2015: 27s60 (34º no ranking mundial)
Campeão mundial de curta e longa, ex-recordista mundial e atravessando a melhor fase da vida. Felipe França é o favorito absoluto nos 50m peito e deve repetir a vitória do ano passado. É o único entre os quatro nadadores que esteve na final do Mundial de Kazan, em que só não levou medalha porque não conseguiu encaixar a chegada. O sul-africano Giulio Zorzi é uma incógnita, pois não nadou o mundial e ainda não mostrou tudo que pode esse ano. Mas foi medalhista mundial da prova em 2013 e merece respeito. O italiano Fabio Scozzoli também já esteve em fase melhor, tanto que foi medalhista mundial nos 100m peito em 2011, e assim como Zorzi não nadou o Mundial de Kazan, por estar se recuperando de uma contusão. Os dois devem brigar pelo segundo lugar, pois o búlgaro naturalizado americano Mike Alexandrov também não está muito rápido este ano e nada melhor os 100m. Curiosidade: Alexandrov é o único a ter disputado todas as edições do Raia Rápida, desde a primeira, em 2012.
Roland Schoeman, Nicholas Santos, Giles Smith e Luca Dotto - Foto: Satiro Sodré/SS Press

Roland Schoeman, Nicholas Santos, Giles Smith e Luca Dotto – Foto: Satiro Sodré/SS Press

50m borboleta
Recorde do Raia Rápida: Nicholas Santos, Brasil – 22s97 (2014)
Brasil: Nicholas Santos – melhor tempo: 22s79 em 2012 (5º mais rápido da história); melhor tempo em 2015: 22s90 (2º no ranking mundial)
África do Sul: Roland Schoeman – melhor tempo: 22s90 em 2009 (9º mais rápido da história); melhor tempo em 2015: 23s48 (24º no ranking mundial)
Estados Unidos: Giles Smith – melhor tempo: 23s30 em 2015 (39º mais rápido da história); melhor tempo em 2015: 23s30 (12º no ranking mundial)
Itália: Luca Dotto – melhor tempo: 23s87 em 2015 (165º mais rápido da história); melhor tempo em 2015: 23s87 (63º no ranking mundial)
Talvez o nadador mais regular do mundo nos 50m borboleta, Nicholas Santos busca o tricampeonato da prova no Raia Rápida, o que faria dele o primeiro a alcançar o feito. Vem de dois pódios mundiais consecutivos (pratas na curta em 2014 e na longa em 2015) e nos outros anos mostrou que sabe adminstrar muito bem a estratégia da competição. É o favorito. O sul-africano Roland Schoeman, que na edição do ano passado nadou livre, vem agora para a prova em que se tornou o primeiro da história a nadar abaixo de 23 segundos, no Mundial de Montreal em 2005. Campeão pan-americano dos 100m borboleta, o americano Giles Smith está nadando mais rápido do que nunca e pode ser uma das surpresas, pois não para de melhorar. O italiano Luca Dotto é muito rápido, mas no livre (prata mundial em 2011 atrás de Cesar Cielo nos 50m livre). No borboleta ele se vira, mas não é especialista na prova como seus adversários.
Brad Tandy, Matheus Santana, Anthony Ervin e Michele Santucci - Foto: Satiro Sodré/SS Press

Brad Tandy, Matheus Santana, Anthony Ervin e Michele Santucci – Foto: Satiro Sodré/SS Press

50m livre
Recorde do Raia Rápida: Anthony Ervin, Estados Unidos – 21s92 (2014)
Brasil: Matheus Santana – melhor tempo: 22s16 em 2014 (111º mais rápido da história); melhor tempo em 2015: 22s22 (40º no ranking mundial)
África do Sul: Brad Tandy – melhor tempo: 22s22 em 2014 (136º mais rápido da história); melhor tempo em 2015: 22s28 (49º no ranking mundial)
Estados Unidos: Anthony Ervin – melhor tempo: 21s42 em 2013 (13º mais rápido da história); melhor tempo em 2015: 21s98 (16º no ranking mundial)
Itália: Michele Santucci – melhor tempo: 22s35 (186º mais rápido da história); melhor tempo em 2015: 22s35 (60º no ranking mundial)
Grande nome da prova e campeão no ano passado, o americano Anthony Ervin, campeão olímpico em 2000 mantém o favoritismo. Mas não é tão flagrante, pois esse ano não foi um de seus melhores. Para quem vinha nadando para 21s4 e 21s6, seu 21s98 esse ano foi longe de ser satisfatório. É uma boa chance para Matheus Santana surpreender. O brasileiro, apesar de ser especialista nos 100m, nadou bem os 50m livre no Finkel em agosto e está motivado. Fiquem atentos para a saída do sul-africano Brad Tandy, campeão universitário nos Estados Unidos em 2014. Sua partida é impressionante (talvez o único no mundo a percorres os primeiros 15 metros abaixo de 5 segundos) e certamente ele sairá na frente. Mas seu nado não é tão bom e o cenário mais provável é ele perder terreno nos 25 metros finais. O italiano Michele Santucci foi medalhista no revezamento 4x100m livre este ano no Mundial de Kazan, mas não é um exímio velocista – nada melhor os 100m e 200m. Não deve brigar pela vitória, mas pode complicar a vida dos adversários nos rounds iniciais.
Atletas nas obras olímpicas - Foto: Satiro Sodré/SS Press

Atletas nas obras olímpicas – Foto: Satiro Sodré/SS Press

4x50m medley
Recorde do Raia Rápida: Brasil (Guilherme Guido, Felipe França, Nicholas Santos, Matheus Santana) – 1min37s68 (2014)
Brasil: Daniel Orzechowski, Felipe França, Nicholas Santos, Matheus Santana
África do Sul: Gerhard Zandberg, Giulio Zorzi, Roland Schoeman, Brad Tandy
Estados Unidos: David Plummer, Mike Alexandrov, Giles Smith, Anthony Ervin
Itália: Mirco di Tora, Fabio Scozzoli, Luca Dotto, Michele Santucci
É muito difícil fazer prognósticos. Principalmente porque os melhores nadadores, que chegarão às rodadas finais em suas provas individuais, poderão estar mais cansados para o revezamento que aqueles que forem eliminados mais cedo. O que ocorreu em 2013 foi emblemático: todos os nadadores da França foram eliminados nas primeiras rodadas em suas provas individuais, o que teoricamente os deixariam como favoritos absolutos ao último lugar no revezamento. Mas, mais descansados que os adversários, eles conseguiram chegar na segunda posição na prova coletiva. No papel, com os melhores tempos do ano, o Brasil tem o tempo mais rápido. A Itália, por contar com um nadador fora de sua especialidade (Luca Dotto no borboleta), parece estar um pouco defasada em relação aos demais. A princípio, a briga deve ser acirrada entre Brasil, África do Sul e Estados Unidos, com ligeiro favoritismo brazuca. Resta saber como os nadadores reagirão ao cansaço acumulado e à motivação de conquistar o título na última grande competição internacional de natação na cidade olímpica antes dos Jogos.
Por Daniel Takata

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