Roma

Entrevista com Arilson Silva

Conversamos com técnico brasileiro que atualmente treina o medalhista mundial Andrii Govorov e foi nomeado como novo embaixador da Adidas

22/03/2018 - Guilherme Freitas

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Arilson Silva agora é embaixador da Adidas - Foto: Adidas/Reprodução

Arilson Silva agora é embaixador da Adidas - Foto: Adidas/Reprodução

Arilson Silva é hoje um dos principais técnicos brasileiros atuando no exterior. Treinando o finalista olímpico e medalhista no último Campeonato Mundial em Budapeste, Andrii Govorov, e a jovem húngara Liliána Szilágyi, ele foi nomeado recentemente pela gigante do mercado esportivo Adidas como seu novo Swim Ambassador. Arilson vai atuar nesta função como uma espécie de consultor técnico para a empresa, colocando em prática sua experiência internacional e ajudando desenvolver novas idéias, trajes e produtos para a natação competitiva.

A Adidas anunciou recentemente seu mais novo traje para competição, o Adizero XVIII que conta com a moderna tecnologia X-TRA FIT. Hoje a marca alemã busca crescer no mercado da natação e já patrocina alguns atletas internacionais como o campeão olímpico Kyle Chalmers, os campeões mundiais Ben Proud e Marco Koch e o campeão mundial júnior Michael Andrew. A SWIM CHANNEL conversou com o técnico Arilson sobre o crescimento da marca, além de sua rotina de trabalho que o leva a viajar ao redor do mundo com seus nadadores. Confira abaixo!

SWIM CHANNEL: Primeiramente, parabéns pela nomeação de embaixador pela Adidas. Conte pra gente como surgiu esse convite?

ARILSON SILVA: Obrigado pelas congratulações! Meu primeiro contato com o pessoal da Adidas aconteceu em 2015 quando o Cesar Cielo ainda estava contratado pela empresa e trabalhávamos juntos em sua preparação. Após esse primeiro contato, durante o Campeonato Europeu de longa em Londres em 2016, onde estava com o Andrii Govorov, reencontrei-os e tivemos um jantar onde uma primeira ideia quanto a parceria apareceu, uma vez que eles me identificaram como um profissional de alcance internacional. Ficamos em contato após isso e fechamos a parceria no ano passado.

SWIM CHANNEL: Qual é sua função como embaixador da Adidas? Existe algum projeto específico da marca do qual você esta fazendo parte?

ARILSON SILVA: Sou principalmente o que eles chamam de “door opener” para a marca, uma vez que tenho um bom network com atletas, técnicos, managers, dirigentes da natação de muitos locais no mundo. Além de experiência internacional em várias competições, training camps, clínicas, etc., que pode ajudar a desenvolver novas idéias de promoção da marca com a natação. Participo também um pouco como consultor técnico na produção dos trajes de performance. E estou sempre atento para identificar potenciais nadadores que podem representar bem a marca indicando nomes que atendem aos perfis que eles solicitam.

SWIM CHANNEL: A Adidas acabou de lançar uma nova versão do traje Adizero e conta com atletas de renome internacional em seu time de patrocinados. Como você analisa o atual espaço da Adidas na natação? 

ARILSON SILVA: O espaço para marcas na natação está tomado por um monopólio. A Adidas está engajada em desenvolver produtos de alta qualidade e tecnologia sempre, e não é diferente com os trajes de performance para a natação. Os atletas patrocinados tem ajudado muito no desenvolvimento dos produtos de performance e procuram divulgar a marca, mas muitos enfrentam dificuldades com contratos de seus clubes, federações e Comitês Olímpicos que em muitas competições obrigam os nadadores a usarem as marcas que são patrocinados. Gerenciamento crítico como a maioria das vezes para muitos atletas que estão na mesma condição de ter um patrocinador diferente das instituições que representam.

SWIM CHANNEL: Você esta trabalhando com o Comitê Olímpico Ucraniano e treina um dos melhores velocistas da atualidade que é o Andrii Govorov. Como é a estrutura da natação no leste europeu? E como esta sendo a rotina do dia a dia por ai?

ARILSON SILVA: Sou contratado juntamente pelo Comitê Olímpico da Ucrânia e a Federação de Natação para ser o técnico do Govorov até os Jogos de Tóquio-2020, mas não tenho a obrigação de fazer a preparação dele no país uma vez que me dão autonomia e confiança de que vou planejar as melhores condições onde quer que seja para a sua preparação. Como desde setembro sou responsável também pela preparação da húngara Liliána Szilágyi, estamos num trabalho duro para combinar planejamentos para os dois. E isso tem transformado nossa rotina em estar constantemente viajando para training camps e competições internacionais. Até esse momento no ano de 2018 já visitamos seis países diferentes! E a previsão é de serem muito mais até o Europeu de Longa em Glasgow, que é a nossa competição alvo do ano. Portanto, não temos uma rotina de dia a dia em um mesmo local.

 

SWIM CHANNEL: Você também esteve trabalhando com outros nadadores de elite neste início de temporada como Shinri Shioura e o Bruno Fratus, além da Liliána. Como é conciliar o trabalho com atletas de características tão diferentes?

ARILSON SILVA: O Shioura e o Bruno são atletas que tenho como uma grande aproximação nos trabalhos, mas sem envolvimento tão direto em suas programações. Fizemos um trabalho juntos por um período em Tenerife e as competições de janeiro e fevereiro e temos uma boa relação. Conciliar diferenças está mais nos programas do Andrii e da Liliána, mas nada muito diferente do que já fiz muito no passado em minha carreira.

SWIM CHANNEL: E sobre a natação brasileira o que você pode falar? Como esta vendo essa nova direção da CBDA? Ainda pensa em voltar a trabalhar no Brasil no futuro?

ARILSON SILVA: Fiquei muito feliz com o desempenho da seleção brasileira principal no último Mundial em Budapeste! Mesmo ainda sendo muita voltada para as tais “provas não olímpicas” na avaliação dos resultados, tivemos boas respostas em várias do programa olímpico, como o revezamento 4x100m livre masculino mostrando enorme força e potencial. E isso é bem legal. Espero que a nova direção da CBDA traga transparência na condução da administração das nossas equipes e dos campeonatos. E que de alguma forma encontre uma maneira de abrir comunicação efetiva entre os técnicos e instituições que tem majoritariamente as maiores responsabilidades nas preparações dos nossos melhores atletas. Quanto a trabalhar no Brasil, tudo depende de boa oportunidade e propósito. Encontrando isso, estarei sempre à disposição.

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