Era uma vez um revezamento…

As ausências de Mehdy Metella e Jeremy Stravius nos Jogos de Tóquio-2020 jogam uma ducha de água fria no 4x100m livre francês

31/01/2020 - Guilherme Freitas

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Mehdy Metella - Foto: L'Equipe
Jeremy Stravius e Mehdy Metella - Foto: Ian MacNicol/Getty Images

Jeremy Stravius e Mehdy Metella - Foto: Ian MacNicol/Getty Images

Mehdy Metella - Foto: L'Equipe

Entre 2007 e 2016 apenas um revezamento 4x100m livre masculino esteve ao pódio em todos os Jogos Olímpicos e Campeonatos Mundiais de piscina longa: o francês. Foram três pódios olímpicos (ouro em Londres-2012 e prata em Pequim-2008 e Rio-2016) e outros cinco em Mundiais (ouro em Barcelona-2013 e Kazan-2015, prata em Xangai-2011 e bronze em Melbourne-2007 e Roma-2009).

Durante todo esse período os franceses viveram uma forte rivalidade com o revezamento americano com destaque para a épica final olímpica de Pequim. Ao longo desse tempo os europeus se deram ao luxo de utilizar diversas formações de equipe, afinal, contavam com vários nomes de peso como os campeões olímpicos individuais Alain Bernard e Florent Manaudou, por exemplo. Porém, após duas temporadas em baixa e um ensaio de retorno no último Mundial em Gwangju, duas notícias preocupam a equipe para os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020.

Mehdy Metella – Foto: AFP Photo

Em 2017 e 2018 o poderoso revezamento francês tornou-se mero coadjuvante. No Mundial de Budapeste-2017 nem sequer se classificou para nadar o evento, mesmo tendo o medalhista de bronze Mehdy Metella em ação. No ano seguinte foi apenas nono colocado no Campeonato Europeu de Glasgow. Com o fim da geração de Bernard, Amaury Leveaux, Fabien Gilot e Fred Bosquet, e as recentes aposentadorias de Manaudou e Yannick Agnel, a França já não era mais a mesma.

Porém, em 2019 houve um fio de esperança. No Campeonato Mundial de Gwangju os franceses terminaram a competição na oitava colocação e conseguiram se classificar para Tóquio. Com a vaga garantida e o retorno de Manaudou as piscinas no segundo semestre do ano passado, a França se animou visando a Olimpíada. Afinal, com o campeão olímpico, a equipe ficava mais competitiva e poderia até sonhar com uma campanha mais digna. Mas 2020 chegou com péssimas notícias para o 4x100m livre do país.

Jeremy Stravius – Foto: Mike Lewis

Primeiro foi Mehdy Metella que no dia 7 passou por uma cirurgia no ombro direito. Após meses convivendo com dores, o velocista decidiu entrar na faca para tentar resolver o problema de uma vez por todas. Até julho ele já deverá ter voltado aos treinos, mas a seletiva francesa será em abril e devido a operação não estará apto a tempo de tentar uma vaga para Tóquio. Em suas redes sociais já anunciou que sua meta será chegar bem aos Jogos de Paris-2024 quando nadará em casa.

Esta semana a baixa da vez foi Jeremy Stravius. O motivo não foi uma lesão e sim o fim da carreira. O francês de 31 anos anunciou através de suas redes sociais que sua carreira chegou ao fim apenas três meses antes da seletiva. Campeão olímpico em Londres e vice no Rio, Stravius nunca foi um grande especialista nos 100m livre (tem um título mundial nos 100m costas em Xangai-2011), mas era experiente, estava no revezamento há anos e sempre foi bastante regular. Uma baixa considerável para a equipe.

Florent Manaudou – Foto: Gian Mattia D’Alberto/LaPresse

Agora restou a Manaudou liderar o time em Tóquio. O francês nunca foi muito chegado a nadar os 100m livre, porém, sempre teve ótimos parciais como os 47s14 na final olímpica no Rio-2016, por exemplo. Manaudou regressou bem as piscinas fazendo boas marcas nos 50m livre, tanto na longa, quanto na curta, e deverá ser o principal nome do revezamento em Tóquio. Ao seu lado ele deverá ter a companhia de jovens velocistas e do já experiente e membro do time em 2016, Clément Mignon.

Entre esses jovens destaque para Maxime Grousset de 20 anos e com 49s16 de melhor marca nos 100m livre e Charles Rihoux de 22 anos que tem 49s66 de melhor tempo na carreira. Ainda podem tentar um espaço na equipe Jordan Pothain de 25 anos com 49s70 de melhor desempenho na prova e Lorys Bourellys de 27 anos com 49s03 de melhor marca pessoal. Além é claro de algum veterano como William Meynard ou Amaury Leveaux, que retornou as piscinas, mas longe de suas melhores marcas.

Maxime Grousset – Foto: Reprodução

A França sabia que uma medalha seria dificílima mesmo com Metella e Stravius. Sem eles então a chance é praticamente impossível. Mas os franceses estão mesmo de olho e na próxima Olimpíada. Querem chegar melhor preparados para os Jogos Olímpicos de 2024, onde pretendem regressar ao pódio. Desta vez em casa, em Paris.

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Florent Manaudou Jeremy Stravius Jogos Olímpicos Mehdy Metella natacao natação francesa Tóquio-2020

Guilherme Freitas

Jornalista sênior da SWIM CHANNEL.

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