Etiene Medeiros: a pioneira da natação feminina do Brasil

27/07/2017

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Primeira mulher brasileira a conquistar uma medalha em Campeonatos Mundiais Júniors. Primeira mulher brasileira a ser campeã mundial em piscina curta. Primeira mulher brasileira campeã pan-americana. E agora primeira mulher brasileira a se sagrar campeã mundial em piscina longa. Etiene Medeiros segue reescrevendo a história e se tornando cada vez mais o principal nome da história da natação brasileira feminina.

Hoje a histórica medalha saiu por apenas um centésimo. Etiene Medeiros passou para a final dos 50m costas com o melhor tempo das semifinais batendo a chinesa Yuanhui Fu por apenas um centésimo: 27s18 contra 27s19. Era novo recorde sul-americano e novo recorde das Américas. Na final aconteceu a mesma coisa. Etienne tocou um segundo a frente de Fu novamente, mas desta vez valia medalha. E a medalha conquistada foi de ouro. Uma medalha histórica, afinal Etiene tornava-se a primeira brasileira a ganhar uma medalha de ouro em provas de natação em piscina nos Mundiais de Esportes Aquáticos da Fina. Unificando os títulos mundiais da prova, já que ela é a atual bicampeã mundial dos 50m costas em piscina curta.

Nadando uma prova no limite, Etiene segurou o ímpeto da rival que defendia o título mundial de Kazan. A brasileira largou bem e forçou durante quase toda a prova. No fim ela jogou o braço antes de Fu, mas com mais qualidade e faturou a medalha de ouro de novo com recorde sul-americano: 27s14, um centésimo a frente da chinesa que chorou bastante no pódio com a medalha de prata.

Etiene Medeiros se prepara para os 50m costas - Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Etiene Medeiros se prepara para os 50m costas – Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Depois da atuação incrível com o revezamento 4x100m livre, Marcelo Chierighini voltou para a piscina buscando subir ao pódio na prova individual. Era sua terceira final consecutiva em Mundiais e mais uma vez ele chegou perto. Com 48s11, igualou sua melhor marca pessoal e terminou na quinta colocação geral, mesma posição de Kazan-2015. O brasileiro até tentou lutar pela medalha, mas não conseguiu acompanhar o forte ritmo de Caeleb Dressel que venceu com o tempo de 47s17, bem a frente de Nathan Adrian e Mehdy Metella que foram respectivamente prata e bronze. Ao fim da prova, Marcelo afirmou que ainda precisa se encontrar a forma perfeita para encaixar nos 100m livre e finalmente atingir a casa dos 47 segundos.

A primeira final do dia também foi vencida por um jovem americano. Chase Kalisz vinha fazendo uma prova discreta quando apertou seu ritmo no nado peito e disparou para a vitória com 1min55s56 deixando para trás dois medalhistas olímpicos no Rio-2016, Kosuke Hagino que terminou em segundo com 1min56s01 e Shun Wang que foi terceiro com 1min56s28. Os Estados Unidos também venceu outra final nesta quinta-feira, com seu revezamento 4x200m livre feminino. Leah Smith, Mallory Comeford, Melanie Margalis e Katie Ledecky nadaram para 7min43s39 não conseguindo bater o recorde mundial, mas fazendo o suficiente para bater as equipes de China e Austrália que completaram o pódio.

Marcelo Chierighini em ação nos 100m livre - Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Marcelo Chierighini em ação nos 100m livre – Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

A outra final do dia foi bastante intensa. Nos 200m borboleta não deu para Katinka Hosszu que nunca havia conseguido vencer esta prova em Mundiais. A torcida bem que ajudou, gritando o tempo todo para empurrar sua heroína, mas não deu. Hosszu até que passou na frente os primeiros 100 metros, mas cansou no final sendo superada por Mireia Belmonte e Franziska Hentke. Enquanto a Dama de Ferro conquistava sua terceira medalha de bronze na prova, a espanhola sagrou-se campeã mundial pela primeira vez após saber atacar no momento certo e fechar com 2min05s26.

O outro brasileiro que caiu na água hoje foi Leonardo de Deus. Depois da atuação abaixo da expectativa nos 200m borboleta, ele voltou para a piscina tentando um bom resultado agora nos 200m costas. Ele sabia que para chegar entre os oito melhores teria que nadar abaixo do recorde sul-americano. Não conseguiu chegar muito perto nadando para 1min57s89 terminando em 11º lugar. O melhor da semifinal foi o chinês Jiayu Xu com 1min54s79. A outra semifinal masculina foi os 200m peito que teve um novo recorde de campeonato. O russo Anton Chupov utilizou uma tática progressiva e com um forte final de prova marcou 2min07s14 superando o recorde tanto da competição, como da Europa. Na final ele terá um duelo interessante com o atual recordista mundial, o japonês Ippei Watanabe que passou em segundo com 2min07s44.

Mireia Belmonte vai se arriscar nas águas abertas - Foto: João Marc Bosch

Mireia Belmonte conquistou seu primeiro título mundial – Foto: João Marc Bosch

Tivemos ainda mais duas semifinais femininas. Nos 100m livre, que abriram os serviços do dia, Sarah Sjöstrom deu uma segurada e mesmo se poupando conseguiu o melhor tempo com 52s44. Lembrando que na abertura do revezamento 4x100m livre ela bateu o recorde mundial com 51s71. Simone Manuel, uma das campeãs olímpicas do ano passado forçou e até bateu o recorde americano com 52s69, mas parece que será muito difícil superar a sueca amanhã. Inclusive, a final terá outras três campeãs olímpicas Pernille Blume, Penny Oleksiak e Ranomi Kromowidjojo.  Já nos 200m peito Yuli Efimova sobrou e quase negativou sua prova, avançado para a final com o melhor tempo com 2min21s49. Lilly King foi apenas a oitava colocada mais de dois segundos atrás da russa.

Ainda restam mais três dias para o fim do Mundial de Budapeste, que vai se tornando um dos campeonatos mais fortes da história e de um altíssimo nível técnico. E amanhã ainda teremos os tão esperados 50m livre masculino. Ainda teremos muitas emoções à vista!

Por Guilherme Freitas

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