Roma

Filippo Magnini despede-se das piscinas

04/12/2017

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Chegou ao fim a carreira de um dos melhores velocistas dos últimos anos. Aos 35 anos de idade Filippo Magnini anunciou sua aposentadoria durante o Campeonato Italiano de piscina curta que terminou ontem em Riccione. O italiano surpreendeu a todos os presentes a piscina, já que não dava indícios de que deixaria de nadar este ano. Magnini deixou a natação competitiva com uma medalha de bronze nos 200m livre, a última da carreira.

Sua trajetória nas piscinas é bem curiosa. Começou nadando peito, mas para poder integrar o revezamento 4x100m livre da Itália passou a focar na velocidade no nado livre se especializando nos 200m e principalmente nos 100m livre. Em pouco tempo já era o melhor do país e em Atenas-2004 disputou sua primeira Olimpíada conquistando sua única medalha olímpica: um bronze com a equipe do 4x200m livre atrás apenas dos supertimes de Estados Unidos e Austrália.

Magnini e a tatuagem da coroa - Foto: Fabio Ferrari/La Presse

Magnini e a tatuagem da coroa – Foto: Fabio Ferrari/La Presse

Entre 2005 e 2007 Magnini viveu o ápice da carreira ao sagrar-se bicampeão mundial dos 100m livre em Montreal-2005 e Melbourne-2007, ser vice-campeão mundial com o 4x100m livre em Melbourne e campeão europeu nos 100m livre em Budapeste-2006, entre outras conquistas. Os ótimos resultados o credenciaram a ser um dos favoritos ao ouro olímpico em Pequim-2008, porém, acabou ficando em nono lugar nas semifinais a quatro centésimos de Cesar Cielo que pegou a última vaga e acabaria com o bronze na final.

Após a Olimpíada chinesa, Magnini oscilou entre altos e baixos. Conseguiu alguns resultados importantes, como a medalha de bronze com o 4x100m livre em Kazan-2015 e o ouro nos 100m livre no Europeu de Debreceni-2012, mas não conseguiu chegar próximo de suas melhores marcas. Mesmo assim esteve em mais duas Olimpíadas e disputou sua última final olímpica com o 4x100m livre em Londres-2012. No Rio-2016 acabou nem nadando já que foi poupado nas eliminatórias do 4x100m livre e o time italiano não passou a final.

Magnini era famoso por fazer uma divisão de parciais eficientes e uma forte volta nos 100m livre. Normalmente costumava passar atrás de seus adversários e os superava com uma ótima segunda parcial. Essa foi a estratégia utilizada em seus dois título mundiais. Em Montreal passou em quarto lugar com 23s14, bem atrás de Roland Schoeman que abriu com 22s42. Na volta Magnini engoliu o sul-africano com uma fortíssima parcial de 24s98 e batendo o então recorde de campeonato com 48s12 (veja o vídeo acima). Já em Melbourne passou apenas em sétimo, de novo com 23s14 e voltou para 25s19 dividindo o ouro com o canadense Brent Hayden.

Outra característica marcante de Magnini é seu gênio forte. Brigou e discutiu com seus treinadores ao longo da carreira, reclamou publicamente dos trajes de sua então patrocinadora que eram inferiores a concorrência durante a era dos trajes tecnológicos e foi um árduo crítico aos atletas que foram pegos no doping. Isso sem falar no intenso romance com a campeã olímpica Federica Pellegrini. Chegaram até a ser noivos, mas terminaram após constantes indas e vindas.

Magnini e Pellegrini viveram um romance intenso - Foto: Reprodução

Magnini e Pellegrini viveram um romance intenso – Foto: Reprodução

Magnini, que se auto-intitulou rei da velocidade após seu título mundial de 2005, deixa as piscinas e vai seguir um novo caminho. Um personagem carismático, marrento e intenso que sem dúvida esta na história da natação mundial. Grazzie Rei Pippo!

Por Guilherme Freitas

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