Histórico de novo: Etiene é prata no Mundial

06/08/2015

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Ela já fez história algumas vezes na carreira. Aos 24 anos, Etiene Medeiros quebra uma barreira diferente a cada competição de grande porte, e chega até a ser difícil se manter atualizado de qual foi o grande feito de momento. Se por 15 centésimos ela não levou para casa uma medalha dourada, seu sorriso foi enorme pela conquista da prata, a primeira medalha da natação feminina brasileira em Mundial Absoluto de Natação.

O tempo foi recorde sul-americano: 27s26. Antes do balizamento, com semblante tenso, uma crise de choro com o técnico e “paizão”, Fernando Vanzella. “Eu chorei ali com ele, e ele nunca me viu chorar antes de nadar. É uma adrenalina que a gente passa, tem muita coisa acontecendo na minha carreira ao mesmo tempo. Tenho que filtrar bem as coisas. Mas estou muito feliz pelo resultado”, disse, pouco antes de receber a medalha.

A experiência ela já conhecia: subiu ao pódio como medalhista de ouro e recordista mundial dos 50m costas na piscina curta em Doha, ano passado. Em Kazan, na Rússia, ficou atrás apenas da chinesa Fu Yuanhui (27s11).

A outra medalha brasileira do dia veio com Thiago Pereira, nos 200m medley (1m56s65), que ficou atrás apenas do primeiro campeão masculino dos Estados Unidos, Ryan Lochte (1m55s81). A prova foi bastante equilibrada e bem nadada, e o brasileiro até comemorou ter saído bem da transição da virada do peito para o crawl, na qual concorreu com a “nova” virada lançada pelo americano (com ondulações em posição dorsal antes de se virar). Porém, nos 50m finais, foi a vez da seleção norte-americana soltar fogos de artifício pelo ouro que, enfim, saiu entre os homens de seu grupo. Henrique Rodrigues terminou na sétima posição (1m58s52).

 

Marcelo Chierighini em ação - Foto: Satiro Sodre/SSPress

Marcelo Chierighini em ação – Foto: Satiro Sodre/SSPress

 

A tradição dos 100m livre em novas mãos

Pela primeira vez na história um representante chinês subiu ao lugar mais alto na prova mais tradição da natação mundial. Ning Zetao não precisou sequer bater sua melhor marca para conquistar o título inédito: com 47s84, ele ficou à frente de Cameron McEvoy da Austrália, que fez 47s95. Os dois únicos atletas abaixo dos 48s na final do Mundial – que teve Vladimir Morozov desclassificado nas semifinais. Na outra extremidade do pódio, outro primeiro medalhista: o argentino Federico Gabrich (48s12) conseguiu o bronze, a primeira medalha em um Mundial de um nadador do país. Sorriso de ponta a ponta, ele deixou a piscina sabendo que fez história. “Teremos festa na Argentina hoje, certamente. Incrível resultado”.

Marcelo Chierighini terminou na quinta posição (48s27), mas satisfeito em ter disputado a final em Kazan. A situação americana não melhorou com Nathan Adrian. Ele terminou apenas com o 7º lugar dos 100m livre, com 48s31, em uma prova que, historicamente os Estados Unidos são os maiores vencedores, com seis títulos. Porém, desde Anthony Ervin em 2001, não consegue a medalha de ouro.

O alento norte-americano mais uma vez passou por Katie Ledecky e por Missy Franklin, os destaques da seleção feminina com tempos na casa 1m55s no 4x200m livre. A fundista, inclusive, recebeu de Katie McLaughin em terceiro lugar, e colocou sua equipe à frente: 7m45s47. Com o ouro, Missy se tornou a maior vencedora dos EUA em mundiais, com dez títulos, enquanto Ledecky chegou a oito, em terceiro lugar deste ranking, com Libby Trickett (9 ouros) em segundo.

A Itália conquistou a sua primeira medalha da história em revezamentos femininos, com a prata no revezamento, e China com o bronze. Apesar da quarta colocação, a Suécia foi impulsionada, claro, por sua estrela: Sarah Sjoestroem obteve a melhor parcial, abrindo o 4x200m livre para 1m54s31, mais forte do que a Ledecky precisou nadar para conquistar o ouro nos 200m livre.

Por Mayra Siqueira

A equipe Swim Channel no Mundial de Kazan é patrocinada pela Finis, a melhor tecnologia para natação.

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