João Luiz Bizerra: mais de três décadas revelando talentos

Membro da comissão técnica do Clube Círculo Militar desde 1988, técnico já trabalhou com diferentes gerações e segue lapidando atletas

10/07/2020 - Guilherme Freitas

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O técnico João Luiz Bizerra - Foto: Reprodução/Facebook

O técnico João Luiz Bizerra - Foto: Reprodução/Facebook

Quando se fala em natação e Círculo Militar o primeiro nome que vem a cabeça é o de João Luiz Bizerra. Com recém-completados 32 anos de casa, é técnico do tradicional clube paulista desde o dia 5 de março de 1988, João é um patrimônio do clube e da natação paulista tendo no currículo ajudado a revelar muitos nadadores neste período e sendo um dos pioneiros das águas abertas no país.

“Me defino como um técnico formador de atletas e que vê o clube como uma família”, conta o veterano treinador em entrevista a SWIM CHANNEL. No clube da capital paulista, João trabalha com todas as faixas etárias. Do petiz ao master, porém, seu foco esta nas categorias de base, do petiz ao juvenil.

João (de óculos escuros no alto) e a equipe do Círculo Militar – Foto: Reprodução/Facebook

“Meu trabalho é voltado para nadadores de meio-fundo, fundo, de 200m estilo e 200m e 400m medley. Minha ideia é fazer todos treinarem para obter resistência e dessa forma poder formar bons nadadores também para as provas de águas abertas. Tento fazê-los nadar provas oficiais da FINA, como os 5 km e 10 km e não as ultramaratonas”, revela o técnico, presença frequente nos campeonatos da CBDA e no tradicional Circuito Maratona Aquática.

Com muitos anos de casa João revela um fato bastante curioso: o de trabalhar com diferentes gerações da mesma família. “O Círculo Militar é um clube que tem um ambiente familiar que me agrada muito. Aqui já treinei mais de 300 atletas, inclusive, pais e filhos. É gratificante poder trabalhar com diferentes gerações. Na categoria master é mais comum treinar nadadores para quem já dei treino décadas atrás. Isso só reforça o vínculo de amizade e respeito que construí aqui”, diz o técnico que revelou ter tido propostas para deixar o Círculo Militar nestas últimas três décadas, mas nenhuma o agradou.

O técnico João Luiz Bizerra – Foto: Reprodução/Facebook

Além da longevidade em um mesmo clube, João também é conhecido por ser um dos técnicos pioneiros das águas abertas na natação nacional. Ainda na década de 1980 já visualizava o potencial de crescimento da modalidade e o talento de alguns fundistas na piscina. “No começo da minha carreira, quando estava no Corinthians (trabalhou lá por cinco anos) e antes de vir para o Círculo, fui eu quem puxou o Munhoz para as águas abertas. Via o Alexandre Angelotti e a Poliana Okimoto nadarem e dizia a ele que ambos teriam muito futuro nas águas abertas”, conta João que também fez questão de citar o crescimento da modalidade.

“Na época existiam poucos evento. Lembro que tinha uma prova tradicional de águas abertas em Ubatuba e sempre nos convidavam para nadar e eu levava alguns atletas para esta prova. Com o passar o tempo as águas abertas foram crescendo e se desenvolvendo em vários aspectos”, afirma.

Um desses na opinião do treinador foi a valorização da modalidade pelas entidades que regem os esportes aquáticos. “Hoje existe mais investimento e profissionalismo. Após a FINA inserir a modalidade nos Campeonatos Mundiais e depois fazê-la parte do programa dos Jogos Olímpicos e Pan-Americanos só ajudou a trazer visibilidade. Além disso, as marcas e federações nacionais também passaram a dar atenção aos eventos. Isso sem falar nas evoluções técnicas, de treinamento, de nutrição. Tudo melhorou”, afirma.

João e alguns de seus nadadores – Foto: Reprodução/Facebook

Na opinião do técnico o fato de haver mais investimento na base também ajudou na formação de bons nadadores de águas abertas, algo que ele costuma fazer no Círculo Militar. “A maratona aquática cresceu porque a natação de base não foi esquecida. Há um maior profissionalismo e investimento em preparar um atleta para essas provas mais longas. Gosto muito de trabalhar com o ritmo do nadador e fazendo trabalhos específicos para as águas abertas é possível formar melhores nadadores”, conta João que cita o fato de haver mais provas para jovens como incentivo. “Um petiz, por exemplo, pode nadar hoje 2,5 km na Copa Brasil. No infantil passa para os 5 km e depois para os 10 km. Isso é algo positivo”, diz.

Com vasta experiência na formação de nadadores João reforça que ser atleta é um investimento na própria carreira e que os jovens talentos devem ter isso em mente para obter sucesso. “Penso que o atleta é um investidor da própria carreira. Aqui no Círculo Militar ele paga as despesas dele, as viagens. Ele indiretamente investe e financia sua carreira. Esse é o diferencial do Círculo Militar que é um clube formador, que valoriza e acredita na natação de base”, finaliza o veterano treinador que continua com sua filosofia de formar e lapidar talentos, acreditando sempre nas categorias de base.

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Guilherme Freitas

Jornalista sênior da SWIM CHANNEL.

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