Junya Koga fala de depressão, suicídio e superação

Nadador japonês tentará uma vaga nos Jogos de Tóquio após passar dois anos suspenso por doping e tenta dar a volta por cima

07/07/2020 - Katarine Monteiro

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Junya Koga - Foto: Mike Lewis/Ola Vista Photography
Junya Koga - Foto: Reprodução

Junya Koga - Foto: Reprodução

Junya Koga - Foto: Mike Lewis/Ola Vista Photography

O nadador japonês Junya Koga deu uma entrevista recente à um canal do Japão sobre sua suspensão após o caso de doping e como isso o afetou no nível competitivo e pessoal. Koga cumpriu suspensão de dois anos depois de ter testado positivo para Ligandrol em março de 2018.

A pena de quatro anos do nadador foi reduzida para dois, após o Tribunal de Arbitragem do Esporte (TAS/CAS) concluir que a contaminação de suplementos foi feito de maneira inconsciente pelo atleta. Sobre o caso, ele comentou. “Na época, eu sentia que não havia futuro para mim e estava me fechando…então a ideia de suicídio começou a surgir na minha cabeça”, disse o nadador.

“Eu nem conseguia sair porque sabia que todo mundo sabia sobre mim e tinha medo de sair. Perdi 8 kg em uma semana porque não conseguia comer nada”, completou.

Junya Koga – Foto: Mike Lewis/Ola Vista Photography

Koga também falou sobre a falta de apoio e entendimento no Japão sobre situações em que os atletas ingerem substâncias ilegais sem querer. “Eu não tinha ninguém com quem conversar. Gostaria que houvesse uma organização ou grupo que possam aconselhar e apoiar os atletas que se enquadram em uma situação como a minha. Aproximadamente um mês antes de ter um resultado positivo, participei do programa de nutrição, incluindo suplementos criados por especialistas que me aconselharam a tomar os suplementos certos no momento certo. Confiei nos especialistas que escolheriam as marcas seguras”, comentou.

O nadador viajou para os Estados Unidos em 2012 para treinar com o treinador Mike Bottom no Club Wolverine Elite e voltou ao Japão após os Jogos Olímpicos do Rio-2016. Ele disse que começou a usar suplementos quando foi para os Estados Unidos depois de ver como os produtos são disponíveis facilmente.

“Não há suplemento 100% seguro. Existe a possibilidade de contaminação durante o processo de fabricação. Ouvi dizer que a tecnologia do laboratório avançou e eles podem detectar uma quantidade muito pequena de substância. No meu caso, acredito que uma pequena quantidade foi detectada, provavelmente devido à minha condição corporal, o que eu comi e o momento de tomar meus suplementos”, disse.

Junya Koga. Foto: Japan Times

Aos 32 anos ele deu a volta por cima e com o adiamento dos Jogos poderá tentar uma vaga na equipe japonesa para as Olimpíadas de Tóquio. “Depois que minha pena terminasse eu tinha definido minha meta para o Mundial em Fukuoka em 2021, mas agora está adiado para 2022. Em 2018, não consegui concluir os Jogos Asiáticos devido à minha punição e gostaria de ganhar outra medalha de ouro depois de oito anos”, revelou.

Koga foi campeão mundial de piscina curta dos 50m costas em 2016 e campeão mundial dos 100m costas no Campeonato Mundial de Roma-2009. Tem outras duas pratas em Mundiais nos 50m costas em Roma-2009 e  Budapeste 2017 e mais três medalhas de bronze com revezamentos japoneses em Windsor-2016.

“Sei que é muito difícil voltar ao nível que deixei dois anos atrás e que há críticas e perguntas sobre o que aconteceu comigo, mas quero contar minha história quando voltar para lá. Também gastei minhas economias com minha taxa legal para a audiência e o custo de vida. Só há uma história que eu posso contar: se você cair, poderá se levantar de novo. Se fosse negado novamente e minha suspensão ainda estivesse em quatro anos, eu teria parado de nadar”, concluiu.

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Katarine Monteiro

Jornalista da SWIM CHANNEL.

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