Melhores do ano: uma escolha mais justa

21/10/2015

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Entre ontem e hoje, a Fifa divulgou a lista dos candidatos ao prêmio de bola de ouro do futebol masculino e feminino, além dos respectivos técnicos. Como sempre alguns nomes foram questionados e outros que estavam cotados ficaram de fora da relação final. Polêmicas e questionamentos não acontecem apenas no futebol. Em outras modalidades também é comum divergências na escolha dos melhores atletas do ano.

Podemos citar como exemplo o que aconteceu ano passado com as escolhas da Fina para os melhores nadadores de 2014. A entidade elegeu o sul-africano Chad Le Clos e a húngara Katinka Hosszu devido a desempenho da dupla nas etapas da Copa do Mundo de piscina curta, evento organizado pela entidade. Ele venceu todas as provas que nadou e ela acumulou mais uma dezena de medalhas.

A escolha não foi muito bem aceita por publicações, especialistas e fãs da modalidade que questionaram o resultado. Mesmo que Le Clos e Katinka tivessem conquistados feitos incríveis na Copa do Mundo, como ignorar as performances de Katie Ledecky e Kosuke Hagino na piscina longa? Ledecky bateu dois recordes mundiais e Hagino acumulou medalhas no Pan Pacífico e nos Jogos da Ásia. Para a grande maioria o resultado final do prêmio foi equivocado.

 

Le Clos e Katinka fora eleitos os melhores do ano em 2014 – Foto: Maria Dobysheva

Le Clos e Katinka fora eleitos os melhores do ano em 2014 – Foto: Maria Dobysheva

 

Pensando em evitar esse tipo de problema este ano a Fina decidiu adotar novos critérios técnicos para a escolha dos melhores da temporada em todas as modalidades aquáticas. Na natação, por exemplo, Jogos Olímpicos e Mundiais de curta e longa passam a ter a maior pontuação, porém, resultados na Copa do Mundo, recordes mundiais atingidos e terminar como top 5 do ranking mundial valerão como critérios para deixar a escolha mais técnica, e consequentemente mais justa.

Por exemplo, calculando os resultados de 2015 Katie Ledecky seria a líder desse critério da Fina. A americana foi brilhante no Mundial de Kazan e bateu três recordes mundiais no ano, além dos bônus pelo top 5 no ranking mundial. Baseando-se na tabela da Fina ela teria até o momento 1030 pontos. Katinka Hosszu ganhou medalhas em Kazan e segue disputando a Copa do Mundo, onde deve mais uma vez ser eleita a rainha da competição. Levando em consideração a tabela da Fina ela teria até agora 740 pontos. A húngara vai ampliar essa conta com os pontos de bonificação pela Copa do Mundo e também caso entre no top 5 em alguma prova onde não esteja.

 

Michael Phelps em San Antonio: comemoração como há muito não se via - Foto: AP

Pelos critérios, Michael Phelps não terá chances de ser o melhor do ano – Foto: AP

 

No masculino destaques em Kazan como Sun Yang, Adam Peaty, Mitchell Larkin e Florent Manaudou somaram muitos pontos. Quem fica prejudicado com esse novo critério é Michael Phelps. Suspenso pela USA Swimming ele não pode nadar o Mundial, mas no campeonato americano marcou os melhores tempos do mundo nos 100m e 200m borboleta e nos 200m medley. Phelps só conseguiria pontuar nessa tabela através do top 5 do ranking mundial onde faria míseros 75 pontos.

O novo método de análise da Fina não é 100% perfeito, mas pelo menos define um critério para se chegar a uma escolha mais técnica, evitando algumas premiações polêmicas como as do ano passado ou a de Ryan Lochte em 2013. Porém, a única certeza é que critério nenhum conseguirá acabar com contestações de fãs e da mídia sobre os prêmios de melhor do mundo. Afinal, cada um tem as suas escolhas e seus favoritos.

Para conferir a pontuação do novo critério da Fina para as modalidades aquáticas clique aqui.

Por Guilherme Freitas

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