Nicholas Santos: o mais velho medalhista em Mundial

24/07/2017

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Dez em dez enólogos vão dizer que quanto mais velho o vinho, melhor ele é. Essa afirmação cai como um luva quando falamos de Nicholas Santos nos 50m borboleta. Com o passar do tempo ele parece estar cada vez mais rápido. No Troféu Maria Lenk ficou a menos de 20 centésimos do recorde mundial e chegou a Budapeste com o melhor tempo do mundo. Sabia que podia mais uma vez subir ao pódio em um Mundial e desta vez no lugar mais alto. E isso tudo aos 37 anos de idade.

Nicholas caiu na água três vezes na Duna Arena e melhorou a cada queda n’água. 23s24 nas eliminatórias, 22s84 na semifinal e 22s79 na final. Terminou com a medalha de prata e apenas quatro centésimos atrás do campeão Ben Proud. Como habitual, Nicholas teve uma ótima saída e liderou uma boa parte da prova que foi bastante equilibrada. Na chegada Proud foi mais firme e levou o ouro. “Estou muito feliz. Hoje eu sou o medalhista mais velho da história do Mundial e continuo com o melhor tempo do ranking. Vou continuar competindo pelo menos até o ano que vem e espero conquistar outras medalhas”, disse o nadador que dedicou a prata ao filho de um ano presente na Duna Arena para ver o pai.

Nicholas Santos parte para a prata nos 50m borboleta - Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Nicholas Santos parte para a prata nos 50m borboleta – Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Henrique Martins também estava na prova e com chances de ir ao pódio. Disputando sua primeira final em Mundiais, largou mal e conseguiu se recuperar ao longo da prova para terminar na sexta colocação com 23s14. Se tivesse repetido suas performances do Troféu Maria Lenk e do Troféu Metropolitano poderia estar junto com Nicholas no pódio. Mas ao fim da prova saiu da piscina satisfeito com o resultado e confiante para um bom desempenho em sua principal prova, os 100m borboleta.

Em outras duas finais os recordes mundiais não caíram por pouco. Adam Peaty abriu os serviços do dia nadando a prova que domina: os 100m peito. Único da história a nadar a distância abaixo dos 58 segundos, o britânico tinha em mente bater sua marca mundial feita no Rio-2016. Começou forte, passando 11 centésimos abaixo do recorde mundial, mas no fim cansou um pouco e terminou com 57s47. O tempo é apenas 34 centésimos acima de seu recorde e também segunda melhor marca da história. E claro, novo recorde de campeonato. Nos 100m borboleta Sarah Sjöstrom chegou mais perto. Ficou a apenas cinco centésimos da prova onde é hegemônica há anos. Pela quarta vez conquistou o título mundial na distância e mais uma vez nadando na casa dos 55 segundos: 55s53.

Katinka Hosszu fez a festa na Duna Arena - Foto: Reprodução

Katinka Hosszu fez a festa na Duna Arena – Foto: Reprodução

Tivemos também quase dois outros recordes mundiais, mas desta vez em duas semifinais femininas. Nos 100m peito Yulia Efimova ficou a apenas um centésimo da marca mundial ao nadar para 1min04s36. A russa já havia mostrado bons resultados nos campeonatos do verão europeu e o tempo não foi uma surpresa. Amanhã a final será um grande tira-teima contra a algoz Lilly King, que a derrotou n final olímpica e que respondeu ao tempo da russa logo na semifinal seguinte com 1min04s53. Nos 100m costas não teve disputa, Kylie Masse sobrou e ficou a apenas seis centésimos do recorde mundial de Gemma Spofforth. Com 58s18 a canadense se coloca como a grande favorita para o ouro já que Katinka Hosszu abriu mão de nadar a semifinal.

Mas a desistência foi por um bom motivo. Hosszu se concentrou para encarar os 200m medley e a Dama de Ferro foi implacável em todo o percurso dominando e liderando de ponta a ponta. Seu objetivo era justamente tentar bater o recorde mundial que é dela mesma. O recorde não veio, mas vitória sim. Um bela vitória para a húngara que cravou 2min07s00 e fez a Duna Arena explodir com o primeiro ouro da Hungria neste Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos. Festa da torcida!

Guilherme Guido disputa sua primeira final - Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Guilherme Guido disputa sua primeira final – Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

O dia ainda teve mais duas semifinais. Nos 100m costas masculino Guilherme Guido conseguiu se classificar para a final de amanhã com o sétimo tempo com 53s71. Será a sua primeira final de Mundial e ele terá mais uma chance para romper a casa dos 53 segundos. O melhor tempo ficou com o favorito ao ouro: o chinês Jiayu Xu com 52s44 que diminui muito o ritmo no final para se poupar para amanhã. Na outra semifinal masculina, dobradinha britânica com os jovens Duncan Scott e James Guy, que fizeram 1min45s16 e 1min45s18. Logo atrás veio Sun Yang, o favorito ao título com 1min45s24.

Um dia intenso e com excelentes performances (veja todos os resultados aqui) que mostram que esse Mundial é de altíssimo nível mesmo estando desfalcado de algumas estrelas. Uma mostra de que a semana que vem pela frente será empolgante.

Por Guilherme Freitas

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