Fome de atleta

Nadar dá fome? Porque os nadadores sentem tanta vontade de comer? Respondemos aqui

31/01/2018 - Renê Leite

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Ter uma boa alimentação é sempre recomendado - Foto: Reprodução

Ter uma boa alimentação é sempre recomendado - Foto: Reprodução

Esse é um dos questionamentos que sempre fazem em relação à natação, principalmente quando a pessoa está pensando em usar a atividade para perder peso. Um artigo produzido pelo Journal of Clinic Endocrinology & Metabolism mostrou que 40% das pessoas que comem fora de hora por estarem com fome, na verdade, estão com “sede”, em processo de desidratação.

Poucos sabem que, a partir do momento em que o corpo perde cerca de 2% de água, suas funções já ficam prejudicadas, desde frequência cardíaca até remoção de produtos tóxicos como ureia, creatinina, ácido úrico. Há prejuízo também na atividade física, relacionada diretamente à produção de ácido láctico.

Mas, enfim, voltando à fome, muitos atletas precisam se preocupar com o peso. Ou porque é importante para performance (ginástica, judô e artes marciais – divididos em categoria por peso) ou porque têm forte tendência a ganho, o que atrapalha também o rendimento esportivo e aumenta chance de lesões.

No caso específico da natação, com essa troca de temperatura de todo corpo associado ao processo de osmose, o organismo perde muita água, mais até que em alguns casos de corrida. Um exemplo: um nadador que, em simples treino, chega a perder mais de dois quilos. Fisiologicamente falando, nesse treino de duas horas sua melhora não aconteceu nos últimos minutos e seu corpo entrou em processo de perda de peso em vez de ganho de performance.

Quando falamos de água, hidratação, temos também uma grande diferença. Muitos atletas ou praticantes de atividade física intensa tendem a perder sais mineiras, como sódio, potássio, magnésio, além de líquidos. Com isso, o simples consumo de água acaba ajudando no processo de recuperação, tendo assim de usar algum tipo de isotônico, seja água de coco, suco com pitada de sal ou produtos que encontramos nos mercados. Para aqueles que têm atividade de até uma hora e meia não muito intensa (cerca de 70% da frequência cardíaca), ingerir apenas a água já ajuda muito, mesmo sendo na piscina.

Cuidado com o que você come

Para saber qual quantidade adequada a ingerir, basta se pesar antes e após um dia de treino, sem ingerir absolutamente nada. Veja o peso perdido e tente consumir a mesma dose durante cada sessão. Você sentirá rapidamente a melhora. Os atletas que não cuidam desse simples detalhe correm risco de sair de um treino sentindo fome, comer de forma errada e assim aumentar o percentual de gordura, prejudicando também o ganho de massa muscular por não comerem alimento correto.

Outro ponto importante em relação à fome é a ansiedade. Sabemos que atletas vivem em situações de estresse e tensão e isso realmente aumenta muito a vontade de comer, como se fosse saída para a angústia – principalmente quando estão em fase de polimento. Neste caso, há ansiedade em relação à competição e diminuição do volume e intensidade dos treinos. Comendo mais, o nadador pode aumentar a chance de ganhar peso e isso, com toda certeza, o prejudicará no momento principal: a competição. Portanto, saber lidar com as emoções é de extrema importância, seja com terapia ou algum outro método que possa ajudá-lo.

E, para terminar, um dos fatos mais importantes é o que chamamos de fome oculta. É uma situação em que o corpo se encontra com déficit de vitaminas e minerais, fazendo assim que a pessoa coma o que estiver à frente, seja doce com salgado, salgado com azedo, comida gelada, etc. Essa compulsão por falta de vitaminas é apenas um sinal de que o corpo não está bem cuidado. A falta dessas vitaminas e minerais prejudica o bom funcionamento do seu corpo e, automaticamente, prejudica seu rendimento.

Por isso, devemos ressaltar sempre a importância de um profissional da nutrição para elaborar um plano alimentar ideal para seu estilo de vida, intensidade, frequência e tipo de treinos.

Atentem-se ao corpo, pois ele sempre nos dá sinais.

Renê Leite

Nutricionista especialista em Fisiologia e Biomecânica do Exercício.