O que comer antes da travessia?

Nadar longas distâncias requer uma alimentação bem balanceada para evitar problemas durante provas e prejudicar sua travessia

06/03/2018 - Renê Leite

Facebook Twitter

 

A cada dia, estamos vendo crescimento de mais e mais provas de águas abertas. E, quando falamos nesse assunto, surgem várias dúvidas em relação à alimentação em diversas situações que podem ocorrer em provas. Dessa forma, podemos destacar que o período antes e sobretudo durante a prova é muito importante para a performance, principalmente se a prova for mais longa. Assim, para qualquer atleta, inclusive para o que compete em terra, o objetivo primordial é otimizar estoques de glicogênio e hidratação do corpo antes de cair na água.

O objetivo durante a prova é complementar outras fontes de energia do nosso corpo (glicogênio e gordura); o foco está em consumir carboidratos (um mínimo de 30 a 60 gramas por hora) de forma rápida em quantidade que o corpo possa facilmente digerir e metabolizar enquanto nada.

Outros nutrientes, como aminoácidos, proteínas e eletrólitos, poderão ser adicionados desde que não interfiram negativamente na osmolaridade da mistura, o que pode diminuir a disponibilidade de carboidratos e água. Devemos respeitar a individualidade biológica de cada atleta e não esquecer o tipo de prova percorrida, local, clima, água (doce ou salgada), horário da prova e qual a melhor forma de alimentação ou suplementação durante a prova. Lembramos ainda que um nadador de águas abertas também pode encontrar diversas condições meteorológicas diferentes no dia da prova, que podem influenciar e prejudicar o desempenho durante a competição.

Abaixo, seguem algumas dicas para maratona aquática:

– O planejamento nutricional ideal com fracionamento da dieta começa no dia anterior à prova e consiste em comer três refeições completas e três lanches, incluindo um na véspera da prova antes de dormir e outro como desjejum na manhã seguinte; evite alimentos que possam causar má digestão, como grãos (feijão, milho, ervilha, grão de bico) e gorduras (frituras, molho branco com queijo ou creme de leite, queijos gordurosos, empanados, à milanesa);

– Priorize carboidratos na dieta, ingerindo pratos à base de batatas, arroz, pão e macarrão; não exagere na quantidade e coma apenas o suficiente;

– Não comprometa o sono em troca de mais uma oportunidade de se alimentar;

– Durante a prova, alimentos líquidos são bem tolerados, pois são mais fáceis de deglutir e não exigem mastigação;

– Para minimizar quedas de performance associadas à hipoglicemia-rebote, procure não se alimentar muito próximo à largada – pelo menos trinta a 45 minutos antes dela;

– Combine várias fontes de carboidratos para otimizar utilização dessa fonte de energia;

– Aumente a hidratação bebendo mais água, água de coco, sucos diluídos ou chás; tenha sempre por perto uma garrafa de água ou isotônico, pois isso fará diferença;

– Prefira alimentos preparados de forma mais simples, sem molhos pesados e cremes, somente cozidos ou assados;

– Durante refeições, evite bebidas concentradas ou gaseificadas; prefira sucos diluídos em água ou água mineral sem gás.

Renê Leite

Nutricionista especialista em Fisiologia e Biomecânica do Exercício.