O breakout no nado costas

Saiba mais sobre essa técnica que ocorre no momento da transição entre a parte submersa e a parte nadada da prova

27/08/2019 - Katarine Monteiro

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Guilherme Guido - Foto:  Satiro Sodré
Etiene Medeiros - Foto:  Satiro Sodré

Etiene Medeiros - Foto: Satiro Sodré

Guilherme Guido - Foto: Satiro Sodré

Ao término do Campeonato Mundial de Desportes Aquáticos em Gwangju, na Coreia do Sul, alguns fundamentos e técnicas na hora do nado ficaram mais evidentes em alguns nadadores, do que em outros. A saída do bloco, as viradas, a eficiência do nado e o tempo de reação da saída, são algumas das ações que podem fazer a diferença na hora da prova.

Milésimos de segundo contam, além de um bom fundamento e técnica que fazem a diferença. Um desses é o breakout, termo em inglês que significa a transição da fase submersa do nado para o nado propriamente dito. “Seria a conexão da última ondulação abaixo da superfície conectando diretamente a braçada rompendo a superfície da água que alguns chamam de “decolagem””, comentou Alexandre Indiani, técnico do Minas Tênis Clube.

O “nado submerso”, também chamado de quinto nado, foi utilizado pela primeira vez pelo nadador americano David Berkoff, antes dos Jogos Olímpicos de Seul na Coreia do Sul em 1988. Na época, ele permaneceu por mais de 37 metros debaixo d’água. Meses depois durante a Olimpíada, Daichi Suzuki venceu Berkoff por apenas 13 centésimos. O japonês utilizou a mesma técnica na fase submersa do americano e superou na batida de mão (assista a prova clicando aqui).

Guilherme Guido – Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

O maior estudioso do breakout foi o treinador Bob Gillett, que esteve no Encontro de Técnicos de Natação em 2013. Seus estudos comprovaram que realmente o nado submerso é mais veloz que o nado na superfície e por esse motivo a FINA restringiu, no inicio dos anos 90, a distancia de permanência embaixo d’água para 15 metros.

Indiani pontua os melhores breakouts do país: Etiene Medeiros do SESI, Erika Gonçalves do Corinthians, Maria Luiza Pessanha, Guilherme Massê e Guilherme Guido do Esporte Clube Pinheiros, Fernanda Goeij do Curitibano e Gabriel Fantoni do Minas TC, além da argentina Andrea Berrino que representa a Unisanta

No mundo, podemos tomar como base o Mundial que tivemos na Coreia recentemente. Indiani destaca as americanas Regan Smith e Olivia Smoliga, as australianas Mina Atherton e Kaylee Mckeown, a russa Daria Varkina (RUS) e a canadense Kylie Masse. Entre os homens ele aponta como donos dos melhores breakout os russos Evgeny Rilov e Kliment Kolesnikov, os australianos Mitchell Larkin e Luke Greenbank, o chinês Jiayu Xu, o sul-africano Zane Waddell e o americano Ryan Murphy.

Etiene Medeiros – Foto: Satiro Sodré

O ponto crucial para um bom breakout é a transferência da velocidade da fase submersa para a primeira braçada. Segundo Indiani, o maior problema de um breakout é a profundidade no momento em que se terminam as ondulações e quando se vai fazer a primeira braçada.

“Se estiver muito fundo, o atleta perderá tempo e se estiver muito próximo da superfície seu breakout não terá tanta potência. Deve-se contar o número de ondulações, que cada nadador faz até os 15 metros (limite para não ser desclassificado). Após esta medição deve-se marcar o tempo destes 15 metros para realmente saber o quão eficiente é este submerso. Caso não seja, deve-se adequar a distância para que não se perca tempo”, disse o técnico lembrando que acertar a profundidade do corpo na hora da saída é fundamental.

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Alexandre Indiani breakout costas Daichi Suzuki natacao técnica

Katarine Monteiro

Jornalista da SWIM CHANNEL.

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