O drama de James Magnussen

O "míssil" australiano já cogita aposentadoria. E um dos maiores nadadores de sua geração pode terminar a carreira sem um ouro olímpico individual

04/02/2019 - Daniel Takata

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James Magnussen (foto: divulgação)
James Magnussen - Foto: Jason Evans/COI

James Magnussen - Foto: Jason Evans/COI

James Magnussen (foto: divulgação)

Final olímpica dos 100m livre em Londres, 2012.

Quem viu jamais esquecerá.

O australiano James Magnussen, na raia 4, é o franco favorito. Tem, disparado, o melhor tempo do ano.

No entanto, não nadou bem sua prova anterior quatro dias antes, o revezamento 4x100m livre, na qual, integrante da equipe da Austrália favoritíssima ao ouro, terminou apenas na quarta posição.

Seu maior rival, o americano Nathan Adrian, alinhado na raia 5, sabe disso.

A prova é disputadíssima e, faltando alguns metros para a chegada, parece que Magnussen vai levar.

(afinal, é conhecido por seu incrível final de prova)

Mas Adrian se recupera e conquista a medalha de ouro.

Por um centésimo de segundo.

Assista o vídeo a prova a seguir.

 

Enquanto os holofotes se concentram no americano, as reações de Magnussen não são televisionadas.

Por isso, não são muitos a presenciar as comoventes cenas que se seguem.

Magnussen, de volta à arquibancada com a seleção australiana, desaba em um pranto desesperado. Nada o consola.

O australiano grita, esperneia, soca o chão. A cena chega a preocupar os presentes, a ponto de o médico da delegação australiana ficar a postos para qualquer consequência mais séria do destempero do nadador.

A cólera de Magnussen tinha razão de ser.

Ele sabia que talvez aquela chance jamais se repetiria.

Afinal, meses antes, ele completara a distância em 47s10, um desempenho inacreditável para a época, ameaçando o recorde mundial de Cesar Cielo (46s91), da era dos trajes tecnológicos.

E, na final olímpica, seu tempo foi de 47s53.

Ainda conquistaria o bicampeonato mundial da prova, em 2013.

James Magnussen, ouro nos 100m livre no Mundial de Barcelona, em 2013 (foto: divulgação)

Mas não manteve o ritmo nos anos seguintes.

Após uma cirurgia no ombro em 2015, jamais chegou perto de seus melhores dias.

Em 2016, sequer se classificou para nadar os 100m livre na Olimpíada do Rio de Janeiro.

Nos últimos anos, na Austrália, acostumou-se a ser coadjuvante de Kyle Chalmers, o atual campeão olímpico dos 100m livre, e de Cameron McEvoy, recordista nacional da distância.

Magnussen terminou o ano passado como o quinto mais rápido australiano nos 100m livre com 48s68.

Essa semana, declarou que há uma boa chance de se aposentar da natação antes dos Jogos Olímpicos de 2020, em Tóquio.

“Meu coração me diz para tentar, mas minha cabeça diz que talvez essa não seja a melhor decisão pensando no futuro”, disse ele. “Na minha idade (27 anos), é preciso ponderar as oportunidades fora da natação em comparação com tentar mais uma Olimpíada.”

Ele tem noção de que, mesmo que obtenha classificação para a Olimpíada de 2020, é improvável que tenha condições de lutar por um ouro olímpico individual mais uma vez, como foi em 2012.

Seu 47s10 obtido na seletiva olímpica australiana daquele ano é uma das grandes performances dos últimos tempos (vídeo a seguir).

 

Desde então, somente um nadador, seu compatriota Cameron McEvoy, conseguiu nadar mais rápido.

A parcial de volta de Magnussen naquela ocasião, 24s42, foi incrível. Tanto que é a mais rápida da história, mesmo considerando as marcas obtidas com trajes tecnológicos entre 2008 e 2009.

Não por acaso, era uma das estrelas quando desembarcou em Londres para a disputa da Olimpíada.

Pouca gente tem dúvidas de que, entre 2011 e 2013, James Magnussen era o melhor nadador de 100m livre do mundo.

Mas, por um capricho do destino e um mísero centésimo, um dos maiores nadadores de uma geração provavelmente terminará a carreira sem uma vitória individual em Jogos Olímpicos.

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Austrália James Magnussen natacao natação australiana

Daniel Takata

Redator da SWIM CHANNEL.

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