Roma

O lado positivo do resultado do Brasil no 4x100m livre

A 6ª posição conseguida pela equipe brasileira ficou aquém do que se esperava. Mas não há motivos para desespero

21/07/2019 - Daniel Takata

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Marcelo Chierighini - Foto:  Satiro Sodré
Bruno Fratus - Foto:  Satiro Sodré

Bruno Fratus - Foto: Satiro Sodré

Marcelo Chierighini - Foto: Satiro Sodré

Sejamos sinceros: a 6ª posição da equipe masculina do Brasil no revezamento 4x100m livre, no primeiro dia do Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos em Gwangju, na Coreia do Sul, ficou aquém das expectativas.

Por diversos motivos.

Primeiro, porque a equipe defendia o vice-campeonato mundial e havia conquistado a medalha de ouro no Pan-Pacífico do ano passado.

Segundo, porque, somando os tempos de seus nadadores das provas individuais esse ano, a equipe aparecia com a segunda melhor marca de 2019.

O portal americano de natação SwimSwam havia projetado uma medalha de prata para o Brasil, atrás apenas dos Estados Unidos.

E, além de tudo, há um trabalho específico voltado para esse revezamento, visando os Jogos Olímpicos de Tóquio, no ano que vem.

Uma atenção dada por CBDA e treinadores que jamais havia se visto.

E também uma concorrência incrível entre nadadores por vaga no revezamento, o que indubitavelmente aumenta o nível da equipe.

Marcelo Chierighini abre o revezamento 4x100m livre – Foto: Satiro Sodré

Portanto, não há como não se perguntar: o que aconteceu para que a equipe terminasse na 6ª posição?

Primeira e óbvia constatação: a prova foi forte. Muito forte.

O tempo do Brasil de 3min11s99 foi exatamente o mesmo registrado pela Hungria no Mundial de 2017.

A diferença é que, hoje, foi suficiente para a 6ª colocação. E, há dois anos, os húngaros levaram a medalha de bronze.

O Brasil nadou hoje mais de um segundo melhor do que fez na Olimpíada de 2016. Lá, ficou em quinto, e hoje, em sexto.

E a outra constatação: a equipe brasileira, realmente, nadou aquém do esperado.

Estávamos com a inesquecível prova de 2017 na memória, em que o Brasil lutou braçada a braçada contra os favoritos americanos.

Para quem esperava uma prova similar hoje, não pode negar a frustração.

Afinal, o tempo final do Brasil foi mais de um segundo e meio pior do que naquele Mundial.

Para grandes conquistas, grandes desempenhos precisam acontecer.

Vide os vencedores Estados Unidos, com Zach Apple fazendo um fantástico 46s86 e Nathan Adrian, incrivelmente recuperado de um câncer, fechando para 47s05.

Equipe americana campeã do 4x100m livre – Foto: Reprodução

Vide a Rússia, que, somando os tempos da prova individual desse ano, tinham 3min12s52, e terminaram com a prata com 3min09s97.

Vide a Austrália, em situação semelhante: soma de 3min13s53, tempo final de 3min11s22.

Esse algo a mais não foi mostrado pela equipe brasileira hoje.

Claro, a equipe sentiu falta de Gabriel Santos, suspenso por testar positivo em exame antidoping.

Gabriel é um nadador de 47s na prova individual e faria falta a qualquer equipe do mundo.

Mas, colocando na ponta do lápis, mesmo sem Gabriel, o Brasil continuava entre os candidatos ao pódio.

A expectativa era que Marcelo Chierighini abrisse para seu melhor tempo, ou seja, em torno de 47s7; que Pedro Sjapari tivesse um desempenho próximo ao que teve no Pan-Pacífico do ano passado (havia nadado para 46s9; vamos colocar aqui 47s2); que Bruno Fratus fizesse um tempo similar ao do Mundial de 2017 (47s2); e que Breno Correia, que brilhou no Mundial de Curta do ano passado, fechasse na casa dos 47s (vamos colocar 47s9).

O tempo total, dessa forma, seria de 3min10s00, bem similar ao da Rússia.

E, mesmo com uma piora de dois a três décimos por nadador, seria suficiente para o bronze.

No final das contas, as parciais foram: Marcelo 48s10, Pedro 48s14, Bruno 47s78, Breno 47s97.

Breno Correia – Foto: Satiro Sodré

A média dos tempos foi de 47s99.

E, hoje, é preciso bem menos que isso para estar na briga.

Não se engane: a prova olímpica, no ano que vem, será ainda mais forte.

O lado bom é que, pelo que vimos hoje, não há o que temer.

O Brasil continua entre as melhores equipes do mundo.

Claro, nem sempre as coisas saem como o esperado.

Mas não se esqueçam que isso acontece com as melhores equipes.

No Mundial de 2015, Estados Unidos e Austrália sequer conseguiram se classificar para a final.

No Mundial de 2017, a França, defensora do título, em má fase, nem nadou a prova.

Os brasileiros sabem que terão que voltar a mostrar aquele algo mais no ano que vem.

Não será novidade. Eles já fizeram isso anteriormente.

Por mais forte que tenha sido a prova de hoje, não muda em absolutamente nada em relação ao que a equipe brasileira é capaz e ao que podemos esperar dela.

Se mostrarem o que sabem em Tóquio, se consagrarão.

As lições e a resiliência que os nadadores irão assimilar após a prova de hoje certamente serão fundamentais para isso.

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