O Mundial digital da Fina

17/07/2017

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Teve início na última sexta-feira a 17ª edição do Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos em Budapeste. Você está acompanhando aqui na SWIM CHANNEL nossa cobertura especial e os resultados das primeiras provas de águas abertas, onde o Brasil já subiu ao pódio com Ana Marcela Cunha na maratona aquática de 10 km. E nesses primeiros dias além das atividades aquáticas, estamos assistindo também a mudanças e inovações que a Fina (Federação Internacional da Natação) esta realizando em nome da modernização e audiência de suas modalidades.

Presente na capital húngara para cobrir o Mundial, o Coach Alexandre Pussieldi assistiu a algumas reuniões da Fina. Ele escreveu no site Best Swimming que o presidente Julio Maglione durante a primeira coletiva para a imprensa em Budapeste, afirmou em alto e bom som que este será o “maior campeonato mundial da história”. Lembramos que o atual presidente esta em campanha eleitoral onde tenta obter um terceiro mandato em eleição que ocorre semana que vem. Pode até ser um discurso eleitoreiro, mas por outro lado tem um pouco de verdade nas palavras de Maglione quando olhamos para o lado digital deste Mundial.

O presidente da Fina Julio Maglione (a direita) e o primeiro ministro Viktor Orban - Foto: Szilard Koszticsak/MTI

O presidente da Fina Julio Maglione (a direita) e o primeiro ministro Viktor Orban – Foto: Szilard Koszticsak/MTI

Aproveitando a realização do Mundial de Esportes Aquáticos, que é o seu principal evento, a Fina colocou no ar uma de suas maiores apostas para o futuro: a Fina TV. O serviço consiste em um canal de TV com conteúdo 100% relacionado as modalidades e a entidade internacional. Projetado para rodar em telefones, tablets e computadores este novo projeto vai cobrir e transmitir todas as competições do calendário da Fina e promover outros programas exclusivos semelhante ao que ligas americanas como a NFL e NBA fazem atualmente.

A Fina TV não é gratuita e tem taxas de cobrança mensal ou anual custado entre US$ 7,99 e US$ 39,99 (entre R$ 25,50 e 127,60). A aposta da entidade é justamente ampliar sua audiência global, divulgar ainda mais suas modalidade e claro, lucrar um bom dinheiro com assinaturas e vendas de publicidade. Porém, o serviço não esta disponível em alguns países devido a restrições geográficas e acordos com outras emissoras TV, casos do Brasil e dos Estados Unidos. E até o momento não há previsões de eles estarem disponíveis para telespectadores ainda este ano. Dessa forma é bem provável que o canal do Youtube da Fina seja utilizado apenas para divulgação e highlights de sua versão de TV. (Veja abaixo um teaser da Fina TV).

Mas as inovações da entidade não param por ai. Além da Fina TV a instituição esta estreando neste Mundial uma nova tecnologia de cronometragem em parceria com a Omega chamada de timekeeping que já pode ser vista nas transmissões das provas de águas abertas com os sensores colocados em várias boias registrando várias parciais dos atletas. Mas isso precisa ser aperfeiçoado, já que nas duas provas até aqui muitos erros de cronometragem foram registrados deixando os telespectadores um pouco confusos. Outra novidade é a escolha do atleta do dia através de votação popular dentro da Fina TV, algo que outros esportes sempre fizeram e ajudam a criar vínculos com seus seguidores nas redes sociais. Oferecido pela Samsung as vencedoras dos dois primeiros dias de disputa foram a saltadora australiana Maddison Keeney e a nadadora francesa Aurelie Muller.

Além das tecnologias a Fina esta de olho também na audiência e no retorno comercial que suas modalidades podem gerar. Por isso alterou o nome do nado sincronizado para natação artística. A mudança entra em vigor logo após o Mundial e trata-se de um nome mais vendável. Mais uma vez a entidade manteve no programa de provas o dueto misto seguindo a política de igualdade de gêneros do Comitê Olímpico Internacional, já que a agora natação artística corre o risco de ser eliminada do programa olímpico por ser uma modalidade apenas para mulheres. E convenhamos que não deixa de despertar curiosidade no público em ver como um homem se sai num evento que até ontem era exclusivamente feminino.

A Fina testa novidade na cronometragem neste Mundial - Foto: Satiro Sodré/SSPress

A Fina testa novidade na cronometragem neste Mundial – Foto: Satiro Sodré/SSPress

Outra modalidade que também pode sofrer significativas mudanças em nome da audiência é polo aquático. O tradicional esporte aquático coletivo tem regras que não agradam as emissoras de TV e por isso esta sendo estudado uma reformulação como aconteceu com o vôlei, deixando-o mais adaptável a televisão. Teríamos na piscina menos atletas, bolas mais leves e mais contato físico entre os atletas tornado o jogo mais dinâmico, animado e com uma média de gols maior. Porém, a tradicional comunidade do polo aquático mostra-se avessa a essa revolução no esporte e dificilmente essas modificações aconteceram neste ciclo olímpico.

Como podemos ver a Fina decidiu entrar de vez na era digital. Ela sabe que pode ampliar sua audiência e ganhar mais dinheiro graças a essa visibilidade global. E isso vem acontecendo há alguns anos, desde a inclusão do High Diving no programa do Mundial de Esportes Aquáticos e da criação de um app que disponibiliza resultados, notícias, estatísticas e fichas de atletas desde a temporada 2000, lançado no final do ano passado.

O novo aplicativo da Fina - Foto: Reprodução/Fina

O aplicativo da Fina – Foto: Reprodução/Fina

Budapeste-2017 já inovou criando a versão “molhada” da tocha do fogo olímpico na cerimônia de abertura, a substituindo por um recipiente com água. Este pode não ser o maior Mundial de todos os tempos como disse Maglione, porém, que é o mais moderno e digital de todos isso é.

Por Guilherme Freitas

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