O quanto vale o Pan-Americano?

21/07/2015

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O tema é polêmico. É chato. Há os defensores e os críticos com unhas e dentes. Mas é muito simplista e leviano decretar que o valor das conquistas brasileiras nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá, têm pouca expressão. E vale explicar o porquê.

Etiene Medeiros fez história, conquistou a primeira medalha de ouro da natação feminina brasileira, venceu a 12 vezes medalhista olímpica Natalie Coughlin na prova individual, sorriu com o mascote e medalha de ouro no pódio. Além de tudo isso falar por si só, lembremos que a atual campeã e recordista mundial dos 50m costas em curta baixou a barreira do minuto na prova de 100m do estilo e fez o sétimo melhor tempo do ano: 59s61. “Eu sabia que para ganhar a prova teria que nadar para 59s. Mas na hora eu só consegui ver o 1, de primeiro lugar, no placar. Até agora não sei se eu ri, se eu chorei, o que aconteceu comigo ali na hora!”, disse a nadadora. Mas, para não encerrar ainda sobre a melhor atleta do país nas piscinas hoje em dia, vale lembrar seu papel fundamental nos dois bronzes dos revezamentos 4×100 medley e livre, e a prata nos 50m livre. Com 24s55, a pernambucana deixa para trás especialistas como Gracielle Herrmann, oitava melhor marca do planeta em 2015, também credenciada para uma final Mundial e, quem sabe, olímpica.

Aos 28 anos de idade, Joanna Maranhão quebrou um recorde que durava 11 anos, da época em que ela foi finalista olímpica. Baixou quase todas suas outras marcas nesse Pan, e vive uma fase de levantar qualquer torcedor da arquibancada para aplaudi-la. Foram dois segundos de quebra: 4m38s07 nos 400m medley, e a autossuperação apareceu outra vez no caminho da também pernambucana.

Recordes sul-americanos em todos os revezamentos femininos. Um deles por 3 segundos, nos 4x100m livre, lado a lado com a americana campeã olímpica Alisson Schmitt, de igual pra igual. “Não esperava tão bem nadar os 100m livre. Quando eu a vi ao meu lado, todos torcendo, pensei ‘não vou deixar ela abrir!'”, disse Daynara de Paula, que fez parte dos 3m37s39 ao lado de Larissa Oliveira, Gracielle e Etiene, uma marca que daria a sexta colocação no Mundial de Barcelona de 2013 para esse mesmo grupo. A vaga olímpica é uma realidade para os três revezamentos femininos, e uma final é um sonho realizável nos dois de estilo livre.

Tudo isso falando apenas da natação feminina, que tanto carecia de crescimento nos últimos anos.

 

Etiene Medeiros - Foto: Satiro Sodre/SSPress

Etiene Medeiros – Foto: Satiro Sodre/SSPress

 

Entre os peitistas, o sucesso e o esforço continuam dando frutos. Felipe França caiu na água para, com tranquilidade, nadar duas vezes abaixo de um minuto nos 100m peito. Fez, na final, o terceiro tempo do mundo, com 59s21. Não importa a cor da medalha pan-americana. França é realidade de pódio para uma prova olímpica.

Henrique Rodrigues bateu o maior medalhista pan-americano da história, medalhista olímpico, e também fez a terceira melhor marca do ano nos 200m medley: 1m57s06.

João de Lucca, o rei das jardas americanas, reverteu para a piscina longa o seu talento: nono tempo do mundo de 2015, com recorde sul-americano nos 200m livre, com 1m46s47.

Bruno Fratus nadou abaixo dos 22s no 50m livre (21s91), algo que o tricampeão e recordista mundial Cesar Cielo só fez uma vez em 2015.

Leo de Deus, com 1m55s01, além do bicampeonato pan-americano, fez o sexto  melhor tempo da temporada nos 200m borboleta.

Brandonn Almeida, nadador ainda de categoria Junior, não só conquistou um ouro (graças à desclassificação de Thiago Pereira) aos 18 anos, como fez o 16º tempo do ano nos 400m medley, além de uma prova espetacular nos 1500m livre, no tradicional “se tivessem mais alguns metros, ele alcançava os rivais”. Não só isso. O jovem do Corinthians é destaque em todos os campeonatos que disputa desde a categoria Petiz, ou seja, desde seus 11 anos. Sempre baixando seus tempos.

E três revezamentos alucinantes, com destaque para o 4x100m livre e medley.

Eu sequer preciso mencionar Thiago Pereira, que se tornou o maior medalhista do torneio de todos os tempos, com 23 medalhas. O Pan e suas medalhas podem não ter grande relevância no cenário esportivo mundial, mas o que importa avaliar são os resultados dos atletas no ranking mundial, além dos rivais (vários olímpicos) superados. Isso é um credenciamento de grandes posições nos campeonatos subsequentes. Diante do desempenho em ascensão de uma delegação que hoje é reconhecida internacionalmente e que chama a atenção do mundo, não é preciso focar em Thiago ou em Cielo. O Brasil, hoje, já se tornou mais do que eles na natação.

Por Mayra Siqueira

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