O que te motiva?

Alguns dos principais nadadores e ex-nadadores do Brasil contam o que os motivam para treinar e superar os desafios da carreira

17/01/2019 - Katarine Monteiro

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Nicholas Santos - Foto: Satiro Sodré/SSPress
Gustavo Borges - Foto: Satiro Sodré

Gustavo Borges - Foto: Satiro Sodré

Nicholas Santos - Foto: Satiro Sodré/SSPress

Toda prática de esporte precisa de uma motivação. Seja você um nadador amador ou profissional, a motivação para levantar de manhã e aguentar longas horas de viagens e competições deve vir de algum lugar.

Algumas adversidades do nosso esporte inclui treinamentos muito cedo, competições que duram um dia inteiro, dores durante e após os treinos e as desculpas para desistir ou faltar se tornam maiores do que as alegrias que o esporte oferece. Mas você sabe o que motiva ou que motivou atletas de elite a acordarem cedo e treinar?

Nesse começo de ano a SWIM CHANNEL falou com cinco grandes nadadores e ex-nadadores do Brasil a fim de descobrir a razão pela qual cada um acorda ou acordava cedo para ir treinar. Confira e inspire seu começo de temporada!

Nicholas Santos – Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Nicholas Santos – Busque seu melhor

Aos 38 anos, Nicholas Santos é bicampeão mundial em piscina curta e tem no currículo duas Olimpíadas (Pequim-2008 e Londres-2012). O atleta acredita que todos aqueles conselhos sobre a aplicação do esporte na vida é bem vindo na hora de descrever suas motivações.

“Sem dúvidas todo aquele papo de disciplina, foco, seriedade, se alimentar bem, dormir bem, funciona de verdade, e isso eu faço sem ser um peso na minha vida. Esse é o primeiro passo”, comenta Nicholas.

O veterano, recordista mundial dos 50m borboleta em piscina curta, tem ainda dois vices-campeonatos mundiais em piscina longa, soma três pódios em Jogos Pan-Americanos e uma semifinal olímpica. Para ele, ir atrás dos recordes se tornou, com o passar do tempo, sua maior motivação.

“Estar no esporte de alto rendimento é a busca incansável de superar os adversários e a si mesmo e no meu caso, na altura do campeonato, me desafio o tempo todo a quebrar recordes pessoais. Estabeleço a meta e corro atrás. Faço isso sem ser um peso e nem uma cobrança”, finaliza Nicholas.

 

 

Poliana Okimoto com a medalha de bronze olímpica – Foto: Satiro Sodré/SSPress

Poliana Okimoto – Entenda os porquês

Primeira nadadora brasileira a conquistar uma medalha em Jogos Olímpicos, a paulista Poliana Okimoto, também sempre precisou de motivos para sair da cama cedo e fazer seus treinamentos.

“Eu sempre precisei entender os porquês. O porque eu preciso treinar forte, porque eu tenho que acordar cedo, porque não posso comer o que eu quero, porque não posso sair com os amigos agora, entre outros”, conta Poliana.

O que motivava a agora aposentada nadadora, era ter os objetivos bem traçados na mente. “O objetivo tinha que estar muito claro na minha mente. Ter sua meta e seu plano definido sempre foi o que me motivava para chegar até lá e me ajuda a entender todos os porquês”, finaliza Poliana.

Medalhista em Campeonatos Mundiais, Jogos Pan-Americanos e na Copa do Mundo da Fina, Poliana foi eleita em 2013 a melhor nadadora do mundo pelo desempenho no Mundial de Barcelona onde foi campeã nos 10 km, prata nos 5 km e bronze na prova por equipe.

 

 

Gustavo Borges – Foto: MGB/Divulgação

Gustavo Borges – 3 motivos, uma paixão

O medalhista olímpico, Gustavo Borges, passou por momentos cruciais na sua carreira. Maior medalhista olímpico da natação brasileira, somando quatro medalhas, sendo duas pratas e dois bronze em três Jogos Olímpicos (Barcelona-1992, Atlanta-1996 e Sidney-2000), o nadador de Ribeirão Preto elegeu os maiores motivos que o faziam acordar cedo para o treino.

Para ele, os principais motivos que o motivavam foram três. O primeiro dele é o sonho. “Sempre tive um sonho traçado e ia atrás dos objetivos que eu queria alcançar”, diz Gustavo.

O segundo motivo era colocar todas as forças e esperanças nele mesmo. “Sempre quis que o hoje fosse melhor do que ontem. Eu sempre dei o meu melhor e sempre quis fazer o meu melhor”. A terceira e última razão vem do amor pelo esporte. “Eu sempre tive paixão por nadar. Eu adorava treinar e competir, então tudo sempre ficava mais leve e divertido”, completa o medalhista.

 

 

Fabiola Molina – Foto: Satiro Sodré/SSPress

Fabiola Molina – Dê tudo no treino

Há quem não goste de treinar e existem aqueles que gostam de fazer os “piores” treinos com o intuito de se superar. Fabíola Molina, ex-nadadora, prefere a segunda opção.  Um dos principais nomes da modalidade feminina no país, a nadadora disputou três Olimpíadas (Sidney-2000, Pequim-2008 e Londres-2012) e deixou a natação profissional em 2013.

Enquanto nadava profissionalmente, Fabíola tinha em mente o objetivo de superar seus próprios limites, inclusive nos treinamentos. “Ficar esperando qual série eu iria fazer era uma das minhas maiores motivações. Eu sabia que mesmo que a série fosse difícil, ela ia ser um diferencial na hora da prova”, comenta.

Colecionando medalhas nas etapas da Copa do Mundo, batendo recordes sul-americanos, e ganhando medalhas em Jogos Pan-Americanos, Fabíola tinha também como razão para treinar a vontade de dar o seu melhor.

“O que me fazia levantar da cama era superar meus próprios limites, aquela vontade de ser a minha melhor versão, o meu melhor possível”, disse.

 

 

Joanna Maranhão – Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

Joanna Maranhão – Curiosidade

Um dos maiores nomes da natação brasileira e recentemente aposentada, Joanna Maranhão, tem histórias de superação e altos e baixos na sua carreira. Para a nadadora, duas vezes finalista olímpica, o que mais a motivou, desde o começo do contato com a natação, foi a curiosidade de saber até onde ela iria.

“Desde muito nova quando eu estava na escolinha e percebi que eu podia assimilar mais rápido e aprender com mais facilidade sobre os quatro estilos, foi a curiosidade de saber até onde aquilo poderia me levar que me motivou. Era a curiosidade de aprender sobre os quatro estilos e me apaixonar pelo universo aquático. E esse questionamento de ver até onde eu poderia chegar, foi se transformando”, falou Joanna.

A nadadora não foi aquela criança que desde cedo falava que queria ir para as Olimpíadas, sua motivação sempre foi  a de desenvolver a melhor Joanna a cada dia, a cada treino. No final da sua carreira, quando conseguiu os melhores tempos da sua vida, estava o tempo todo conversando com ela mesma e com a sua psicóloga principalmente sobre o que a estava motivando.

“Eu sempre refleti sobre o que eu tava fazendo,  tanto com o que eu tava sentindo, quanto com o que eu tava conseguindo produzir, quanto eu não conseguia produzir, o que precisava ser feito. Eu considero principalmente os últimos quatro anos da minha carreira cruciais porque eu me apaixonei de novo pela curiosidade de saber o que eu poderia fazer a mais, assim como mais nova, quando eu estava aprendendo os quatro estilos”, finaliza.

 

Esta matéria foi inspirada em um artigo publicado no site da Swim Swam no dia 3 de janeiro de 2019.

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Fabiola Molina Gustavo Borges Joanna Maranhão motivação natacao Nicholas Santos Poliana Okimoto Swim Swam

Katarine Monteiro

Jornalista da SWIM CHANNEL.

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