Os melhores dos melhores na piscina do Mundial de Budapeste

31/07/2017

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Melhor nadadora: Sarah Sjostrom

Katie Ledecky conquistou cinco ouros e uma prata, mas, individualmente, o desempenho foi igual ao da sueca em termos de medalhas: três vitórias e um segundo lugar. Mas Sjostrom saiu de Budapeste com dois recordes mundiais, seus primeiros em provas de livre em piscina longa, nos 50m e 100m. É a primeira a ter recordes mundiais em provas de livre e borboleta desde a holandesa Inge de Bruijn, que alcançou o feito em 2000. E, no borboleta, se mantém inalcançável: colocou mais de meio segundo de vantagem sobre a segunda colocada tanto nos 50m quanto nos 100m. Na segunda prova, venceu pela quarta vez, e nada indica que irá parar por aí.

No vídeo abaixo, Sjostrom supera o recorde mundial dos 100m livre abrindo o revezamento.

Melhor nadador: Caeleb Dressel

Foram sete medalhas de ouro conquistadas pelo americano. Igualou a performance de Michael Phelps de 2007. Tudo bem que, na ocasião, Phelps conquistou cinco vitórias individuais, e Dressel agora alcançou “somente” três. Mas todas vieram de forma espetacular, nos 50m e 100m livre e 100m borboleta, com recordes americanos e chegando perto dos recordes mundiais da era dos trajes, sobretudo nos 100m borboleta. Por causa das especialidades, é quase como se fosse o correspondente de Sarah Sjostrom no masculino, mas com algumas diferenças: tem uma saída espetacular que faz a diferença, ao contrário da sueca que sai atrás e se recupera na parte nadada; e, por ser mais jovem, parece aguentar mais o tranco que Sjostrom, o que provou ao vencer três provas, todas de maneira espetacular, sendo duas individuas e um revezamento, em apenas uma sessão, no penúltimo dia de competições.

A seguir, entrevista com Caeleb Dressel após sua vitória nos 100m livre (não encontramos vídeos de suas provas no YouTube).

Melhor brasileira: Etiene Medeiros

Para melhor nadadora brasileira, difícil pensar em um nome diferente de Etiene, que conquistou o primeiro ouro feminino para o Brasil na história da competição em piscina. Sua prova nos 50m costas foi perfeita, derrotando a chinesa Fu Yuanhui por um centésimo com recorde das Américas. Não conseguiu transferir toda a potência para os 50m livre nessa competição, mas sabemos que ela é capaz disso, afinal de contas é finalista olímpica da prova. Menção honrosa para Joanna Maranhão, que superou de maneira sensacional o recorde sul-americano dos 200m medley da era dos trajes tecnológicos em quase um segundo e alcançou sua melhor posição na história dos Mundiais, terminando na 10ª colocação.

O vídeo abaixo, assim como os outros de provas de brasileiros, é cortesia do Swim It Up!

Melhor brasileiro: Bruno Fratus

Ao longo da temporada, Bruno vinha dando mostras que se encaminhava para um grande Mundial, ao nadar uma dezena de vezes abaixo dos 22s na temporada, algo que nunca havia feito antes. No revezamento 4x100m livre no primeiro dia, fechando a prova, encarou de igual para igual Nathan Adrian, campeão olímpico dos 100m livre em 2012, e teve uma parcial até mais rápida que a do americano no caminho para a medalha de prata. Escondendo o leite na eliminatória e na semifinal dos 50m livre, nadando com barba por fazer, teve a prova de sua vida na final: 21s27, terceiro melhor tempo pós-trajes para mais uma medalha de prata muito comemorada. Sua parte nadada foi melhor até que a de Caeleb Dressel, que levou o ouro por causa da diferença obtida na saída. Mais uma motivação para Bruno continuar em sua obsessiva busca pela perfeição. João Gomes Júnior e Nicholas Santos, prata nos 50m peito e 50m borboleta, também merecem uma menção aqui.

Melhor prova da competição: 200m livre feminino

Não teve recorde mundial nem de campeonato, e os tempos para chegar ao pódio foram mais fracos que os da Olimpíada do ano passado. Mas o que não faltou foi emoção. A favorita era Katie Ledecky, atual campeã olímpica e mundial, e que já tinha mandado 1min45s69 na semifinal. Com a presença de Ledecky, da estrela caseira Katinka Hosszu e da italiana Federica Pellegrini, a recordista mundial, só faltou Sarah Sjostrom para a prova ser uma reedição da prova do século de 2004 no masculino (Thorpe x Hoogenband x Phelps x Hackett). Parecia, no entanto, que seria uma batalha de Ledecy contra a australiana Emma McKeon, em grande fase. O equilíbrio era grande até os últimos 50 metros, quando Pellegrini, virando meio segundo atrás, teve um final de prova matador e ultrapassou as rivas para vencer com 1min54s73. O tempo foi pior que o da semifinal de Ledecky, mas foi o que menos importou. Pelo sétimo Mundial ela subiu ao pódio da prova, um recorde. E, após nadar, declarou que foi a última vez que nadou os 200m livre. Sentiremos falta da Diva.

Melhor prova do Brasil: 4x100m livre masculino

Tudo bem que Etiene levou o ouro nos 50m costas, mas uma medalha de prata foi a melhor prova do Brasil na competição. Primeiro por levar o país de volta ao pódio da prova, do qual estava ausente em Mundiais desde 1994 e em Olimpíadas desde 2000 – em todas as outras provas em que subiu ao pódio, o Brasil havia conquistado medalhas ao menos uma vez desde 2011. Mas, sobretudo, pela maneira com que os nadadores encararam a disputa. Desde antes da competição, os atletas enfatizavam a união da equipe, o que foi demonstrado na água. Todos fizeram a prova de suas vidas, com destaque para as parciais de Marcelo Chierighini (46s85) e Bruno Fratus (47s18). Foram apenas 28 centésimos atrás dos vencedores americanos e quarto melhor tempo da história após a era dos trajes. Uma prova inacreditável. Uma prata que foi comemorada como um ouro. E, pelo espírito dos brasileiros, da próxima vez eles não vão se contentar com menos que o primeiro lugar. Mais alegrias vêm por aí.

O recorde: Lilly King nos 100m peito feminino

Tudo bem que o recorde de Adam Peaty nos 50m peito, baixando dos 26s, foi impressionante. Mas por ser um recorde esperado e por ser em prova não olímpica, elegemos outro recorde, que foi ainda apimentado por uma rivalidade que surgiu no ano passado. Lilly King vinha credenciada pelo título olímpico da prova. Mas quem parecia que iria dar as cartas era a russa Yulia Efimova, que na semifinal ficou a um mísero centésimo do recorde mundial que pertencia à lituana Ruta Meilutyte desde 2013 de 1min04s35. Nadando a semifinal seguinte, a marrenta americana ficou a dois décimos da marca e fez uma cara de que ainda tinha mais para dar. Dito e feito. Na final, 1min04s13, uma marca espetacular que nos deixa pensando que é uma questão de tempo até que ela quebre a barreira do 1min04s – afinal baixou sete décimos de sua marca desde a Olimpíada.

No vídeo abaixo, cortesia da FINA, algumas cenas da prova (infelizmente a prova completa não está disponível).

O recorde júnior: Kristof Milak nos 100m borboleta masculino

O húngaro Kristof Milak havia assombrado o mundo há um mês, no Europeu Júnior, ao marcar 1min53s79 nos 200m borboleta, com apenas 17 anos. Só que as duas vagas do país na prova para o Mundial já estavam definidas: o campeão mundial Laszlo Cseh e o bronze olímpico Tamas Kenderesi. Restava a Milak nadar os 100m borboleta, uma prova em que teoricamente ele levava desvantagem, por ser uma distância em que se exige muita explosão e força física e ele, aos 17 anos, ser muito jovem para ter essas características no nível de seus adversários. Apenas esqueceram de avisá-lo: o tempo de 50s62 que lhe deu a medalha de prata é sensacional por si só. Mas imaginar suas possibilidades de evolução na prova até assusta. O que será que vem por aí nos próximos anos? Em tempo: vale menção o desempenho da chinesa Li Bingjie, que com 15 anos bateu o recorde asiático nos 800m livre com 8min15s46, e em certos momentos da prova chegou a rodar mais rápido que Katie Ledecky, algo impensável. Não foi recorde mundial júnior, que pertence à mesma americana com 8min11s00 de 2014, na época também recorde mundial absoluto. Mas não deixa de ser uma marca impressionante.

A zebra: 100m livre feminino

A vencedora dos 100m livre feminino foi a americana Simone Manuel, que já era a campeã olímpica da prova. Pode isso ter sido uma zebra? Pode, pois Sarah Sjostrom havia implodido o recorde mundial da prova abrindo o revezamento 4x100m livre no primeiro dia. Nadando para 51s71, se tornou a primeira nadaora a quebrar os 52s e, além disso, fazia um tempo nada menos que um segundo abaixo do de Manuel da final olímpica. Por isso, parecia não ter adversárias. Mas, na final da prova individual, passou forte, assim como no revezamento, e morreu no final, sendo alcançada pela americana. No final, 52s27 x 52s33. Sjostorm simplesmente se esqueceu de respirar nos primeiros 25 metros e pagou o preço no final, trecho no qual continuou respirando a cada quatro braçadas, enquanto Manuel, respirando a cada duas, tinha mais reserva. Para Manuel, mais uma vitória inesperada: na Olimpíada, era a australiana Cate Campbell, a então recordista mundial, a favorita absoluta. Simone Manuel, a quebradora de bancas.

Por Daniel Takata

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